O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviou uma advertência direta a Israel, nesta segunda-feira (1º), pedindo que o país se abstenha de qualquer interferência que possa atrapalhar a transição da Síria para um “Estado próspero“. A declaração foi feita na em sua própria rede social, a Truth Social, poucos dias após uma incursão israelense no sul do território sírio que resultou na morte de 13 pessoas.
A manifestação de Trump ocorre em um momento de crescente tensão e em meio aos esforços do governo americano para normalizar as relações entre os dois países. Desde a queda do ditador Bashar al Assad, em dezembro do ano passado, a Síria é governada por Ahmed al Sharaa, ex-jihadista que liderou uma coalizão rebelde islamista.
Posição de Washington
Em seu comunicado, Trump parabenizou a gestão interina de Al Sharaa e se disse “muito satisfeito” com o desempenho da Síria após a saída de Assad, que ficou décadas no poder. O líder americano considera “fundamental” que Israel não desvie o curso dessa evolução.
“É fundamental que Israel mantenha um diálogo firme e franco com a Síria, e que nada aconteça para interferir na evolução da Síria para um Estado próspero“, escreveu Trump.
A aproximação entre Washington e Damasco se intensificou desde a ascensão de Al Sharaa. Em novembro deste ano, o sírio se tornou o primeiro líder do país a visitar a Casa Branca desde 1946. Trump tem promovido ativamente um acordo de segurança entre Israel e Síria, na esteira dos Acordos de Abraão, que normalizaram laços de Israel com outros países árabes.
O presidente americano ressaltou o empenho do novo governo sírio: Sharaa “está trabalhando diligentemente para garantir que coisas boas aconteçam, e que tanto a Síria quanto Israel tenham uma relação longa e próspera juntos“.
Incursões de Israel
A mensagem pública de Trump foi divulgada logo após um ataque israelense, considerado o mais letal até o momento, que matou 13 pessoas no sul da Síria na última sexta-feira (28). Israel alegou que a operação tinha como alvo um grupo islamista. As tensões na fronteira têm se acentuado devido a centenas de ataques realizados por Israel em território sírio, prática que se tornou rotineira desde a queda de Assad.
Horas após a publicação na rede social, Trump conversou por telefone com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o convidou novamente para visitar a Casa Branca. Segundo o gabinete de Netanyahu, os dois líderes discutiram uma “ampliação” dos acordos de paz regionais, o que sugere que a pauta síria esteve presente no diálogo.
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