A história da bolha financeira das tulipas na Holanda

Sugerido por jns

Do Trader One

História da Bolsa de Valores, parte 4: A Febre das Tulipas e a Primeira Bolha Financeira

A Bolsa de Valores de Amsterdam foi um inegável sucesso. Sua consolidação, entretanto, não foi imediata: poucos anos após seu surgimento ela teve que enfrentar a primeira crise do mercado financeiro holandês.

Em 1593 o botânico Carolus Clusius trouxe alguns bulbos de tulipa depois de uma viagem a Constantinopla (a atual Istambul). Seu objetivo era usar as plantas para fins medicinais e ele as plantou em um pequeno jardim em sua casa. Ao ver as raras tulipas, seus vizinhos decidiram ir atrás de lucro fácil e roubaram os bulbos para revendê-los. Isso deu origem a uma louca mania por tulipas que afetou todo o país.

No início do século XVII tulipas se tornaram um símbolo de status na Holanda e isso fez com que seus preços começassem a subir. Quanto mais rara a tulipa, mais valiosa ela era considerada. Especuladores logo perceberam que podiam lucrar com essa mania e passaram a comprar bulbos para revendê-los a preços ainda mais caros. A mania por tulipas era tão grande que os preços chegaram a aumentar 20 vezes em um único mês. As plantas eram consideradas tão valiosas que muita gente dava todos os seus bens em troca de um simples bulbo, que poderia custar dinheiro o suficiente para sustentar por meses toda a tripulação de um navio.

Um grande problema do mercado de tulipas é que os bulbos não florescem até entre 7 e 12 anos depois de serem plantados. Quando a floração finalmente ocorre, ela dura uma semana entre maio e abril, com os bulbos aparecendo entre junho e setembro. Estas características limitavam a venda das plantas somente em uma temporada fixa. Para contornar o impedimento e poder negociar o ano inteiro, os especuladores passaram a vender contratos de tulipas. Ao assinar um contrato, um comprador assumia o dever de comprar determinada tulipa no final da temporada, essencialmente, como um moderno contrato de futuros. Assim como as próprias tulipas, os contratos passaram a ser negociados, iniciando o primeiro mercados de derivativos do mundo.

Em 1636, as tulipas e os seus contratos eram tão visados que eram negociados na Bolsa de Amsterdam, em Rotterdam, Haarlem, Leyden, Alkmar, Hoorn e outras cidades por todo o país. A febre das tulipas chegou até a fazer pequenas incursões em Londres e Paris, apesar não conseguir chegar à mesma escala que em seu país de origem. Era inevitável, entretanto, que eventualmente alguém fosse perceber que estava pagando fortunas inimagináveis por nada mais do que uma planta de jardim. Isso ocorreu no inverno de 1636-1637 em Haarlem, quando um comprador não honrou o seu contrato, gerando um pânico que fez com que, em questão de dias, os preços das tulipas caíssem para um centésimo de seus valores anteriores. A bolha havia estourado.

Muitas pessoas que haviam dado tudo o que tinham para ter uma tulipa, agora se encontravam apenas com uma planta sem nenhum valor de mercado. Ao ver a desvalorização das plantas, compradores decidiam não honrar os contratos, levando muitos vendedores à falência. O governo tentou apaziguar a situação, fazendo a oferta de honrar 10% do valor original dos contratos, o que só fez com que o mercado despencasse ainda mais.

A crise das tulipas foi a primeira bolha do mercado financeiro, deu início a uma depressão econômica que durou vários anos e gerou uma considerável desconfiança a investimentos especulativos por parte dos holandeses.

A bolsa, entretanto, sobreviveu.

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