10 de junho de 2026

Cresce pressão contra ataque israelense em Rafah

Presidentes da Turquia e do Egito pedem paralisação de ofensiva em meio a conversas bilaterais; cresce alerta de desastre humanitário
Foto de TIMO via pexels.com

Os presidentes da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e do Egito, Abdel Fattah el-Sisi, pediram a suspensão dos ataques israelenses contra a cidade palestina de Fatah, na região sul de Gaza.

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Em meio às conversações bilaterais e a retomada das relações diplomáticas após anos de tensão, Erdogan e el-Sisi deixaram claro em coletiva de imprensa que ambos concordam com a necessidade de cessar-fogo em Gaza e a necessidade de restabelecer a calma na Cisjordânia.

Na ocasião, el-Sisi afirmou que o cessar-fogo se faz necessário para restabelecer as conversas de paz e, desta forma, estabelecer um Estado palestino independente.

“Continuaremos a cooperar e a ser solidários com os nossos irmãos egípcios para pôr fim ao derramamento de sangue em Gaza”, disse Erdogan, segundo a agência Al Jazeera.

Enquanto isso, dados do Ministério da Saúde em Gaza registram 28.576 pessoas mortas pelos israelenses desde o início dos ataques em 07 de outubro, com 68.291 feridos.

Nas últimas 24 horas, as forças lideradas por Benjamin Netanyahu cometeram 11 massacres contra famílias palestinas em Gaza, matando 103 e ferindo outras 145 pessoas, de acordo com a agência Al Mayadeen.

Desastre humanitário

A possibilidade de as forças israelenses avançarem sobre Rafah tem sido alertada por diversas instituições internacionais como a Organização das Nações Unidas (ONU).

Nesta segunda-feira, o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, alertou que a incursão israelense “é aterrorizante”, por conta da possibilidade de “um número extremamente elevado de civis, sobretudo crianças e mulheres, provavelmente será morto e ferido”.

De acordo com o chefe de Direitos Humanos da ONU, “para além da dor e do sofrimento das bombas e das balas, esta incursão em Rafah também pode significar o fim da escassa ajuda humanitária” que tem alcançado a região.

Autoridades internacionais acrescentaram mais um ponto de pressão contra os israelenses: segundo o presidente Joe Biden, embora o país rejeite uma trégua incondicional, existe um trabalho em torno de acordo para libertar os reféns, “o que traria imediatamente um período de calma de pelo menos seis semanas para Gaza”.

“Não podemos permitir um ataque israelense a Rafah”, onde a situação humanitária já é “insuportável”, disse o Rei Abdullah II da Jordânia, que também pediu “um cessar-fogo duradouro imediatamente” em Gaza.

Tudo o que podemos fazer agora é pedir, implorar, gritar: Não entrem em Rafah! Uma incursão israelense em Rafah será um ataque ao maior campo de pessoas desalojadas do mundo. Arrastará os militares israelitas a cometerem crimes de guerra de uma gravidade que nem eles ainda cometeram. É impossível invadir Rafah agora sem cometer crimes de guerra. Se as Forças de Defesa de Israel entrarem em Rafah, a cidade se tornará um cemitério”, diz Gideon Levy, do jornal israelense Haaretz.

Na última segunda-feira, o primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu ordenou uma ofensiva militar a Rafah, o último abrigo para 1,4 milhão de palestinos, sendo que a maioria deles fugiu da guerra na região de Gaza.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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