Battisti, um peão no xadrez dos hipócritas e mesquinhos, por Fábio de Oliveira Ribeiro

Battisti, um peão no xadrez dos hipócritas e mesquinhos

por Fábio de Oliveira Ribeiro

Alguns dias depois de Cesare Battisti ser preso a mando de Luiz Fux – aquele ministro do STF que gosta de aplicar o princípio da presunção da culpa desde que condenou José Dirceu porque ele não provou sua inocência – o usurpador Michel Temer assinou um decreto determinando a extradição do militante de esquerda italiano a quem o Brasil havia concedido asilo político. Segundo alguns jornalistas essa medida irá restabelecer as boas relações entre o Brasil e a Itália.

As relações entre os dois países, entretanto, não foram abaladas por causa da permanência de Battisti no Brasil. Os italianos ameaçaram boicotar a Copa do Mundo de 2014 e recuaram. A seleção da Itália cá esteve, se não fez bonito foi por falta de futebol. Em 2007 a Itália não impediu a Iveco de celebrar um contrato para fabricar tanques para o Exército brasileiro.

O “caso Battisti” foi tratado como um problema secundário e/ou irrelevante. Ele nunca chegou a provocar qualquer estrago no comércio bilateral entre Brasil e Itália. A estadia daquele ex-guerrilheiro italiano em nosso país nunca impediu os consumidores brasileiros de comprar vinhos, azeites, massas, queijos e outros produtos italianos nos supermercados. Nossas exportações para aquele país não foram afetadas.

A decisão tomada por Michel Temer não vai afetar as relações bilaterais Brasil-Itália. Na verdade, a extradição de Cesare Battisti não passa de uma declaração política mesquinha. O que o usurpador quer é apenas fornecer mais uma prova de que ele é capaz de desfazer tudo o que foi feito pelo PT. O problema do Brasil nesse momento, porém, é outro.

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Gostemos ou não, uma verdade factual deve ser admitida: o golpe de estado de 2016 “com o Supremo com tudo” que levou Temer à presidência destruiu a boa imagem do nosso país no exterior. Nada indica que a posse de Bolsonaro aumentará a credibilidade do Brasil. Além disso, o chanceler escolhido por Bolsonaro é tão ou mais irrelevante do que que Aloysio Nunes.

Ernesto Araújo pode não ser um alcoólatra grosseiro como seu antecessor, mas ele acredita em aliens. A cruzada dele contra as pautas abortistas e anticristãs provocará um encolhimento do comércio exterior brasileiro e irá desestimular o turismo no país. Não seria melhor Bolsonaro nomeá-lo Ministro das Relações Extraterrestres?

Tudo bem pesado, devemos concluir que Cesare Battisti é um peão movido aleatória e desnecessariamente no tabuleiro diplomático. Seu retorno à Itália será imediatamente esquecido. Ele não irá modificar de maneira profunda as relações entre os dois países, nem incentivará os empresários italianos a investir ou fazer turismo no Brasil.

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3 comentários

  1. tsc tsc,

    o que aconteceu com battisti apenas recomprova duas coisas. Uma q existe uma grande esquema q destituiu dilma e botou a mão peluda no governo federal. E a outra é q esse esquema ‘levou’ a  eleição, honestamente ou não, e bolsonaro é a continuidade dele em alguma medida q ainda haveremos de comprovar

  2. Conspiration
    Quero ver mais comentários contestando os crimes (assassinatos) de que é acusado o italiano. Uma condenação à prisão perpétua num país democrático é algo muito sério.Seria a Itália um mero país capitalista atrelado aos EUA, onde a justiça é seletiva e com juízes não “garantistas”?

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