10 de junho de 2026

Xi Jinping se prepara para receber Vladimir Putin na China após visita de Donald Trump

O fortalecimento da parceria entre China e Rússia segue sendo observado com preocupação pelo Ocidente desde a invasão russa da Ucrânia
Foto: Reprodução/Xinhua

A visita do presidente russo Vladimir Putin à China nesta semana, quatro dias após Donald Trump deixar o país, deve reforçar a aproximação estratégica entre Moscou e Pequim em um momento de crescente tensão geopolítica global. Antes do encontro, Putin e o líder chinês Xi Jinping trocaram “cartas de felicitações”, segundo a mídia estatal chinesa, em referência aos 30 anos da parceria estratégica entre os dois países. Xi afirmou que a cooperação bilateral “se aprofundou e se consolidou continuamente”, sinalizando a intenção de ampliar ainda mais os laços políticos e econômicos. As informações originais são do jornal britânico The Guardian.

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Putin desembarca em Pequim na terça-feira (19) e terá reuniões com Xi na manhã seguinte. De acordo com o Kremlin, os dois líderes devem discutir todos os aspectos da relação bilateral, incluindo o projeto do gasoduto Força da Sibéria 2, considerado central para a estratégia energética da Rússia. O empreendimento pode ampliar significativamente a exportação de gás russo para a China, adicionando 50 bilhões de metros cúbicos de capacidade à infraestrutura já existente entre os dois países.

O encontro ocorre poucos dias após a visita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a Pequim, circunstância apontada por analistas chineses como incomum no cenário pós-Guerra Fria. O jornal estatal chinês Global Times destacou que raramente a China recebe, em sequência tão próxima, os líderes das duas maiores potências rivais do sistema internacional. Apesar disso, as conversas entre Trump e Xi teriam se concentrado principalmente em comércio, Oriente Médio e Taiwan, sem grande destaque para a guerra na Ucrânia ou para a relação sino-russa.

O fortalecimento da parceria entre China e Rússia segue sendo observado com preocupação por países ocidentais desde a invasão russa da Ucrânia, em 2022. O comércio bilateral entre Moscou e Pequim atingiu níveis recordes desde então, impulsionado sobretudo pelas compras chinesas de petróleo e combustíveis fósseis russos. Segundo dados do Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo, a China adquiriu mais de US$ 367 bilhões em combustíveis fósseis da Rússia desde o início da guerra, garantindo receitas importantes para Moscou em meio às sanções ocidentais.

Analistas avaliam que a questão de Taiwan também deve influenciar indiretamente as conversas entre Xi e Putin. O pesquisador Joseph Webster, do Atlantic Council, afirmou que Pequim busca ampliar sua segurança energética diante da possibilidade de futuras tensões envolvendo a ilha. Nesse contexto, o aumento da capacidade dos oleodutos e gasodutos russos para a China seria visto como uma forma de reduzir vulnerabilidades estratégicas caso haja uma escalada regional.

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