4 de junho de 2026

Morre ex-diplomata brasileiro Manoel Pio Corrêa

O diplomata, as viagens e os livros

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Por Andressa Taffarel

Da Folha de S. Paulo

Ao lado da família, o carioca Manoel Pio Corrêa conheceu os cinco continentes ainda criança. Seu pai, um famoso botânico de mesmo nome, viajava o mundo como pesquisador do museu de história natural de Paris à procura de plantas desconhecidas.

 
Durante o toda a vida, Pio não deixou de cruzar continentes. Diplomata, viveu em vários países. Tinha um carinho especial por Argentina e México, mas seu coração era da França, para onde ia de duas a três vezes por ano.
 
Grande conhecedor da Revolução Francesa, era dono de cerca de 1.000 publicações só sobre o tema, em diferentes línguas –falava pelo menos seis, além do português.
 
Sua biblioteca particular, no entanto, era muito maior. Herdou centenas de livros de seu avô paterno, um livreiro espanhol, e do escritor brasileiro Graça Aranha, avô de sua mulher, Thereza Maria.
 
Também é autor de vários títulos, entre eles o de memórias “O Mundo em que Vivi”.
 
Ultraconservador, apoiou o golpe de 1964 e considerava Getúlio Vargas e Castelo Branco os melhores presidentes do Brasil. Colega de Alzira, filha de Getúlio, na Faculdade de Direito do RJ, trabalhou no gabinete do político.
 
Após se aposentar no serviço diplomático, no qual ficou de 1937 a 1969, presidiu as unidades brasileiras da Siemens e da American Express. Trabalhou ainda em outras empresas e prestou consultoria até pouco tempo atrás.
 
Sofria de uma doença degenerativa. Morreu na sexta (6), aos 95 anos. Deixa a viúva, com quem foi casado por 70 anos, e os filhos, Manuel e Luiz, também diplomata.

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7 Comentários
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  1. Cláudio José

    14 de dezembro de 2013 2:25 pm

    Foi presidente de uma

    Foi presidente de uma seguradora inglesa que trabalhei! Emprestava, mais o nome, pois quem comandava era o vice, que era inglês. 

  2. Fernando G Trindade

    14 de dezembro de 2013 5:39 pm

    Se não falha a minha

    Se não falha a minha memória Pio Corrêa foi protagonisa de um hilário episódio narrado por Roberto Campos em seu livro de memórias “Lanterna na popa” (é um bom livro para quem quer conhecer melhor o processo político e econômico do Brasil da segunda metade do Séc. XX e, de quebra, com algumas boas histórias vividas por Campos.

    Narra Campos que como diplomata assessorou a Presidência da República (último governo Getúlio Vargas) por ocasião de visita do então Secretário de Estado estadunidense Dean Acheson (segundo governo Truman) ali por volta de 1952,1953.

    Em certo momento, ao fim de compromissos protocolares, ainda no meio da tarde, Acheson pergunta aos brasileiros aonde se pode beber alguma coisa e relaxar um pouco, algo assim.

    Pio Correa, que como Campos, acompanhava a visita, ao ouvir o pedido de
    Acheson teria intervido como que repreendendo o Secretário de Estado “A gentleman never drinks before sunset”, causando constrangimento geral.

    Campos conta que, anos depois, no governo João Goulart, quando foi Embaixador em Washington, Dean Acheson, já aposentado, costumava comparecer às recepções promovidas pela Embaixada e ao cumprimentar Campos sempre indagava “Where is that son of a bitch who never drinks before sunset?”…

     

  3. Fernando R.

    14 de dezembro de 2013 11:20 pm

    Seu pai

    O Dicionário das Plantas úteis do Brasil e das Exóticas Cultivadas, feito pelo seu pai, é contribuição relevante à nossa Botânica. Usei muito essa obra extraordinária em minhas consultas.

  4. Motta Araujo

    14 de dezembro de 2013 11:50 pm

    Pio Correa tinha uma incrivel

    Pio Correa tinha uma incrivel vitalidade, viajava muito na  na Ponte Aerea Rio SP , era um excelente narrador de estorias, fui colega dele na diretoria de uma entidade empresarial, era dessas figuras que não se esquece.

  5. Giancarlo

    15 de dezembro de 2013 3:02 am

    Pio Corrêa, o araponga da ditadura

    A Folha, como quase sempre, fez um serviço porco e mal intencionado. Faltou lembrar que este senhor foi o mentor da criação do Centro de Informações do Exterior (Ciex), que durante a ditadura trabalhou em conjunto com o SNI, infernizando a vida dos exiliados brasileiros. 

    Quando ainda na ativa, Pio Corrêa se dedicou a perseguir “pederastas e comunistas”, em suas próprias palabras. 

    Quem quiser saber um pouco mais, pode ler uma bela matéria investigativa publicada em 2011 pelo Correio Braziliense (e republicada no Observatório da Imprensa). Eis o link:

    http://www.observatoriodaimprensa.com.br/posts/view/correio-entrega-diplomatasarapongas

     

  6. Jorge Telles Jr.

    26 de março de 2014 7:07 am

    Pio Corrêa

    Importante não confundir o reacionário embaixador/agente da CIA com seu pai, o grande botânico Pio Corrêa, que, certamente, não subscreveria o caráter ambicioso e autoritário do filho.

  7. Jorge Telles Jr.

    26 de março de 2014 7:09 am

    Morte do embaixador/agente da CIA

    Importante não confundi-lo com o pai, figura extraordinária que escreveu um dicionário de plantas brasileiras em vários volumes.

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