4 de junho de 2026

Os elementos envolvidos na gestão aeroportuária

Comentário ao post “A tecnologia na gestão dos aeroportos

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“Nos grandes aeroportos brasileiros, o grande problema são os cartórios do aluguel de lojas.”

Desculpe-me Nassif, mas isso é uma visão absurdamente reducionista sobre a complexidade dos grandes aeroportos, fruto de uma distorção que surgiu dentro desse conceito de “aeroshopping” que tem tomado conta dos aeroportos brasileiros nos últimos anos, muito em função das atrativas possibilidades desses negócios privilegiados que a gestão de lojas permite à Infraero.

A gestão de lojas é um ponto importante, mas está longe de ser o fundamental. Muito mais importante é a gestão de tráfego aéreo aproximado, as comunicações por rádio (no ar e em terra), o monitoramento de aeronaves por radar, a distribuição de “slots” de pousos e decolagens entre as companhias, análise e previsão das condições da metereologia, estrutura para pousos e decolagens por instrumentos (ILS), a gestão do tráfego de taxiamento e estacionamento de aeronaves, a infra-estrutura de transporte de bagagens, a reposição de comida nos aviões (catering), reabastecimento de combustível, serviços de manutenção corretiva e emergencial, distribuição de hangares, segurança contra acidentes e sistemas de emergência, estrutura para aviação geral (jatos executivos, aviões particulares e helicópteros), uso compartilhado com aviões militares e oficiais, etc.

Na parte dos passageiros, há o gerenciamento com a estrutura de acesso e transporte (ônibus, taxis, trem, estacionamentos de carros, locadoras de veículos), toda a infra-estrutura de check-in e embarque (inclusive a parte de revista pessoal e de bagagens), estrutura de desembarque, imigração, recebimento e retirada de bagagens, alfândega, free-shops, estrutura VIP para recebimento de autoridades brasileiras e do exterior, além das inevitáveis “celebridades” do show business. Sem esquecer o complexo despacho de animais vivos (gatos, cachorros, e outros PETs) e suas complicações sanitárias.

Há ainda a área de hotelaria, repouso e alimentação, tanto dos passageiros em trânsito como dos milhares de funcionários que trabalham 24 horas num aeroporto, um número imensamente maior do que é usual num shopping center e que, para complicar, são vinculados a uma dezena de sindicatos diferentes. Há os escritórios das companhias aéreas, a necessidade de uma infra-estrutura robusta, segura e redundante de comunicação e TI para os sistemas de check-in e controle de bagagem, a necessidade de no-breaks e geradores. Estrutura médica ambulatorial, de controle de epidemias, de aplicação de vacinas, de atendimento de emergência.

Obviamente que boa parte disso não é de responsabilidade da concessionária que opera o aeroporto, mas gerenciar os terminais exige um enorme esforço de coordenação e integração com diversos órgãos públicos e privados, como a Aeronáutica, DAC, DCEA, Anac, institutos de metereologia, Polícia Federal, Polícias Civil e Militar, órgãos fazendários, vigilância sanitária e inúmeros departamentos (federais, estaduais e municipais) ligados aos transportes terrestres e ao tráfego de veículos, distribuidoras de combustível, etc. Sem falar nas sempre tempestuosas relações com órgãos de controle ambiental de esgotos, resíduos químicos, poluição sonora, etc.

Se você pensar também na parte cargueira dos aeroportos – que é cada vez mais importante – verá que ela envolve a gestão de enormes armazens e pátios, logística integrada de transportes intermodais, questões aduaneiras e tributárias domésticas, segurança contra desvios e roubos de carga, protocolos burocráticos de exportação e importação, a relação com os serviços oficiais dos Correios e das empresas de courier (FedEx, SkyNet e quetais),  repressão ao contrabando e tráfico de drogas, questões sanitárias que podem envolver a necessidade de isolamentos e quarentenas, e por aí vai.

Você acha mesmo que a gestão desse cipoal de problemas e interesses possa ter qualquer semelhança com a administração do Shopping Iguatemi JK ?

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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