As joias e a Caixa de Pandora
por Petronio Portella Nunes Filho
São muitas as inconsistências na versão do ex-presidente sobre o “presente” árabe:
1) Se eram presentes do governo saudita, o canal para a entrega das joias não deveria ter sido a embaixada da Arábia Saudita em Brasília?
2) Se nem Jair Bolsonaro nem Michelle estavam naquela viagem à Arábia, por que foram presenteados lá no exterior, através de terceiros, quando a entrega poderia ter sido feita aqui no Brasil, segundo o protocolo?
3) Quem conhece a cultura árabe diz que lá o governo não dá presentes. Os reis, príncipes e empresários o fazem, e sempre como algo pessoal. Nunca como iniciativa do governo.
4) Ainda que as joias fossem de fato presentes do governo saudita, não deveriam vir acompanhadas de um documento oficial explicando sua origem e sua destinação?
5) O escândalo foi denunciado pelo jornal Estado de São Paulo em 3 de março de 2023 e, no mesmo dia, ganhou manchetes aqui e no exterior. Como explicar que hoje, uma semana mais tarde, o governo saudita não tenha se pronunciado para confirmar ou negar a “doação”?
6) Por que um político honrado aceitaria receber um presente equivalente a 50 anos de seu salário líquido, por baixo do pano, e depois se daria ao trabalho de contrabandear tal presente escondido dentro da escultura de um cavalo?
Todas essas inconsistências, mais a venda da refinaria Landolpho Alves para os árabes, sem licitação e pela metade do preço na mesma época, apontam para o mesmo lugar. As joias não eram um presente legítimo.
De fato, não há como negar que nem a venda da refinaria nem o recebimento das joias (na verdade, um tesouro de ouro e diamantes de 3 milhões de euros), foram feitos com transparência, como determina a lei.
Tudo leva a crer que as joias foram um esquema de lavagem de propina. No entanto, a TV Globo e a grande imprensa tratam o caso como um simples conflito burocrático entre a Receita Federal e Jair Bolsonaro. Por que será?
Será que eles temem abrir a caixa de pandora das privatizações de Paulo Guedes?
Petronio Portella Nunes Filho, consultor concursado do Senado Federal, Doutor em Economia pela Unicamp e autor de “Mentiras que Contam Sobre a Economia Brasileira”(2022).
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José de Almeida Bispo
11 de março de 2023 11:59 amAgora vai!
Já está nomeada uma procuradora, ativista bolsonarista, para elucidar o caso do escândalo das jóias II (O primeiro foi em 1983, ao fim da Ditadura.
Esse país está podre!