Brasil precisa rever modelo de licitação para concretizar investimentos chineses

Jornal GGN – Caso se concretize, a promessa de investimentos da China na infraestrutura brasileira pode resolver uma crise do mercado ocasionada pelos desdobramentos da Operação Lava Jato e pelo contingenciamento dos gastos da União previstos pelo ajuste fiscal.

O mercado tem brutal necessidade. De acordo com estudo da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), para solucionar o déficit de infraestrutura, o país precisa investir R$ 100 bilhões por ano durante sete anos. Atualmente, investimos R$ 15 bilhões.

Leia também: Os dólares chineses na infraestrutura brasileira 

Só que por enquanto a vinda dos dólares chineses é apenas uma possibilidade. Cabe ao Brasil criar as condições para que se torne realidade.

De acordo com Francisco Américo Cassano, professor de Comércio Exterior da Universidade Presbiteriana Mackenzie, há uma série de ajustes que precisam ser feitos, a começar pelo modelo de licitação das concessões.

“Ontem [28], o ministro de Planejamento [Nelson Barbosa] já se manifestou a respeito de uma nova reorganização do programa de concessões. Isso tem a ver exatamente com a disponibilidade dos chineses em investir na infraestrutura brasileira”, acredita Cassano.

Ele entende que o critério de menor preço nas licitações diminui o apetite da iniciativa privada, pois limita os lucros, mas também os investimentos em melhorias.

“Se eu sempre tiver o menor preço como referência eu não vou poder ter um lucro de acordo com o desenvolvimento do meu negócio. O governo vai me policiar, me restringir a expandir o negócio, a melhorar os meus resultados etc”, argumentou.

Para ele, essa é uma barreira séria, a primeira a ser superada, mas há questões mais profundas, que vão dar na própria política externa brasileira.

Abaixo, os principais trechos da entrevista:

Jornal GGN – O primeiro-ministro chinês se reuniu com a presidente Dilma e fez promessa de investimentos no Brasil na casa de US$ 50 bilhões. Isso em meio à crise deflagrada pela Operação Lava Jato e pelos cortes orçamentários do ajuste fiscal. Esses dólares chineses devolvem perspectiva ao mercado nacional de infraestrutura?

Francisco Américo Cassano – Em primeiro lugar a gente tem que fazer uma consideração importante. Os investimentos chineses no Brasil, da forma como agora estão formulados, já são de longa data e o que se tem percebido é que isso tem sido muito mais uma promessa do que efetivamente uma ação concreta.

Se você relaciona com os dois pontos que você mencionou, Lava Jato e ajuste fiscal, é mais um motivo para que os chineses fiquem em uma situação de espera para ver como essas coisas serão decididas.

De qualquer maneira, o governo brasileiro já está com um procedimento. Ontem [28], o ministro de Planejamento [Nelson Barbosa] já se manifestou a respeito de uma nova reorganização do programa de concessões. Acho que isso tem a ver exatamente com a disponibilidade dos chineses em investir na infraestrutura brasileira.

Isso é uma necessidade, não temos a menor dúvida. Por outro lado, isso alavancaria a atividade econômica, também não há dúvida. Mas daí a dizer que estaremos em um novo patamar, estaremos em uma nova frente, vai uma distância muito grande até que efetivamente se confirme essa participação chinesa aqui no Brasil. Até que o investimento se concretize.

O indicador disso, no meu entendimento, deverá ser exatamente a oferta da concessão. Para aí sim a participação chinesa se concretizar.

Vai ser desenhado um modelo específico de concessão para os chineses?

O primeiro passo na realidade é tirar o menor preço como referência da qualificação do investidor. Quer dizer, a concessão será feita por uma seleção voltada para a competitividade, voltada para a realidade nacional.

Imagine a concessão de rodovia, por exemplo. Você está fazendo pelo menor preço, você está vendo que a BR-101 não anda pra frente porque o investidor vai fazer de acordo com o que ele está recebendo no pedágio. Ele tem o fluxo de caixa dele, ele não vai investir dinheiro na frente pra receber depois, ele tem os seus interesses em jogo.

Não é mais por menor preço e sim pela qualidade do investimento. Isso significa a não intervenção do governo no resultado do investidor.

Vamos imaginar que nós somos sócios, nós vamos participar de uma concessão de uma rodovia, como um consórcio. O governo nos pede menor tarifa. Isso significa que nós só vamos ganhar a concessão se nós oferecermos a menor tarifa de pedágio dentre todos os interessados nessa concessão.

Na realidade, eu vou ganhar a concessão pelo menor preço de pedágio, porém as obras, as melhorias e a manutenção, serão sempre em função do custo benefício que essa concessão irá me trazer.

Então a qualidade tende a cair. E quais são os outros critérios que o governo pode adotar que não o menor preço?

Fazer como numa privatização. Transferir os ativos. E quem receber os ativos recebe os passivos também. E fim de papo.

Mas num prazo de 30 anos, como é nas concessões geralmente?

30 anos. Estabelece as regras, óbvio. Isso evidentemente o investidor vai avaliar se é interessante ou não sob esse ponto de vista. Porém, você deixa de ter a intervenção governamental no contingenciamento dos seus resultados.

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Se eu sempre tiver o menor preço como referência eu não vou poder ter um lucro de acordo com o desenvolvimento do meu negócio. O governo vai me policiar, me restringir a expandir o negócio, a melhorar os meus resultados etc.

E atualmente as licitações são feitas todas por menor preço?

É. E essa é uma barreira séria.

E é uma barreira para a vinda dos chineses? Porque eles vão ter que competir.

Não. Eu não estou querendo dizer que os chineses estão pensando da mesma forma como nós estamos pensando aqui. Eu estou dizendo que isso pode ser uma barreira muito séria. O fato de abrir mão dessas condições pode estimular ainda mais a vinda dos chineses. Talvez por isso eles não tenham vindo ainda com o volume de investimentos que estão anunciando agora.

Os chineses falam, por exemplo, da Ferrovia Transoceânica. E esse é um investimento que interessa muito a eles, é uma obra de grande porte. Só que ferrovia é um daqueles investimentos que dificilmente entra na lógica privada porque o prazo do retorno é muito longo.

Eu até entendo esse ponto de vista, ele é pertinente mesmo, não há a menor dúvida. Entretanto, no caso específico da Transpacífico existe um componente importante que tem que ser considerado também. É o barateamento de matérias-primas e principalmente de alimentos para os chineses. Então, isso tem sem dúvida nenhuma um peso muito específico.

Quer dizer, o que tem peso é o valor estratégico da obra.

Exatamente. Qual é o peso estratégico disso? Tornar mais barato as commodities importadas pela China. E isso volta sob a forma de produtos industrializados também.

E aí tem acordos comerciais já previstos também nesse investimento?

Algo que esteja já dentro desse pacote. Sem dúvida nenhuma. Isso não está anunciado, não é do conhecimento do público, mas eu imagino que você não vai fazer um negócio desse porte sem que amarre todas essas variáveis.

E o mercado de infraestrutura tem uma necessidade muito grande, não é?

Sim, está muito carente.

Existe uma corrente popular que fala que o BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social] deveria assumir essa função. Entretanto, nós precisamos observar um ponto muito importante.

O que mais se comenta é o financiamento da construção do Porto de Mariel, em Cuba, que o BNDES financia e deveria financiar a melhoria de portos no Brasil, a construção de portos no Brasil.

Mas olha só, o que o BNDES financiou para Cuba é a exportação de bens e serviços para a construção do porto. Ou seja, estão incluídos no pacote os bens – os maquinários, equipamentos, utilizados na obra – mais os serviços.

Para isso existe uma linha de financiamento em dólares, para financiar essa exportação. O exportador recebe à vista e o importador paga de acordo com um prazo estabelecido, de cinco anos, oito anos, dez anos. A linha funciona nesse aspecto. Os juros cobrados são juros de mercado internacional. É o PROEX, o Programa de Financiamento às Exportações do BNDES.

Não são recursos de orçamento.

Não é recurso da União.

Não é recurso da União. Esse é o ponto vital.

Ou um banco capta no exterior e o BNDES equaliza a taxa de juros por causa do risco Brasil, ou então o próprio BNDES capta no exterior para financiar esse tipo de atividade.

Isso é diferente de você financiar o Porto de Santos, ou o porto seja lá de onde for. O Eike [Batista] tinha um projeto do Porto de Sepetiba que ele queria que o BNDES financiasse. O BNDES não tinha condições porque ele não tem recurso pra isso. O dinheiro não é do BNDES.

O que tem quer ser analisado são as condições de financiamento e se Cuba realmente está pagando o financiamento. Quais foram as garantias oferecidas, isso sim, precisa ser analisado profundamente.

Se tem alguma coisa para ser contestada nessa operação, citando especificamente o caso do Porto de Mariel, são as garantias, os termos do financiamento e se o financiamento está sendo pago. Isso merece análise, sem dúvida nenhuma.

E nós podemos fazer um paralelo entre essa operação do BNDES em Cuba e a forma que os chineses entram no Brasil? Tem semelhanças? Porque eles também vêm por um banco de desenvolvimento, não é?

Tem semelhança. Mas olha só o que nós precisamos diferenciar. Não sei se o deles é financiamento. No nosso, a Odebrecht, a agente construtora, financiou a obra, recebeu parcelas à vista do que foi exportado efetivamente e o BNDES é credor do financiamento concedido.

O BNDES paga à vista, em reais, os valores estipulados no contrato. Vamos dizer, 15% de down payment, de pagamento antecipado. A Odebrecht tão logo assinou o contrato se habilita a receber esse pagamento antecipado de 15%. Esses 15% são pagos para a Odebrecht em reais.

O BNDES recebe os 15% do governo cubano em dólares. Em um fluxo bem definido, em prazos estabelecidos em contrato e taxas de juros internacionais. De 0,5 a 1% ao ano, mais o risco Brasil, que deve estar em 1% mais ou menos. Então 2% no máximo, ao ano.

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Isso para o importador dos bens e serviços brasileiros está muito interessante porque talvez ele não tivesse condições de captar no mercado internacional dinheiro para financiar essa obra.

Então não podemos também questionar por que o BNDES não colocou esse dinheiro, por exemplo, no Porto de Santos, porque o Brasil não tem orçamento.

Não. Não tem no orçamento da União dinheiro previsto para isso.

Mas respondendo à sua pergunta, se os investimentos chineses virão dessa forma, nós saberemos quando a concessão for feita e quando for estabelecido o contrato.

É uma relação governo a governo, não é? Não é uma relação privada.

Governo a governo. No caso Brasil-Cuba existe a figura da Odebrecht como exportador e executor da obra, que por sua vez recebe à vista em função do programa do BNDES estabelecer isso.

Quer dizer, o BNDES antecipa recursos em reais e vai se creditar do financiamento quando for pago pelo governo de Cuba.

O que nós temos que questionar é se fizemos uma doação ao governo de Cuba ou foi um financiamento efetivamente? Depende das parcelas pagas pelo governo cubano. E isso nós não temos acesso.

A vinda dos chineses pode ser dessa forma, ou pode ser com investimentos privados, investimentos de interessados em ter esse canal aberto para a fluidez dos produtos brasileiros e posteriormente dos produtos chineses para o Brasil.

A grande obra é mesmo a Transoceânica. Tem expectativa para outras obras?

Falam também em aeroportos. Principalmente aqueles aeroportos das médias cidades brasileiras, que a Dilma [Roussef] prometeu 800 aeroportos. Talvez isso possa estar também sendo considerado.

Portos também. O próprio Sepetiba, no Rio de Janeiro, que agora não é mais no Eike, mas era para a vazão de petróleo da EBX, que ia operar no pré-sal.

Tudo isso na verdade virou um arcabouço de coisas não realizadas. Não sei se os chineses teriam interesse nisso também. O fato é que está aberta uma oportunidade de se realizar com esses investimentos chineses aquilo que o governo brasileiro não conseguiu fazer.

A impressão é justamente essa, que a incapacidade do governo brasileiro fazer vira oportunidade para os chineses.

Você não tenha dúvida disso. Por outro lado, você vai ver o ajuste fiscal tendo que aumentar a receita e não cortando gastos. O que significa isso? O dinheiro está curto, mas ninguém está querendo abrir mão do que já tem. Quer mais.

A política econômica na verdade está sendo conduzida de uma forma enviesada. Quem está pagando todo o ajuste é a sociedade. Não sei até que ponto a sociedade vai ter fôlego pra isso. Principalmente porque está se prenunciando uma onda de desemprego.

Talvez os novos investimentos chineses se contraponham a essa onda de desemprego e possibilitem um equilíbrio.

Porque a força de trabalho vai ser brasileira. Eles não vão lotar o Brasil de chineses.

Isso é contratual, viu?

Pode ser que eles tragam? Mas é possível trazer a força de trabalho toda? Talvez em cargos gerenciais.

É. É isso aí. A mão de obra menos qualificada é local.

E eles respeitam as regras trabalhistas?

Têm que respeitar. É contratual. E algumas concessões trabalhistas também são oferecidas, principalmente para os cargos gerenciais, o passaporte com algumas preferências. É tudo contratual.

A infraestrutura brasileira está aberta para esses investimentos chineses. O que eles quiserem fazer será bem vindo.

Já se falou também a América Latina Logística, a ALL, estaria interessada também em partilhar sua participação para melhorar ferrovias já existentes. Tem talvez o trem bala no meio desse caminho, São Paulo-Rio de Janeiro ou Campinas-Rio de Janeiro.

As empreiteiras nacionais têm como se beneficiar desse processo ou elas só perdem? Perdem contratos, perdem mercado?

Acho que o governo brasileiro também vai querer defender o meio de campo. Na concessão talvez se coloque uma empreiteira brasileira.

Ocorre que as empreiteiras brasileiras estão em uma situação tão desconfortável, ética e moralmente falando, que talvez isso se torne um empecilho para a inclusão delas.

Mas costuma acontecer isso também. Você ter empresa local atuando como parceira, como subcontratada. Tudo é possível.

Se a relação custo-benefício for interessante não tenha dúvida que eles vão usar.

É ingenuidade pensar que nós estamos substituindo a relação comercial de sempre por uma integração produtiva maior?

Não. Isso é verdade. É realidade sim.

Ocorre que lamentavelmente o governo brasileiro está usando uma política externa muito enviesada. Ele está fazendo uma política externa que privilegia de emergente para baixo e vira as costas para os mais desenvolvidos.

Se fosse uma economia forte, autossustentável, até se poderia mostrar para o mundo o potencial que as economias emergentes possuem. Entretanto o Brasil não é independente tecnologicamente, industrialmente.

Então virar as costas para os países desenvolvidos é um risco muito forte que nos conduz para um atraso difícil de ser recuperado.

Estamos virando as costas para quem professor? Estados Unidos e Europa? Toda a Zona do Euro?

É. Os desenvolvidos, não tem dúvida.

Nós temos alguns programas em andamento com a França, por exemplo, submarino nuclear. Mas grosso modo, o reflexo disso tudo você vai ver na balança comercial do Brasil.

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O senhor acha que a balança comercial vai ficar mais chinesa?

Você não tenha dúvida. Não tenha dúvida disso. Há uns 15 anos atrás mais ou menos, as nossas exportações, 25% delas iam para os Estados Unidos e 25% para a União Europeia. Os outros 50% você distribuía para a China, Mercosul e outros países da Europa.

Hoje, Estados Unidos caiu para 12%. A Europa foi para 17%. A Europa não diminuiu tanto porque eles são importadores de produtos do agronegócio, e nessa área o Brasil tem tecnologia, tem competitividade.

Agora, no mercado de industrializados nós perdemos espaço e eu acredito que seja irrecuperável.

E não é um número que anda paralelo ao declínio da participação da nossa indústria no PIB?

Sem dúvida. O reflexo disso tudo que nós estamos falando é essa desindustrialização que nós estamos verificando aqui no Brasil.

Nós perdemos mercados consumidores de produtos industrializados, nós viramos as costas para os países desenvolvidos, nós não possuímos tecnologia própria, ninguém cede tecnologia para nós. Nós vamos retornar a uma época colonial na qual nós éramos fornecedores de matérias-primas apenas e vamos importar tudo que é industrializado.

Importar de onde? Da China?

Preferencialmente da China, dada essa política externa sobre a qual acabamos de conversar.

O que estamos dizendo? Há uma obsessão do Brasil pelos Brics? Apostamos todas as nossas fichas nos Brics?

Pior que isso. A nossa política externa está destinada para Brics, Mercosul e menos desenvolvidos da África. Isso tem um peso muito forte. Nos coloca como líderes de esfomeados e nos afasta dos mais ricos. Eu não estou querendo ser elitista, é estratégico, lamentavelmente.

No momento que eu enxergo o Brasil carente de tecnologia e se afastando do desenvolvimento tecnológico para ser um grande ator global para fornecer alimentos e matérias-primas, isso é muito preocupante.

Quer dizer, o país está apostando mais nas commodities.

Exatamente. E o problema de depender de commodities é que o preço final é definido em bolsas internacionais, então, você não pode praticar o preço que você bem entender, você depende das cotações das bolsas internacionais.

Você não emprega um contingente de mão de obra elevado. Está tudo mecanizado. Principalmente em agricultura, no agronegócio. É comprar máquina e equipamento, não gera emprego direto.

E por outro lado, diminui a produção industrial, você causa desemprego, balança a economia do país de uma maneira muito forte. Desequilibra a economia do país.

Nós somos um dos poucos países no mundo que tem essa dualidade produtiva. Nós temos não só agricultura, agronegócio, produção de matérias-primas como também produção de bens finais.

Nós estamos brincando com uma situação que pode ser perversa para nós.

Insistir em commodities é bom? É bom. Não tem dúvida. Nós temos tecnologia avançada. A Embrapa é uma agência de pesquisa fabulosa. Nós conseguimos produzir soja, que é ambientado em climas frios, no serrado. Isso é desenvolvimento tecnológico, não tem a menor dúvida.

Mas não é só isso. Nós não podemos deitar em cima desse berço esplêndido porque senão nós vamos prejudicar o outro lado.

E o pré-sal, reforça essa mentalidade de commodities?

É outro investimento em um bem que também tem cotação em bolsa internacional que está em queda. Porque essa matriz energética está sendo reformulada.

Os Estados Unidos começa a extrair do xisto coloca em xeque o petróleo. E as reservas são também limitadas.

Além disso, você está apostando na exploração em uma área que não tem tecnologia própria e nem se sabe se tem tecnologia suficiente para isso.

Voltando para o mercado de infraestrutura. Qual é a solução? Porque antes do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) o Brasil investia R$ 2 bilhões por ano. Depois do PAC subiu para R$ 15 bilhões. Mas estudos de várias entidades, reunidos pela Empresa de Planejamento e Logística (EPL), falam da necessidade de investimento em infraestrutura de R$ 100 bilhões por ano. Nesse cenário começa a parecer interessante trazer os chineses para investir em infraestrutura.

É. É a alternativa que se apresenta.

Mas veja bem, o próprio PAC que representou esse avanço não tem efetivamente nada concretizado. É apenas projeto e apenas em início e nada final.

Sem você ter esses parceiros que invistam, dificilmente vai sair alguma coisa.

Então tem que ser interessante para a lógica privada?

Tem, não tenha a menor dúvida.

E o governo parece que agora, depois de muito tempo, percebeu que querer limitar o lucro do investidor fazendo a concessão por menor preço, não vai resultar em nada.

Então o problema chave é mesmo redesenhar o modelo de licitação para concessões?

É. Não tenha dúvida. Na área de infraestrutura é o problema chave.

E até para concretizar os investimentos chineses nós precisaremos disso.

Exatamente.

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17 comentários

  1. Ou seja querem voltar ao
    Ou seja querem voltar ao modelo de lucros exorbitantes e tarifas absurdas de FHC. E que se exploda o cidadão comum….. ““Só o tráfico de drogas dá mais lucro do que uma rodovia. O investidor pega a concessão de uma estrada por 50 anos e não precisa fazer investimento inicial, porque já recebeu tudo pronto”, afirmou o subprocurador-geral da República, Aurélio Virgílio Veiga.”

    http://g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/0,,AA1416721-9356,00-MP+COMPARA+LUCRO+DE+PEDAGIOS+COM+TRAFICO+DE+DROGAS.html

  2. Quase todas a s normas, leis

    Quase todas a s normas, leis e assemelhados que se vestem com a capa da moral & bons costumes tem como resultante a inércia dos gestores, em todos os níveis, redundando na “prova” da ineficiência do Estado e na maravilha do setor privado. Está na hora de rever as amarras propositais, sem precisar cair na gandaia do descontrole. 

    • Será que uma nova Lei Geral

      Será que uma nova Lei Geral da Copa estaria bom tamanho para os chineses? Não, não acretido, acho que tem que tirar o sapato..

  3. Interessane ele achar que

    Interessane ele achar que para avançar tecnologicamente o Brasil precisa ser parceiro de EUA e Europa quando, no segmento da construção, a China atualmente é mais avançada tecnologicamente que ambos. Quem ergue prédio de alta tecnologia, com mais de 3 mil m² por andar, ao rítmo de três andares por dia é a China, não os EUA. Quem anda fazendo ferrovias que ninguém achava possível, como a Qinghai-Tibet, é a China, não a Europa.

  4. Ponte Rio-Niterói

    Oligopólio, é isso que eles querem. Como se pode exigir que o Estado não interfira num serviço que é prestado sem concorrência? São uns piadistas.

    Acabou de ser assinado um novo contrato de concessão da Ponte Rio-Niteroí. Houve disputa. E a modicidade prevaleceu. O preço do pedágio baixou um quase 30%.- na verdade, mais que isso, pois se mantido o contrato haveria um reajuste de pelo menos 5%. Cairá de R$ 5,20 para R$ 3,70 em 01/06/2015. Foi revisado pra baixo. E haverá obras no Rio e em Niterói compromissadas no contrato para serem executadas nos próximos 5 anos. Então, pede pro cidadão explicar isso.

    Essa história de o Estado deixar o empresário cobrar o que bem entende em razão da “jóia” que paga pelo bem em concessão se choca com o princípio da modicidade tarifária, que deve prevalecer na prestação de um serviço público – ainda mais se não houver concorrência de mercado.

    Deixar o empresariado assim solto, ou permitir que o Estado cobrar do empresário uma “joía”, cujo valor será repassado ao Estado, leva a prática de tarifas abusivas (como as do Estado de São Paulo).

    As rodovias seguem agora o modelo de concessão da modicidade tarifária. O resto é choro. Quero pagar menos por bons serviços.

  5. Brasil precisa rever modelo de licitação para concretizar invest

    Este cara é o típico analista brasileiro. Ele diz meias verdades para contar uma grande mentira. Adoram apontar erros mas as soluções a curto prazo????? Quando fala que o Brasil vai continuar a ser um país de comodities e virado de costas para os países ricos e daí? O Brasil é uma economia baseada em produtos primários e semimanufaturados à décadas e continuará por um bom tempo. Quando as nações ricas deram oportunidade ao Brasil através de acordos que nos beneficiam?? Nunca! Aproximar dos Brics não diminui a importância da Europa e EUA, mas por outro lado, nos oferece opções de mercados alternativos. Até a África, tão questionada, é uma ótima opção para nossos produtos mais sofisticados.

  6. Leilão pelo maior preço

    Leilão pelo maior preço produz duas sérias sequelas para a sociedade, primeiro onera o consumidor transferindo recursos quase imposto, que só não são impostos porque são atos voluntários dos licitantes. Cria uma condição de monopólio.

    Ao contrário do que Francisco Americo afirma, a licitação por menor preço não limita a evolução dos negócios. Apenas limita as margens de manobra. Em termos financeiros, as duas modalidades estabelecem que deve haver um equilíbrio econômico nos contratos. Na modalidade onerosa a ineficiência é automaticamente transferida ao consumidor. O modelo inibe a melhoria e a competição.

    Os contratos de licitação onerosa deveriam ser proibidos. Grande parte do custo Brasil vem dai, tarifas elevadas de telefonia, de eletricidade, transportes, portos etc.

  7. O que é REVER um modelo de

    O que é REVER um modelo de concessão para quem ISENTOU uma Federação Internacional de IMPOSTOS e mudando até leis sobre bebidas em estádios????

  8. brasil precisa urgentemente é

    brasil precisa urgentemente é de alfabetização em mandarim para jovens e adultos do alto escalão do governo e dos negócios externos 1,99 com o mercado chinês… senão, como compreender os logogramas miúdos da escrita chinesa ou os hieróglifos miúdos nas entrelinhas miúdas dos contratos secretos e dos acordos bilaterais com o imperial estado comunista e com o gafanhoto comércio & indústria chinês?

    um exemplo da peculiar língua chinesa, na lição de casa a distância da Lu na China:

    “Tô aqui em casa, domingo de manhã, estudando chinês. Em cada lição, “aprendo” cerca de 30 novos caracteres. “Aprendo” entre aspas porque eu duvido que meu cérebro consiga memorizar significado, som, tom e escrita de 30 hanzis novos diariamente. 

    Na lição de hoje, “evitar”, “entender”, “razão” e… “sofrer”. Foi a primeira vez que eu vi o caractere “sofrer”, em chinês. Interessante, muito interessante. Os chineses são foda mesmo. Com o perdão da palavra. Não encontrei nenhuma mais adequada.

    O caractere 挨 (ái – sofrer) tem o mesmo som (e apenas outro tom) do que o caractere 爱 (ài – amar). É só mudar o tom de “amar” que… pronto! Você está sofrendo. Precisa falar mais? “

    isto pra gente não sofrer depois… porque achava que compreendia que estava sendo amado pela chinesada dando as cartas de crédito na mesa de negociação porteira fechada das terras raras e das riquezas nacionais…

  9. A pergunta que mais gostei

    A pergunta que mais gostei foi essa: “As empreiteiras nacionais têm como se beneficiar desse processo ou elas só perdem? Perdem contratos, perdem mercado?”. Isso vai depender delas. Se elas não forem à luta, ficarão esquecidas num canto qualquer. E por aí se vê como a disposição de investir chinesa dá ao país uma garantia de que ele não vai ficar à mercê dos apetites ou falta de apetites ou inibições ideológicas de investidores nacionais ou outros. Se não houvesse essa garantia de que se alguém não for os chineses irão sós, talvez o fator Moro estivesse dando as cartas sobre se o plano de concessões brasileiro deveria ou não dar certo e quanto e quando.

  10. O professor está enganado.

    O professor está enganado. Talvez a Europa que ele pensa que existe não exista mais sem que ele disso saiba. A  Europa não está abundante e feliz, distribuindo tecnologia em troca de um aceno de boa vontade dado pelos brasileiros. A Europa nem independência aparente tem mais, uns países estão acorrentados à União Européia e esta está acorrentada aos Estados Unidos. E dos Estados Unidos nem se fala. Sapatos são quase uma commoditie. Supermercados daqui vendiam há pouco muito barato excelentes maçãs francesas, que vieram parar aqui por causa do contra-boicote russo aos produtores europeus, sem dúvida.

    O mundo mudou radicalmente e nós fomos empurrados para uma nova relação comercial internacional. Fomos empurrados para os BRICS e os emergentes por nosso enorme instinto de sobrevivência, instinto que se pode agir em qualquer outro BRICS, não pode acudir a muitos países, inclusive periféricos da Europa, que se vêm à beira do naufrágio por estarem irremediavelmente amarrados aos Estados Unidos e à União Européia. Senão, hoje nem poderíamos sonhar em tentar refazer uma política industrial ou desenvolver uma economia independente. O comércio mundial hoje ficou melindroso e a geopolítica está por trás de tudo. Quis Deus que tivéssemos nossa magnífica agricultura para nos garantir a independência nessa travessia árdua.

    Poderíamos fazer uma parceria com algum país da Europa, tecnologia em troca de commodities? Não poderíamos, há limites para isso e esses limites surgem em razão da importância das transferências. Em alguns casos, os Estados Unidos não permitem que nada avançado caia em mãos que eles não podem controlar, seja em que campo do conhecimento for. Não pensem que a fábrica de Grippens para a Força Aérea está garantida. Os EUA poderão botar a faca no pescoço dos suecos na hora da entrega, como fizeram com a França, proibindo-a de entregar a encomenda de dois navios de guerra já prontos à Rússia.

    A Europa não é independente, ela obedece cada vez mais cegamente aos Estados Unidos. A guerra que se anuncia na Europa e talvez no Pacífico também, tende a não ser só contra a Rússia, mas contra todos os emergentes. Isso acontece porque os emergentes, países como China, Rússia, Brasil e Índia, têm dimensão, potencialidade e sentimento nacional suficientes para os fazerem exigir, quase que por obrigação, diante das outras nações do mundo, uma destacada posição de independência. Tendem a querer ser independentes do domínio supremo americano, que por sua vez tende a querer submeter todas as nações do globo. No caso europeu, os EUA mandam e a Europa baixa a cabeça e faz. Na verdade, não interessa à Europa ser hostil à Rússia, por exemplo, mas ela está sendo, embora nitidamente constrangida a isso. Breve esta hostilidade poderá ser estendida à China. E à Índia. E ao Brasil.

    Alguém acha que a Alemanha, país que apresentou o maior PIB europeu, cresceu uma enormidade em 2014? Foi mesmo coisa assombrosa, diante do PIB holandês que decresceu em – 0,4. A Alemanha cresceu 0,8 por cento. E a Europa não está mergulhada em abundância e dentro em breve rifará todas as suas conquistas sociais para que só seus bilionários desfrutem da tal abundância. Será este o cenário da pré-guerra? E quanto ao crescimento dos Estados Unidos, desde a vertiginosa  queda do PIB no início de 2014 instantaneamente mergulhada em uma confusão de estatística, ninguém pode confiar em números. Estes países desenvolvidos estão à beira de uma guerra mundial e não estão ofertando benesses de graça a países como o Brasil. Sem extremo cuidado não poderemos nos aproximar deles sem desvantagem para nós, não tem como, porque se confiarmos demais cairemos numa forte correia de transmissão nos levará a interesses conflitantes com nossos interesses. Se queremos tecnologia, teremos que, daquí por diante, trazê-la por meios excepcionais ou então gerá-la.   

    • O professor está enganadoR

      Sim, na verdade o pensamento do professor, ainda que elaborado, reflexe a “metafísica do vira-lata”. Coloquei metafísica só para ficar mais bonito. 

      No comentário do texto do professor o autor levando algo importante. Esses ricos querem se relacionar conosco para quê? Claro que para tirar vantagens. Como somos historicamente atrasados, estamos sempre chegando depois; logo, pagamos caro por isso. E eles cobram caro por isso, e não entregam o que é estratégico. Se não fosse por uns destemidos milicos, não teríamos tecnologia nuclear. 

      A pouco tempo alguém me pergunto como montar uma concessionária de carros, de uma dessas marcas chinesas. A primeiro coisa é o que você tem a oferecer ao importador? Há, mas… pois bem, por que ele teria interesse em lhe “ajudar” a montar uma concencionária? Ele “teria” lucro; bem, empresários tem problemas com “teria”; o futoro deles é calçado em um presente concreto ou líquido. rssss

      Para finalizar, penso que o professor tem razões. Sim, tecnológia é negócio sério; depois, estamos nos ‘desindustrializando”. A própria Europa(França e Alemanha) tem retomado a força suas indústrias que foram para a China. É preciso ter cuidado com isso, desde políticos de incentivo de pequenos negócios produtivos, aos grandes. Contudo, quando ele cita que há 15 anos nosso comércio era maravilhoso com os Ricos, lembro que nosso PIB era outro; em dois governos de FHC, Princípe do pensamento de “vira-lata”, o PIB até diminui em relação a Itamar Franco, o Motanahês.É que nos últios 15 anos, com dois governos de Lula, o PIB foi aos lugares que estão hoje. Mas é natural o professor da Mackenzie pensar nos EUA, aí foi um importante centro de caça aos comunistas. O próprio Presbieterianismo tem estreitas relações com aquela cultura; se podemos chamar fast food de cultura. 

       

       

       

       

       

       

       

    • Excelente comentário Severino

      Concordo com sua visão a respeito dos USA e da Europa, estão amarrados à banca até o último fio de cabelo, não têm autonomia nem para ir ao banheiro rsrsrsrs

      Os Brics são uma lufada de ar fresco neste mundo viciado, com interesses inconfessáveis e  chantagens de todos os tipos.

      Penso que todas as análises, inclusive a do artigo, estão com o olho no retrovisor e não no mercado de hoje, onde o petróleo já retomou fôlego e o aço também. 

      Salvo uma descoberta paradigmática no campo da energia renovável, vamos continuar na dependência dos hidrocarbonetos pelo menos pela próxima década, o que coloca o Brasil numa posição realmente privilegiada nos próximos anos. 

      Penso que nenhuma nação do mundo apresenta condições de investimento em larga escala lucrativos como o Brasil.

      Os chineses estão se adiantando ao  planeta, mas duvido que consigam monopolizar os investimentos estrangeiros por aqui, vâo acabar participando  em um pool de empresas estrangeiras, coligadas obrigatoriamente com nacionais. Estrangeiro não opera sozinho no Brasil, tai o Ford e o Luduwig para não me deixar sozinho nesta.

      A Dilma têm é de terminar os projetos de infra estrutura que estão em andamento e colocá-los a dar lucros, ai vai sobrar lugar para investir e não vai faltar capital barato para financiar.

    • No frigir dos ovos….

      sem tecnologia, principalmente para defesa, estaremos fritos num futuro tão incerto. Quer seja pelos demonizados americanos de sempre, quer seja pelos chineses se ficarem de olho grande nos nossos alimentos, terras e água.

      sabe-se lá por que a Europa prefere ser subjugada pelos americanos do que se aproximar dos russos (medo do abraço do urso?)

      O mundo continua sendo dos bárbaros como em todos os tempos

  11. Até onde sei

    a lei de Licitações(8666) permite outras modalidades como Melhor Técnica e Técnica e Preço, só que as licitações por ela são lentas e muito burocráticas, depois da lei do Pregão(10520) predominou o uso da modalidade Menor Preço por uma licitação mais rápida; o resultado é que empresas são obrigadas a derrubar seus preços e por isso ficam desestimuladas de fornecer qualidade…

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