21 de maio de 2026

Dengue e escassez de rémedios deixa o Governo Milei à deriva

Relatório expõe crise de saúde na Argentina, enquanto país enfrenta a pior epidemia de dengue e de tratamento de câncer.
Oliver Kornblihtt / Mídia NINJA

Um relatório alarmante publicado pelo British Medical Journal revela a devastação da crise de saúde que assola a Argentina, sob a presidência de Milei. A pior epidemia de dengue da história do país e o abandono de pacientes com câncer são alguns dos destaques desse cenário desolador. Segundo o portal Pagina12, a ausência estatal no setor sanitário desatou uma crise no gerenciamento da dengue, ocasionado pela falta de repelentes. A doença já causou 129 mortes e, ao menos, 180 mil contágios no país. 

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O Ministério da Saúde, liderado por Mario Russo, foi classificado como “zumbi” pela renomada revista médica britânica, em meio a acusações de desastre na gestão da saúde. Centenas de pacientes com câncer foram deixados sem tratamento devido ao desmonte da infraestrutura acadêmica e científica, enquanto os serviços essenciais foram suspensos por meses.

Relatório expõe crise de saúde na Argentina, enquanto país enfrenta pior epidemia de dengue e  de tratamento de câncer.
A reorganização ultraliberal de Javier Milei leva ao caos na saúde pública argentina

A Direção de Atenção Direta a Situações Especiais (DADSE), responsável pelos subsídios para pacientes com câncer e outras doenças graves, foi duramente afetada pela redução de poder dos departamentos estatais. A falta de clareza sobre a continuidade dos tratamentos deixou os pacientes em angústia, e a renúncia do diretor da DADSE após a morte de sete pacientes trouxe à tona a gravidade da situação.

Seis organizações civis da área da saúde entraram com amparo judicial contra a gestão de Milei devido ao não recebimento de medicamentos por parte de paciente oncológicos. De acordo com a Alianza Argentina de Pacientes (ALAP), os serviços foram suspensos por 3 meses em meio a acusações do governo “anarcocapitalista” de que os funcinários públicos estariam fazendo mau uso dos recursos públicos. As associações declaram que não foram oferecidas informações claras aos pacientes sobre a continuidade de seus tratamentos.

Apesar das negações iniciais por parte do governo, a crise de saúde na Argentina é evidente. O porta-voz da presidência, Manuel Adorni, admitiu que estavam “corrigindo uma grande bagunça”, enquanto os pacientes e suas famílias clamam por ações urgentes para garantir o acesso aos medicamentos necessários.

Após a morte de sete pacientes oncológicos, o diretor da DADSE, Sergio Eloy Díaz, renunciou ao cargo. Díaz não chegou a ser nomeado oficialmente pelo Ministro da Saúde, Mario Russo, que afirmou que o verdadeiro titular da intituição seria Hernán Cohen, nomeado dia 19 de março.

Enquanto o governo tenta remediar a situação, o sofrimento dos pacientes com câncer e a preocupação com a propagação da dengue destacam a urgência de uma reforma séria e eficaz na gestão da saúde no país.

Em comunicado oficial, o Ministério da Saúde argentino desmentiu as declarações sobre a entrega de medicamentos oncológicos por parte da DADSE, afirmando que a instância “nem fechou, nem fechará durante esta administração”. A nota de 18 de março afirmava que há 10 dias, o Ministério da Saúde já estaria agilizando 120 pedidos urgentes com base na auditoria médica. 

O sistema de saúde argentino foi desregulado a partir do Decreto de Necessidade e Urgência (DNU) 70/2023 “para que todos os beneficiários pudessem escolher livremente entre Obras Sociais e Pré-pagas e impulsionar a livre concorrência entre os setores distintos”. O governo Milei alegava que havia identificado dentro da Superintendência dos Serviços de Saúde uma possível cartelização devido à assistência estatal recebida nos anos anteriores. Portanto, o Estado já não fixaria os preços e as empresas pré-pagas passariam a competir entre si.

A DNU 70/2023, determinou que os beneficiários não precisam permanecer um ano afiliados à obra social de sua atividade ao ingressar a um novo emprego, poderiam escolher uma obra social ou pré-paga sem intermediários ao começar em um novo emprego e poderiam trocar de prestadora uma vez ao ano, independente do início da relação de trabalho. O comunicado oficial do Ministério da Saúde ‘afirma’ que removeram o “privilégio daqueles intermediários que obrigam os beneficiários a depender da administração sindical, devolvendo a liberdade de escolha dos trabalhadores e impulsionando a livre concorrência entre Obras Sociais e Pré-pagas”. 

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Dolores Guerra

Dolores Guerra é formada em Letras pela USP, foi professora de idiomas e tradutora-intérprete entre Brasil e México por 10 anos, e atualmente transita de carreira, estudando Jornalismo em São Paulo. Colabora com veículos especializados em geopolítica, e é estagiária do Jornal GGN desde março de 2014.

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