5 de junho de 2026

Jango, Lacerda e JK e os Kids Pretos dos anos 70, por Luís Nassif

As hipóteses aventadas de assassinato de Lula, Alckmin e Moraes guardam semelhanças com as mortes de dissidentes no início dos anos 70.

A tentativa de golpe militar desvendada pela Polícia Federal tem tudo a ver com o golpe dentro do golpe que levou ao AI-5 (Ato Institucional número 5), de 13 de dezembro de 1968.

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Na época, o ditador Costa e Silva tinha tombado com um AVC. O vice-presidente era Pedro Aleixo. Em vez da sucessão normal, houve um golpe de estado articulado pelos três comandantes militares, que assumiram o poder e assinaram o AI-5, fechando o Congresso, suspendendo o habeas corpus para crimes considerados de motivação política, implantando censura prévia à imprensa, à música, ao teatro e às manifestações culturais e procedendo a uma perseguição implacável contra os opositores ao regime.

O golpe planejado por Braga Neto visava dar o comando a uma Junta Militar, sem a participação de Jair Bolsonaro, alterar o processo de decisão do Alto Comando do Exército – que tinha 5 generais contra o golpe – e articular manifestções de rua em apoio ao novo regime. O comando da junta seria do general Augusto Heleno, que serviu a Silvio Frota – o general que articulou um golpe com Ernesto Geisel e foi demitido.

Essa disputa com Bolsonaro fica nítido no documento do golpe – com embasamento jurídico de Ives Gandra Martins. Bolsonaro queria que fosse incluído um item prevendo novas eleições. Mas os militares de Braga Neto preferiam a Junta Militar no comando.

As semelhanças não ficam apenas nisso.

As hipóteses aventadas de assassinato de Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes guardam enormes semelhanças com as mortes de dissidentes no início dos anos 70 – especialmente do ex-presidente João Goulart, de Carlos Lacerda e Juscelino Kubistcheck, além de Zuzu Angel e do educador Anisio Teixeira.

Jango, Lacerda e JK articulavam a Frente Ampla, uma frente civil, juntando ex-adversário políticos, para tentar trazer de volta a democracia.

As 3 mortes de presidenciáveis

Juscelino foi morto em 22 de agosto de 1976. Oficialmente, a causa foi um acidente de carro na Rodovia Presidente Dutra, em Resende (RJ), mas as circunstâncias do ocorrido levantaram questionamentos, especialmente no contexto político da época, marcado pela repressão do regime militar (1964-1985).

JK viajava de carro de São Paulo para o Rio de Janeiro em um Opala dirigido por seu motorista, Geraldo Ribeiro. O veículo teria colidido com uma carreta após um pneu furar ou uma ultrapassagem mal-sucedida, resultando na morte imediata de ambos.

No entanto, a narrativa oficial foi criticada por falhas na investigação e pela ausência de testemunhos consistentes. Lea Vidigal, advogada, montou um grupo formado por estudantes e professores da USP e do Mackenzie para investigar as circunstâncias da morte.

Um ponto que ficou mal explicado na reprodução dos fatos antes da morte de ex-presidente é uma parada que fez, saindo da Dutra, no Hotel-Fazenda Villa-Forte cujo proprietário era o brigadeiro Newton Junqueira Villa-Forte, amigo do general Golbery do Couto e Silva e um dos criadores do Serviço Nacional de Informação (SNI).

Segundo depoimento do filho de Villa-Forte, Gabriel, que estava presente naquela tarde de domingo, o hotel estava vazio e o ex-presidente ficou lá por quase duas horas, depois ele e o motorista voltaram para a estrada e poucos minutos depois aconteceu o acidente. Um depoimento feito pelo manobrista do hotel, e registrado na época, destacou que o motorista Geraldo Ribeiro estranhou o carro assim que pegou para retomarem a viagem. O grupo de trabalho encontrou, ainda, registros de um jornalista que esteve no local do acidente e viu as provas do crime serem alteradas de madrugada pela perícia.

A colisão com o ônibus também não teria acontecido.  “Tem fotografias revelando que a traseira esquerda do opala, onde a perícia disse que teria sido o ponto de colisão entre o carro e o opala estava na íntegra no momento seguinte da colisão, mas, no dia seguinte, a polícia fabricou outras fotos com a traseira esquerda avariada. Ou seja, a avaria do opala que serviu de causa, digamos, do acidente, foi produzida depois do acidente, em algum momento posterior”.  Lea afirmou que existem cálculos matemáticos feitos para reproduzir o acidente na época demonstrando que as provas oficiais produzidas para fechar o caso foram “primitivas” e que claramente “adulteram o local do acidente”.

A morte de João Goulart (Jango) foi em 6 de dezembro de 1976, na cidade de Mercedes, na Argentina, 4 meses apóas a morte de JK. Na época, estava em plena atividade a Operação Condor, juntando a repressão de vários países latino-americanos, particularmente as do Chile, Brasil e Argentina.

Oficialmente, a causa da morte foi registrada como um ataque cardíaco, mas as suspeitas foram de envenenamento através de remédios – uma das táticas expostas nas articulações para assassinar Lula.

Em 2008, o ex-agente uruguaio Mario Neira Barreiro afirmou que o ex-presidente foi morto por pílulas adulteradas com veneno, substituídas entre os seus medicamentos regulares. Barreiro alegou que a operação foi planejada por militares brasileiros com apoio de outros regimes.

Cinco meses depois foi a morte de Lacerda, em 21 de maio de 1977, aos 63 anos. Oficialmente a causa de sua morte foi atribuída a um ataque cardíaco, mas houve inúmeras dúvidas sobre as causas reais.

Relatos sobre a autópsia de Lacerda e a investigação oficial reforçaram as especulações de que poderia haver algo além de causas naturais.

Embora nunca tenham surgido provas conclusivas que confirmem assassinato ou conspiração, a morte de Carlos Lacerda continua a ser objeto de debate entre historiadores e analistas políticos.

O caso Zuzu Angel

No mesmo período, em 14 de abril de 1976, houve a morte de Zuzu Angel, estilista e ativista brasileira. Ela faleceu em um acidente de carro na Estrada da Gávea, no Rio de Janeiro, mas há amplas evidências de que sua morte foi resultado de um atentado orquestrado pelos órgãos de repressão da ditadura militar no Brasil.

Zuzu tinha contatos com parlamentares norte-americanos, especialmente por meio de sua ligação com a família de Stuart, cujo pai, Norman Angel Jones, era cidadão norte-americano. Esse vínculo deu a Zuzu acesso a instituições políticas nos Estados Unidos, onde ela fez denúncias formais contra a repressão no Brasil.

Zuzu trabalhou com organizações como a Amnesty International e outras entidades que documentavam crimes políticos durante a ditadura. Essas instituições ajudaram a dar visibilidade ao caso de Stuart Angel como parte de uma campanha mais ampla contra desaparecimentos forçados na América Latina.

Usando sua posição como estilista de renome, Zuzu também envolveu artistas, jornalistas e outras figuras da alta sociedade no exterior para amplificar sua causa. Em um de seus desfiles em Nova York, ela utilizou roupas com estampas de pássaros enjaulados e outros símbolos de repressão, chamando atenção para a situação no Brasil.

Zuzu Angel vinha sofrendo ameaças por sua atuação contra o regime. Na madrugada de 14 de abril de 1976, ela perdeu o controle de seu carro, um Karmann Ghia, e colidiu com um muro em um trecho perigoso da estrada. Relatórios posteriores indicam que o carro foi provavelmente sabotado.

Entre as evidências de que não foi um simples acidente:

  • Zuzu havia relatado a amigos e familiares que, caso algo lhe acontecesse, seria responsabilidade da ditadura.
  • Investigadores independentes e, anos mais tarde, a Comissão Nacional da Verdade (2011-2014) concluíram que sua morte foi um atentado.

Os órgãos de repressão

O regime militar estruturou uma vasta rede de repressão política para combater opositores, incluindo intelectuais, políticos e ativistas.

Órgãos principais envolvidos:

• DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna): Centros de repressão, tortura e execução de presos políticos.

• SNI (Serviço Nacional de Informações): Principal órgão de inteligência, que monitorava cidadãos considerados subversivos, incluindo políticos e intelectuais.

• CENIMAR (Centro de Informações da Marinha): Atuava na vigilância e repressão de opositores.

• CISA (Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica): Envolvido em casos de tortura e desaparecimento de presos políticos.

Métodos utilizados pelo regime:

  1. • Assassinatos forjados como suicídios ou acidentes (e.g., Vladimir Herzog, Zuzu Angel, Anísio Teixeira).

• Desaparecimento forçado de opositores (e.g., Rubens Paiva, Stuart Angel).

• Execuções sumárias de guerrilheiros ou dissidentes políticos (e.g., Carlos Lamarca, Marighella).

2. Operação Condor

A Operação Condor foi uma aliança entre regimes militares da América do Sul (Brasil, Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia) para coordenar a repressão contra opositores políticos em nível internacional.

• A operação permitia que os regimes trocassem informações, prendessem e até eliminassem exilados políticos.

• Políticos como João Goulart (Jango) e Juscelino Kubitschek (JK), mortos em circunstâncias suspeitas, são apontados como possíveis vítimas de ações coordenadas no âmbito da Operação Condor.

3. Grupos paramilitares e milícias clandestinas

Além das forças oficiais, havia grupos clandestinos e paramilitares que atuavam em nome ou com a anuência do regime:

• Esquadrões da Morte: Grupos organizados por agentes de segurança, conhecidos por execuções sumárias. Lideranças como o delegado Sérgio Paranhos Fleury estavam entre os envolvidos.

• Esses grupos frequentemente eliminavam opositores do regime ou pessoas vistas como “ameaças à ordem”.

  1. Contexto geopolítico e apoio internacional

O regime militar brasileiro contava com apoio direto e indireto dos Estados Unidos, no contexto da Guerra Fria.

• Escola das Américas: Instituição dos EUA que treinou militares latino-americanos em técnicas de contrainsurgência, incluindo tortura e repressão. Muitos agentes brasileiros foram treinados lá.

• O governo norte-americano via os intelectuais e políticos de esquerda como uma ameaça comunista, fornecendo suporte aos regimes militares para neutralizar essas figuras.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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26 Comentários
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  1. Douglas da Mata

    20 de novembro de 2024 8:30 am

    Pera aí, Nassif…

    Esse bando de patetas de hoje não tinham nada a ver com a sofisticada rede montada pela CIA nesse hemisferio na década de 60.

    Que isso?

    Agora você derrapou feio na curva.

    Vou te dar uma dica:

    Ação desse tipo nunca é esclarecida, fica sempre como teoria da conspiração.

    Kennedy, por exemplo.

    JK, Jango…talvez… Lacerda, quem sabe?

    Faz isso não, Nassif…menos…

    Não cai na armadilha semiótica (consulte Wilson Ferreira) de dar dimensão maior que esses patetas têm.

    Os fatos são graves, sim.

    Mas a capacidade de execução desses palermas é menor que dos meninos do movimento de qualquer morto do Rio.

    1. EDUARDO PEREIRA

      20 de novembro de 2024 1:41 pm

      Tu és muito pretencioso. Mamãe falou que vc sabia das coisas e vc acreditou? Dar uma dica pro Nassif? Ele derrapou na curva? Ve se se encherga direitista, bolsonarista envergonhado. Toma o remedio no horário e se correr pode pegar carona com o Milei.

      1. Douglas da Mata

        20 de novembro de 2024 8:01 pm

        Encherga?
        Hum…

        Sei, estou aprendendo.

        1. Eduardo Pereira

          21 de novembro de 2024 3:25 pm

          Enxerga melhor. O Houais te ajudou? Ficou na ortografia mas no pensamento apanhou.

    2. Padawan

      20 de novembro de 2024 1:44 pm

      Não são patetas. Não subestime seus inimigos.
      Bebbiano, Marielle, PHA, Chávez, Kirchner

      1. Douglas da Mata

        20 de novembro de 2024 8:12 pm

        Não coloco todos os eventos no mesmo balaio…

        Acho que cada caso responde a um contexto e interesses (na verdade, mais objetivos que intereses) diferentes.

        Daí a eficiência na execução de uns, e a ineficiência de outros…

        Eu ainda defendo que Marielle foi morta por outras questões, e esses idiotas embarcaram no crime depois, para obterem o ganho político e a fama de eliminarem uma militante da esquerda com o peso dela…

      2. Jicxjo

        20 de novembro de 2024 9:31 pm

        Adriano…

    3. Luis Nassif

      20 de novembro de 2024 6:57 pm

      Você é o polemista que adapta a fala a ser questionada à sua resposta. Onde você leu que atribuí a conspirata à CIA? Limitei-me a mostrar que eles traziam o know how dos anos 70, de eliminação de adversários usando inclusive medicamentos. E mencionei as suspeitas da morte de Jango e Lacerda para mostrar a metodologia adotada.

      1. Douglas da Mata

        20 de novembro de 2024 8:05 pm

        Caro Nassif, você ler de novo, eu disse que uma conspiração dessa é coisa sofisticada demais para esses palermas…

        E disse que em 64 isso foi transferido pela CIA como conhecimento sos gorilas, que, certamente, não transferiram aos herdeiros de hoje.

        É o que escrevi…acho que você não entendeu…

        Mas vou refazer meu raciocínio, baseado no ótimo comentário de outro post, do Zezeca Brasil…

        Acho a tese dele mais interessante.

        São patetas, de fato instigados para gerar uma crise que seria mediada por militares travestidos de moderadores….

      2. Douglas da Mata

        20 de novembro de 2024 8:06 pm

        Em tempo, todo polemista faz isso…uai…

        Nunca vi método diferente, você conhece outro?

  2. Fábio de Oliveira Ribeiro

    20 de novembro de 2024 9:47 am

    A melhor forma de passar a limpo nossa história é mandar os militares aos cemitérios para remover as tumbas e caixões dos civis e militares que deram o golpe de 1964 e instrumentalizaram a ditadura. Esse lixo deve ser amontado num navio velho da Marinha e afundado no Atlântico.

  3. grevista

    20 de novembro de 2024 9:50 am

    O AI-5 foi assinado por Costa e Silva em 13 de dezembro de 1968. Foi, de fato, o golpe dentro do golpe. Em agosto de 1969 Costa e Silva teve um AVC e a junta militar impediu Pedro Aleixo de assumir o poder. Fizeram um simulacro de eleição entre os generais da época para decidir quem levaria o butim. Albuquerque e Lima ganhou, mas a junta decidiu por Médici, que comandava o SNI. Médici tomou posse no fim de outubro, quando reabriram o congresso (fechado
    desde o AI-5) só para isso.

  4. fabricio coyote

    20 de novembro de 2024 10:19 am

    E flavio boçalnaro, expert em direito penal, talvez tenha esquecido e contribuído para a delação do genitor, pois após a reforma de 1984 do Código Penal, a vontade (dolo) passa a ser o elemento central do tipo penal. No caso de homicídio, por exemplo, crime material, os criminalistas investigam a vontade (dolo) do homicida, um planejamento, ou qual a circunstáncia que inibe essa vontade (dolo) de realizar o ato (tentativa). O que leva ao estopim do ato. Diferente da positividade do Código Penal de 1942, do regime getulista, cujo jurista Chico Ciência fora o grande mentor. No caso dos golpistas há: vontade de matar (dolo); planejamento; plano de execução; monitoramento das vítimas: que circunstâncias alheias à vontade dos criminosos teria inibido a consumação do ato?

  5. Luiz Fernando Juncal Gomes

    20 de novembro de 2024 11:38 am

    Livro: O Beijo da Morte
    Autores: Carlos Heitor Cony e Ana Lee – lançamento: 11/2003
    Sinopse da Amazon:

    “O Beijo da Morte’ é uma mistura de reportagem, depoimento e ficção – um livro em que a experiência real dos autores se funde com a trajetória do personagem inventado. O repórter deste romance-reportagem precisa esclarecer o mistério das três mortes (de Juscelino Kubitschek, João Goulart e Carlos Lacerda) – que de forma mais ou menos intensa, desde o final dos anos 70 e até hoje, sempre foram um enigma para os jornalistas que assinam este livro.”

    O Nassif, como sempre, foi mais certeiro do que nunca. A possibilidade de envenenamento cogitada pelos assassinos, remeteu à morte de Jango, e mais oportuno ainda, como sempre, trouxe o João Vicente Goulart para o GGN 20 horas de ontem.
    No espaço de 9 meses, todos os 3 líderes da Frente Ampla morrem.
    O livro relata que no caso do Lacerda, ele estava em uma manhã na sua casa na serra fluminense cuidando do jardim, sentiu-se mal, caiu e foi levado para o hospital. A enfermeira que cuidou dele era uma portuguesa fugida do Salazarismo, que quando viu as circunstâncias do caso e de quem se tratava, falou: “Vi muito isso no tempo da PIDE”.
    PIDE, do Google:
    “A Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE) foi a polícia política do regime de Salazar e Caetano, criada em 1945 para perseguir e reprimir os opositores à ditadura. A PIDE era responsável por:
    Vigiar, prender, torturar e matar pessoas que se opusessem ao regime
    Censurar a imprensa e obras de arte
    Intervenir em querelas familiares, afectivas e no local de trabalho
    Prestar serviços de estrangeiros e de fronteiras
    A PIDE foi extinta em 1969, mas as suas funções foram transferidas para a Direção-Geral de Segurança (DGS). No entanto, o sistema autoritário só terminou com a Revolução dos Cravos, em 25 de Abril de 1974.”
    Os métodos não mudaram em nada. A Frente Ampla foi eliminada.

  6. Zezeca Brasil

    20 de novembro de 2024 11:49 am

    Na República Bananeira, todo dia é dia de golpe

    O jornalão carioca (e seu canal de notícias), habitué em passar pano para os militares bananeiros, já começou a construir a versão “oficial” da tentativa de golpe terrorista que acaba de ser revelada. Seus colonistas (como dizia o saudoso Paulo Henrique Amorim), já começaram a difundir o “mal-estar” que tomou contas das FFAA. Dizem que a caserna foi tomada pela “tristeza”, “surpresa” e “decepção”, pela “traição” de uma “minoria” que causou “estrago terrível”, alimentando preconceitos contra os militares.

    Seria hilário se não fosse trágico. O golpe sempre foi o plano A no caso de derrota do bozo. O lançamento do intelectualmente medíocre “Projeto Brasil 2035” já anunciava a intenção dos militares de permanecerem no poder. A ação de desacreditar as urnas eletrônicas foi apenas uma das ações preparatórias. Outra foi a nota das três forças do dia 11 de novembro, que defendeu os acampamentos nos quartéis e reafirmou explicitamente o papel “moderador” dos militares (e que, agora sabemos, foi na véspera da reunião dos golpistas na casa de de um general). E ainda há outras dúzias de evidências de que as forças armadas, em uníssono, estavam preparando um golpe.

    O Plano teve, no entanto, uma oposição de peso. De acordo com matérias do Financial Times. assessores de segurança nacional de Joe Biden vieram aos Brasil e deixaram claro que os EUA não só não apoiariam como condenariam qualquer ruptura institucional. Ironias da história: os que sempre patrocinaram golpes e desestabilizações do nosso país, por conta de uma conjuntura doméstica (o fator Trump), decidiram se opor ao golpe de seus vassalos.

    Foi um balde de água fria na milicada. Afinal, sua desobediência seria um ato de rebeldia aos olhos de seus reais comandantes, o Comando Militar Sul dos EUA, com consequências que poderiam ser bem desagradáveis. Isso dividiu o comando militar. Em áudio de um coronel golpista, do dia 19/11/2022, tornado público pela PF nesta semana, ele diz claramente sobre o alto comando do exército: “cinco não querem, três querem muito e os outros, zona de conforto”. Ou seja, dos 16 integrantes, apenas 5 não queriam aderir (e talvez somente por não ter o apoio do Tio Sam).

    È nesse momento que a arquitetura do golpe toma outro rumo. De forma planejada ou velada, foi dada carta branca para a ala mais radicalizada. Porque nada foi feito para impedi-los de prosseguir com o plano criminoso. E isso não foi omissão, foi estratégia. Com um golpe fadado ao fracasso, contavam que os radicalizados fariam o trabalho sujo e “deram corda para eles se enforcarem”. Diante do isolamento internacional, aí sim os “legalistas” entrariam em cena para colocar ordem na casa. Claro, depois de terem sido assassinadas as principais lideranças da república. E ficaram posando de “salvadores da democracia”.

    Esse era o plano. Não é difícil enumerar as evidências que conformam essa tese. Aliás, essa é a versão que o jornalão carioca, sabujo dos militares, está tentando emplacar: os militares impediram que a ala radicalizada desse o golpe e salvaram a república. Quem é otário que acredite.

    O escândalo que acaba de vir à tona, da trama de um golpe que culminaria com o assassinato das maiores autoridades da república, exige uma resposta contundente e imediata. As FFAA bananeiras digo, brasileiras, são golpistas desde a sua origem. As escolas que formam os futuros oficiais deveriam ser objeto de uma intervenção pedagógica do poder civil. Estão completamente contaminadas. São centros formadores de “bolsonaros do amanhã” criados à imagem e semelhança da criatura mais repugnante e desprezível que já ocupou a presidência do nosso país. Isso tem que acabar.

    Não é hora de titubear. Os golpistas mais empedernidos estão contando com um sinal verde vindo de Washington após a posse de Trump para voltar a conspirar e golpear. Não há joio a ser separado do trigo. Os fardados são ervas daninhas plantadas no mesmo canteiro. Como não será possível arrancá-las, devem ser severamente podadas. Ou a nossa democracia não sobreviverá até 2026.

    1. Douglas da Mata

      20 de novembro de 2024 12:34 pm

      Olha, faz todo sentido.

      Apesar de eu ainda duvidar da capacidade de execução desses patetas, o que, por óbvio, se demonstrou na realidade.

      1. Padawan

        21 de novembro de 2024 5:56 am

        Esqueci de mencionar Teori Zavaski e o Campos ex candidato.
        E os dois do PT antes de Lula I, Toninho e Celso.
        O sangue de todos clama por justiça.

    2. J R Souza

      23 de novembro de 2024 12:38 pm

      Perfeito, é o que me parece tb!

  7. José Célio Coelho

    20 de novembro de 2024 11:52 am

    O AI-5 foi promulgado por Costa e Silva, A Junta Militar assumiu em 1969.

  8. Fernando Bonato

    20 de novembro de 2024 12:03 pm

    Excelente resumo. A pergunta pra todos: É uma supresa estes planos, o limite da extrema direita ou a supresa esta na publicação destes planos contra Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes?

  9. AFONSO Celso

    20 de novembro de 2024 1:34 pm

    Se algum dia for revelado que os “kids pretos” os “black blocs” de 2013 são os membros efetivos de uma mesma célula terrorista que usa nomes diferentes para despertar suspeitas, não teria qq dificuldade para acreditar.

  10. José

    20 de novembro de 2024 3:34 pm

    Sabe que acho terrível de assistir o tal estudio I na globonews, qualquer coisa com entrevistados ou não mas sobre governo PT, vem a famosa e irritante frase:
    “Ah mas e a Venezuela”
    Só para constranger o esquerdista, porque será que não perguntam para o Gov Tarcisio o que ele pensa do atentado, ou é proibido ou é canalhice mesmo.

  11. Dogão uin tupiniquim.marcelo

    20 de novembro de 2024 4:18 pm

    EU TB MATO…ACABEI DE MATAR MINHA FOME !!!

    1. Anônimo

      21 de novembro de 2024 10:01 am

      Leiam “O beijo da m0rte”, de Carlos Hentor Cony.

  12. MARTHA MASSAKO TANIZAKI

    22 de novembro de 2024 12:51 pm

    O desgoverno do genocida mostrou o lado patético das FAs: a vaidade, a corrupção, a inteligência, a incompetência e a inteligência quase limítrofe. Mas a tentativa de golpe apesar de ter refletido todas essas características patéticas mostra a determinação de eliminar seus inimigos com os mesmos métodos da ditadura!!! Ou o país começa a reestruturar suas FA por que como estão são totalmente desnecessárias!!!

  13. ARI

    22 de novembro de 2024 6:01 pm

    No meu pensar TANCREDO NEVES e Teori Zavadski também foram vítimas de “armações” de grupo de direita ou pelo menos contou com o apoio de …

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