O último dia da cúpula do G7, em Évian, na França, começou com quase uma hora de atraso nesta quarta-feira (17) devido à ausência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O episódio testou a diplomacia dos líderes mundiais e expôs o ambiente de forte centralização política em torno do líder americano, cujo comparecimento tardio reconfigurou a dinâmica da sessão de abertura.
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), entrou na sala de conferências por volta das 9h45, acompanhado de outros chefes de Estado. Diante do desfalque de Trump, o presidente francês e anfitrião do evento, Emmanuel Macron, optou por postergar o início dos trabalhos.
Durante o período de espera, Lula conversou por dez minutos com o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, e por mais 15 minutos com o primeiro-ministro da Coreia do Sul. O atraso prolongado, contudo, provocou desconforto. Monitorando as horas no relógio e questionando a organização sobre a demora, o mandatário brasileiro levantou-se e deixou o recinto, movimento que foi seguido por outros governantes.
Início sem o líder americano
Diante do impasse e da iminência de esvaziamento da agenda, Macron decidiu dar início formal ao encontro sem a presença do homólogo norte-americano. Para ocupar o assento reservado aos Estados Unidos, foi convocado o secretário do Tesouro do país, Scott Bessent. A decisão fez com que Lula e os demais líderes retornassem às suas respectivas posições na mesa principal.
Momentos após a reorganização das delegações, Donald Trump entrou no plenário. Os microfones oficiais instalados na sala captaram a primeira declaração do americano ao se dirigir ao centro do dispositivo: “I am the boss”. (Eu sou o chefe).
A fala, proferida em tom de ironia diante dos jornalistas e cinegrafistas, dividiu as reações no comitê. O chanceler alemão, Friedrich Merz, sorriu com a declaração. Já o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, manteve o semblante sério até ser cumprimentado formalmente por Trump, seu vizinho de assento.
O presidente brasileiro manteve-se alheio à movimentação, concentrado em anotações pessoais e sem esboçar reação à chegada do norte-americano. No dia anterior, a interação entre Lula e Trump já havia sido restrita à fotografia oficial do grupo.
Quebra de protocolo
A presença de Trump também alterou os protocolos de comunicação estabelecidos pela organização francesa. Logo após sentar-se entre Macron e Starmer, o líder americano interveio no momento em que a equipe do palácio do Eliseu sinalizava a retirada dos profissionais de imprensa do local. Diante dos repórteres, Trump afirmou: “Gostariam de ficar para a reunião? Por mim, tudo bem“.
Nos bastidores do evento, a diplomacia francesa atuou de forma incisiva para evitar atritos com Washington e garantir o sucesso da cúpula. Textos de declarações conjuntas foram revisados e trechos considerados sensíveis ou potencialmente divergentes da política externa americana foram suprimidos das versões finais antes do encerramento do encontro.
Sanções contra a Rússia
Apesar das tensões procedimentais, a pauta da cúpula concentrou-se no desdobramento da guerra entre Rússia e Ucrânia. Em painel realizado na terça-feira (16) com a participação dos líderes do G7 e de países convidados, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, confirmou que o bloco debateu a aplicação de novos pacotes de sanções econômicas contra Moscou. Segundo Zelensky, os chefes de Estado também reforçaram o apoio político e logístico à futura adesão da Ucrânia à União Europeia.
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