21 de maio de 2026

Pedido de Lula por ajuste em tradução simultânea no G7 vira “gafe diplomática” para a Veja

Revista ignora o contexto de um gesto técnico e transforma episódio em “climão”, repetindo padrão de cobertura que prioriza o que não é notícia
Foto: Ricardo Stuckert/Secom-PR

Enquanto o mundo enfrenta guerras, mudanças climáticas, fome e desigualdade, a revista Veja decidiu mirar sua lupa, mais uma vez, na postura “constrangedora” de Lula, desta vez durante a reunião do G7.

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O motivo da crítica? O presidente brasileiro interrompeu, de forma educada, o discurso do primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, ao perceber uma falha na tradução simultânea. Um gesto comum e necessário em eventos multilíngues foi interpretado pela revista como um “climão”.

No vídeo do encontro, que reuniu os membros do G7 e líderes convidados, como Lula, o presidente aparece sinalizando que não está recebendo o áudio com a tradução. Ao lado de Lula está seu intérprete oficial, Sérgio Ferreira, que o acompanha há anos em compromissos internacionais.

O premiê chega a dizer: “Nós vamos esperar um minuto pela tradução, porque toda palavra que vou dizer vale a pena. De acordo comigo mesmo, é claro”. A piada é bem recebida pelos líderes. Em seguida, ele se dirige a Lula, em inglês, perguntando se o áudio está funcionando.

Lula, então, cobra novamente o ajuste e reforça ao seu intérprete que ainda não ouve a tradução. “A intérprete tem que falar. Manda falar qualquer coisa para ver se o som sai aqui”, diz o presidente, em um pedido básico para garantir o entendimento de uma fala importante em um fórum internacional de alto nível.

Mas, no jornalismo que prioriza o que não é notícia aos resultados concretos da política externa, o cuidado de um chefe de Estado em compreender o conteúdo da reunião se transforma em “gafe diplomática”. Aliás, ontem foi dia de noticiar a dispersão de Lula durante a foto oficial dos participantes da cúpula do G7.

A pergunta que fica é: o que a Veja, entusiasta da Lava Jato, esperava que ele fizesse? Que Lula escutasse calado, fingindo entender, e perdesse parte de uma discussão central para o mundo, apenas para evitar o “constrangimento”?

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Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

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3 Comentários
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  1. conrado francisco paulino

    18 de junho de 2025 7:35 pm

    A Veja sendo Veja…passa ano, sai ano, e não muda, só piora

  2. ERNESTO

    19 de junho de 2025 5:08 am

    Um misto de complexo de viralatas com preconceito de classe, marca registrada de uma mídia sem caráter.

  3. +almeida

    19 de junho de 2025 9:55 pm

    Eu penso que após descer do topo do jornalismo ao esgoto do profissionalismo, se torna bem possível que a prática de espalhar imundície em forma de matéria jornalística, seja a penitência eterna da obsoleta e suposta revista.

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