O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, se reúne neste domingo (28) com o líder americano Donald Trump em Mar-a-Lago, na Flórida, em um esforço diplomático para consolidar um acordo de paz. O encontro, organizado com apenas dois dias de antecedência, ocorre em um momento crítico: enquanto os líderes negociam em Palm Beach, a capital ucraniana, Kiev, enfrenta uma das mais intensas ondas de ataques russos, com o disparo de mais de 500 drones e mísseis nas últimas 48 horas.
A conversa tenta consolidar um acordo de paz em fase crítica. Washington estima que 90% do texto esteja fechado, mas os 10% restantes concentram os temas mais explosivos do conflito: soberania territorial, fronteiras, controle de infraestrutura estratégica e garantias de segurança.
Impasse territorial e soberania
O maior bloqueio envolve as exigências do Kremlin pela anexação total da região de Donbas. A Constituição ucraniana proíbe qualquer alteração territorial sem consulta popular, mas Zelensky sinalizou que pode levar o plano a referendo, desde que Moscou aceite cessar-fogo imediato.
Para destravar a negociação, os Estados Unidos apresentaram propostas classificadas como “instigantes”, incluindo a criação de uma zona econômica livre no leste da Ucrânia.
Outro ponto sensível é o futuro da usina nuclear de Zaporizhzhia, hoje sob controle russo. A proposta de Kiev prevê uma operação conjunta entre EUA e Ucrânia, com a energia produzida dividida igualmente entre o consumo ucraniano e a destinação definida por Washington.
Garantias de segurança no “padrão ouro”
Zelensky exige aquilo que autoridades americanas chamam de “padrão ouro” em garantias de segurança, um pacote destinado a impedir que a paz se transforme apenas numa trégua estratégica para um novo ataque russo.
O modelo em discussão se assemelha ao Artigo 5 da Otan, com protocolos de dissuasão e sanções automáticas para violações do acordo.
Trump, que interrompeu seu recesso para a reunião, sinalizou disposição para levar o acordo ao Congresso, apostando que Moscou poderia aceitá-lo em troca da neutralidade militar da Ucrânia, ainda que a adesão à União Europeia permaneça no horizonte.
Ausência russa e pressão
Apesar do otimismo de Washington, a Rússia não participa da reunião e mantém o tom de confronto. Na véspera do encontro, o presidente Vladimir Putin deixou claro que não recuou um centímetro:
“Se Kiev não estiver disposta a resolver a questão pacificamente, a Rússia alcançará todos os objetivos da operação militar especial por meios militares”.
A ameaça se materializa no campo de batalha. Os ataques russos provocaram apagões severos em Kiev e Kherson, mergulhando centenas de milhares de civis em temperaturas congelantes.
Europa à margem
O encontro em Mar-a-Lago ocorre sem a presença de líderes europeus, o que alimenta apreensão em Bruxelas. Embora o chanceler alemão Friedrich Merz e autoridades da União Europeia tenham reiterado apoio a Kiev em videoconferência recente, o estilo imprevisível de Trump gera desconforto nos bastidores.
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