Pressão conservadora leva Stanford a fechar observatório de propaganda

Tatiane Correia
Repórter do GGN desde 2019. Graduada em Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo.
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Trabalho da Stanford Internet Observatory ficou conhecido pelas análises em tempo real de notícias e vídeos virais sobre as eleições nos EUA

Foto de Jorge Franganillo na Unsplash

Um dos mais reconhecidos centros de pesquisa em torno da propagação de notícias falsas nas redes sociais durante os períodos eleitorais nos Estados Unidos pode encerrar as atividades por conta da pressão judicial feita por políticos e ativistas conservadores.

Segundo o jornal The Washington Post, o Stanford Internet Observatory demitiu a maior parte de seu pessoal e pode encerrar suas atividades em meio a ataques políticos e legais que comprometeram os esforços para estudar a propagação de informações falsas nas redes sociais.

Fontes consultadas pela publicação afirmam que apenas três profissionais seguem no Observatório, e eles serão demitidos ou realocados para posições dentro do Centro de Política Cibernética de Stanford, que está absorvendo o que resta do programa.

A Election Integrity Partnership, um consórcio dirigido pelo Observatório e por uma equipe da Universidade de Washington para identificar desinformação viralizada, divulgou em sua página que o trabalho foi finalizado.

E a questão judicial está por trás do encerramento do programa, já que a universidade teve de pagar milhões de dólares em honorários advocatícios por conta de dois processos judiciais e duas investigações sobre o Observatório em andamento no Congresso.

De acordo com a publicação, o colapso do Observatório de Stanford é o mais recente em uma série de reveses para os pesquisadores que estudam propaganda e explicam a fabricação de falsas narrativas que ganham impulso e aceitação nas redes sociais.

Estudantes e acadêmicos ligados ao projeto eram alvo constante de assédio e ataques online em meio a um clima político aquecido para a investigação de fake news nos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que políticos ameaçam cortar o envio de recursos federais às universidades que estudam propaganda.

O trabalho dos pesquisadores se tornou alvo de sucessivos processos judiciais, pedidos de documentação e até mesmo ameaças de danos físicos – a começar pelo deputado republicano Jim Jordan, que afirmou em suas redes sociais que o Observatório era parte de um “regime de censura”.

Ao mesmo tempo, o subcomitê coordenado pelo parlamentar na Câmara alega que o Observatório trabalhou indevidamente com autoridades federais e empresas de mídia social para violar os direitos de liberdade de expressão dos conservadores.

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1 Comentário

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  1. Nos EUA a direita dominou total e lucrativamente a repressão às Fake News para silenciar seus adversários. Entre estes estão as organizações que realmente estudam e combatem esse fenômeno.

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