10 de junho de 2026

Arquivos sobre o caso Epstein desaparecem de site do governo Trump sem explicação

Os arquivos estavam disponíveis na sexta-feira, mas deixaram de ser acessíveis no sábado; Departamento de Justiça não informou o motivo da retirada
Imagem: Reprodução YouTube MSNBC

16 arquivos do caso Epstein foram retirados do site do Departamento de Justiça dos EUA menos de 24h após divulgação.
Fotos incluem Trump, Melania e Ghislaine Maxwell; retirada dos arquivos gerou questionamentos e críticas políticas.
Documentos revelam investigações, depoimentos e lacunas, com divulgação parcial frustrando vítimas e parlamentares.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Pelo menos 16 arquivos com documentos relacionados ao caso do financista Jeffrey Epstein foram retirados da página do Departamento de Justiça dos Estados Unidos menos de 24 horas após serem publicados. O sumiço ocorreu sem aviso prévio ou justificativa oficial, o que provocou questionamentos e alimentou especulações nas redes sociais e no meio político.

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Entre os materiais retirados estavam imagens de obras de arte que retratam mulheres nuas e uma fotografia que mostra diversas fotos dispostas sobre um aparador e dentro de gavetas. Em uma dessas gavetas aparecia uma imagem do presidente Donald Trump ao lado de Epstein, da ex-primeira-dama Melania Trump e de Ghislaine Maxwell, associada próxima do bilionário e condenada por tráfico sexual.

Os arquivos estavam disponíveis na sexta-feira, mas deixaram de ser acessíveis no sábado. Procurado, o Departamento de Justiça não respondeu diretamente sobre o motivo da retirada, limitando-se a informar, em uma publicação na rede social X, que “fotos e outros materiais continuam sendo revisados e editados de acordo com a lei, por cautela, à medida que novas informações são recebidas”.

A ausência de explicações oficiais ampliou a desconfiança em torno da divulgação dos documentos. Parlamentares democratas do Comitê de Supervisão da Câmara questionaram publicamente o desaparecimento da imagem que incluía Trump. “O que mais está sendo encoberto? Precisamos de transparência para o povo americano”, escreveram em postagem.

Divulgação parcial e lacunas

A retirada dos arquivos aprofundou críticas já existentes à divulgação dos documentos do caso Epstein. Apesar de envolver dezenas de milhares de páginas tornadas públicas por determinação de uma lei aprovada recentemente pelo Congresso, os registros trouxeram poucas informações inéditas sobre os crimes do financista ou sobre as decisões da promotoria que, por anos, evitaram acusações federais mais severas.

Entre os materiais ausentes estão entrevistas do FBI com vítimas e memorandos internos do Departamento de Justiça que analisam as decisões de acusação. Esses documentos poderiam esclarecer por que Epstein, em 2008, foi autorizado a se declarar culpado apenas de uma acusação estadual de prostituição, evitando punições mais graves.

Também há poucas referências a figuras poderosas há muito associadas a Epstein, como o ex-príncipe Andrew, do Reino Unido. As lacunas levantam dúvidas sobre quem foi efetivamente investigado, quem ficou fora do alcance das apurações e até que ponto a divulgação contribui para a responsabilização pública.

Conteúdo divulgado

Entre as novidades presentes nos arquivos estão detalhes sobre a decisão do Departamento de Justiça de abandonar uma investigação contra Epstein nos anos 2000 e uma queixa inédita, datada de 1996, que o acusava de roubo de fotografias de crianças. Grande parte do material divulgado consiste em imagens das propriedades do bilionário em Nova York e nas Ilhas Virgens Americanas, além de fotos com celebridades e políticos.

Há diversas imagens inéditas do ex-presidente Bill Clinton, incluindo registros ao lado de Epstein, de Michael Jackson e de Diana Ross. Já as fotos envolvendo Trump são menos numerosas. Ambos negaram posteriormente proximidade com o financista e não foram acusados de irregularidades relacionadas ao caso. Não há indicação de que as imagens tenham sido usadas como prova em processos criminais.

Críticas e frustração das vítimas

Embora o Congresso tenha fixado prazo para a divulgação integral dos documentos, o Departamento de Justiça informou que os registros serão liberados gradualmente, alegando a necessidade de ocultar nomes de sobreviventes e dados sensíveis. A falta de um cronograma definido irritou acusadores de Epstein e parlamentares que defenderam a aprovação da lei.

“Mais uma vez, sinto que o Departamento de Justiça está nos decepcionando”, afirmou Marina Lacerda, brasileira que denunciou ter sido abusada por Epstein desde os 14 anos.

Os documentos divulgados até agora representam apenas uma pequena fração do acervo existente. Segundo o vice-procurador-geral Todd Blanche, promotores federais de Nova York acumulam mais de 3,6 milhões de registros ligados às investigações contra Epstein e Ghislaine Maxwell, embora parte do material se repita em arquivos já conhecidos.

Muitos dos documentos tornados públicos carecem de contexto ou aparecem com trechos totalmente censurados. Um registro de 119 páginas identificado como material de grande júri foi divulgado integralmente coberto por tarjas pretas.

Investigações e depoimentos

As acusações federais por tráfico sexual contra Epstein foram apresentadas em 2019, mas ele se suicidou na prisão antes do julgamento. As transcrições de procedimentos do grande júri, agora divulgadas pela primeira vez, revelam que o FBI ouviu diversas meninas e jovens mulheres que relataram ter sido pagas para manter relações sexuais com o financista. A mais jovem tinha 14 anos.

Uma testemunha contou que Epstein a contratou aos 16 anos para realizar massagens sexuais e que ela passou a recrutar outras adolescentes. “Para cada garota que eu trazia, ele me dava US$ 200”, disse, afirmando que as vítimas eram, em geral, colegas de escola.

Os arquivos também incluem uma entrevista feita anos depois com Alexander Acosta, então procurador dos EUA responsável pelo caso e que mais tarde se tornaria secretário do Trabalho no primeiro governo Trump. Ele afirmou que havia dúvidas sobre a possibilidade de um júri acreditar nas vítimas e reconheceu que, hoje, o caso provavelmente seria tratado de forma diferente.

Para Jennifer Freeman, advogada que representa a acusadora Maria Farmer, a divulgação dos documentos traz sentimentos mistos. “É um triunfo e uma tragédia”, afirmou. “Fica claro que coisas terríveis aconteceram e que, se houvesse uma investigação adequada, Epstein poderia ter sido detido muito antes.”

*Com informações da Associated Press.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

2 Comentários
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  1. Rui Ribeiro

    21 de dezembro de 2025 1:40 pm

    Por falar em Trump, kd o partido político do Elon Musk? Tá em stand by?

    O Musk falou que a verdade sobre o rolo Trump/Epstein viria à tona

  2. Rui Ribeiro

    21 de dezembro de 2025 1:50 pm

    “Time to drop the really big bomb: @realDonaldTrump is in the Epstein files. That is the real reason they have not been made public. Have a nice day, DJT!” – Elon Musk

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