O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conversou por telefone com o líder russo, Vladimir Putin, horas antes de receber o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, neste domingo (28). O diálogo com o Kremlin, que durou uma hora e 15 minutos, serviu para alinhar termos de negociação antes do encontro presencial no resort de Mar-a-Lago, em Palm Beach.
“Acabei de ter uma ligação boa e muito produtiva com o presidente Putin da Rússia antes da minha reunião com o presidente Zelensky da Ucrânia”, escreveu Trump em sua rede social, Truth Social. A informação foi confirmada pelo enviado do Kremlin, Kirill Dmitriev.
Ao lado de Zelensky, em pronunciamento à imprensa antes do início da reunião bilateral, Trump adotou um tom de cautela otimista. “Estamos nas etapas finais das conversas“, afirmou o republicano.
Questionado sobre o cronograma para o fim das hostilidades, ele evitou ultimatos: “Mas eu não tenho prazos finais“.
A estratégia russa e a “paz completa”
O conteúdo da conversa entre Trump e Putin sinaliza uma convergência em torno de um acordo definitivo, em detrimento de cessar-fogos temporários. Segundo o assessor presidencial russo Iuri Uchakov, um dos principais negociadores de Moscou, Trump concorda com a visão de Putin sobre a necessidade de um “acordo completo“, rejeitando uma trégua que servisse apenas para adiar discussões sobre a soberania de territórios ocupados.
O Kremlin sugeriu a criação de dois grupos de trabalho distintos para dar vazão à complexidade do conflito: um focado estritamente na questão territorial e outro dedicado à reconstrução econômica e parcerias comerciais.
Atualmente, a mesa de negociações abriga um plano de paz de 20 pontos revisado por Kiev. O documento é uma contraproposta ao projeto original de 28 itens elaborado por Washington em coordenação com Moscou. Enquanto a versão inicial era vista como excessivamente favorável à Rússia, o texto atual reflete demandas de segurança ucranianas que o Kremlin já sinalizou não aceitar integralmente.
O tabuleiro de Donbas e as zonas desmilitarizadas
O maior entrave permanece sendo o controle do Donbas, região que Putin anexou formalmente em 2022. O líder russo exige a totalidade de Donetsk e Lugansk. Atualmente, a Rússia controla 100% de Lugansk e cerca de 80% de Donetsk. Já nas regiões de Zaporíjia e Kherson, onde as tropas russas ocupam cerca de 75% da área, Putin indicou a Trump, em agosto, que aceitaria manter os territórios já conquistados, abrindo mão do restante das províncias.
Um ponto crítico é a proposta americana de desmilitarizar a porção de Donetsk ainda sob controle ucraniano. Moscou afirma aceitar o plano, sob a condição de que suas próprias forças façam o policiamento da zona, termo que Zelensky rejeita categoricamente.
Tensão no front e pressão diplomática
Zelensky chegou a Miami acompanhado pela embaixadora Olha Stefanishyna, sob a pressão de uma nova escalada russa. Na madrugada anterior ao encontro, ataques aéreos intensos atingiram a infraestrutura de Kiev e de cidades no sul, como Odessa e Mykolaiv.
Além das fronteiras, o líder ucraniano busca resolver o impasse sobre a usina nuclear de Zaporizhzhia, a maior da Europa, e garantir que qualquer recuo militar seja acompanhado de garantias de segurança que impeçam uma nova ofensiva russa no futuro.
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