A agência de ajuda humanitária da ONU para palestinos na região de Gaza está próxima de um ponto de ruptura, por conta das condições cada vez mais desafiadoras para a continuidade de suas atividades.
“Estamos muito perto de um possível ponto de ruptura. Quando será? Não sei. Mas estamos muito perto disso”, disse o chefe da agência UNRWA (Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente), Philippe Lazzarini, durante entrevista coletiva realizada em Berlim.
“Não esconderei o fato de que podemos chegar a um ponto em que não seremos mais capazes de operar”, acrescentou, destacando que a agência é confrontada com ameaças financeiras e políticas, além dos desafios nas operações diárias conforme a necessidade de socorro se torna mais urgente com a proximidade do inverno.
De acordo com o site libanês Al Mayadeen, o grande risco de fome ou desnutrição aguda está se tornando mais provável, principalmente com o sistema imunológico das pessoas ficando enfraquecido.
Estatísticas mostram que mais de dois terços dos edifícios da UNRWA foram atingidos pelo exército israelense e são considerados inutilizáveis – grande parte das instalações abrigava pessoas deslocadas sob a bandeira da ONU.
Fábio de Oliveira Ribeiro
17 de outubro de 2024 9:38 amA Primeira Guerra Mundial foi amplamente registrada na época por jornais impressos. A Segunda Guerra Mundial foi amplamente divulgada por filmes. A Guerra do Vietnã foi transmitida pela TV. O ataque a Gaza e ao Líbano está sendo registrado e disseminado por smartphones. A maneira como as pessoas refletem e reagem a uma guerra é controlada pelo meio que transmite a informação. O tempo entre a coleta de informações, seu processamento e disseminação também é importante. Ninguém reage visceralmente a algo que aconteceu um mês, duas semanas ou alguns dias atrás. Mas o que está acontecendo agora em tempo real desperta fortes emoções e reações instantâneas. Portanto, a maior polarização política da sociedade norte-americana hoje também é determinada pelo impacto da tecnologia pela qual as informações de guerra circulam. Mas há um perigo aqui: a aceleração da circulação de informações que torna as pessoas mais suscetíveis a reações emocionais fortes e imediatas também produz apatia total diante da avalanche de atrocidades militares criminosas que se tornam comuns e paradoxalmente normais.