O presidente da China, Xi Jinping, elevou o tom nesta segunda-feira (5) e fez a mais dura reação internacional até agora à operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, que no sábado (3) terminou com a prisão do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
Em sua primeira manifestação pública desde a ofensiva, Xi descreveu o momento global como instável e denunciou o avanço do que chamou de hegemonia unilateral de Washington, em um ataque direto à política externa norte-americana.
As declarações foram feitas em Pequim durante reunião com o primeiro-ministro da Irlanda, Micheál Martin. Sem citar o nome de Donald Trump, o líder chinês deixou clara a crítica ao comportamento do governo dos EUA:
“O mundo de hoje está repleto de turbulências, e a hegemonia unilateral está impactando severamente a ordem internacional”, afirmou Xi, segundo a diplomacia chinesa.
Críticas ao “bullying” internacional
Xi alertou que o sistema internacional atravessa uma transformação histórica profunda e que as grandes potências têm a obrigação de liderar pela legalidade, não pela força.
“O mundo hoje atravessa mudanças e turbulências nunca vistas em um século, com atos unilaterais de hegemonia que minam seriamente a ordem internacional”, disse. “Todos os países devem respeitar os caminhos de desenvolvimento escolhidos independentemente por seus povos”, acrescentou, cobrando o cumprimento dos princípios de soberania e não ingerência.
China exige libertação de Maduro e reage na ONU
A fala de Xi acompanha uma ofensiva diplomática sem precedentes da China. O Ministério das Relações Exteriores exige a libertação imediata de Maduro e Flores, levados por forças norte-americanas ao Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn, em Nova York.
O chanceler Wang Yi foi ainda mais direto ao afirmar que nenhum país tem autoridade para agir como “policial” ou “juiz” do mundo. Em nota oficial, o porta-voz da chancelaria, Lin Jian, classificou a intervenção como um:
“uso flagrante da força” e uma ameaça direta à estabilidade da América Latina e do Caribe, região que Pequim insiste em manter como “zona de paz”.
Interesses econômicos e recado a Washington
Apesar da escalada da crise, a China deixou claro que não recuará economicamente. Lin Jian afirmou que os acordos energéticos e estratégicos com a Venezuela permanecem intactos, independentemente de quem esteja no comando político em Caracas ou das pressões de Washington. Segundo ele, a parceria se baseia no “benefício mútuo” e é protegida por normas internacionais.
Ruas de Caracas em ebulição
Enquanto a diplomacia se move em Pequim e na ONU, Caracas ferve. Manifestações massivas tomaram as ruas da capital e de outras regiões do país. Rosinés Chávez, presidente do Inparques, liderou marchas exigindo o retorno do casal presidencial e denunciando os ataques que atingiram Caracas e os estados de Miranda, Aragua e La Guaira.
A presidente interina Delcy Rodríguez acusou os Estados Unidos de terem como objetivo real o “saque de recursos estratégicos” da Venezuela, especialmente petróleo e minerais preciosos. O governo venezuelano conta com apoio explícito da Rússia, que também condenou a intervenção e reafirmou o direito do país de decidir seu próprio destino.
A China confirmou apoio à convocação da reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, que acontece hoje, cobrando que Washington abandone a via militar e adote o diálogo e a negociação.
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