5 de junho de 2026

Eleitores de Trump gostam das ideias do presidente, mas não de como são executadas

Trumpistas mantêm a ilusão de que compartilham objetivos com o presidente dos EUA e, mesmo quando discordam dele, seguem apoiando-o como única opção de voto
Foto: Daniel Torok/White House - via fotospublicas.com

O colunista de opinião do jornal The New York Times David French aponta que um dos golpes bem-sucedidos do presidente Donald Trump é levar milhões de pessoas a acreditarem que, no fundo, ele compartilha os mesmos objetivos e causas, ainda que tal convicção não seja real na prática. 

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É justamente o descompasso entre expectativa e realidade que faz com que os eleitores norte-americanos elejam Trump, mas que a popularidade do presidente caia drasticamente ainda no início do mandato. 

De acordo com a pesquisa da CBS/YouGov, divulgada na semana passada, 55% dos americanos aprovam os objetivos do programa de deportação de imigrantes. No entanto, 56% discordaram dos métodos adotados por ele para expulsar estrangeiros do país. 

A conclusão da pesquisa, então, é a de que a maioria dos americanos gosta do que Trump quer fazer, mas não gosta de como ele está fazendo.

Outro episódio que dividiu a opinião pública foi a do aumento das tarifas sobre produtos importados, mas 63% da população não concordou com a forma como Trump conduziu o episódio.

Apesar desta percepção entre expectativa e realidade dos eleitores de Trump, que justificam a queda de popularidade, fica claro ainda que os democratas não conseguiram construir uma maioria duradoura, apesar da agressividade implacável e dos excessos de Trump.

Consequentemente, a maioria dos americanos acredita que apenas um dos partidos compartilha os mesmos objetivos e deve continuar apoiando os republicanos, apesar das falhas e da corrupção de seus líderes. 

French aponta ainda que não conhece uma pessoa satisfeita com a forma como os estudantes judeus foram tratados nos campi de elite após os ataques terroristas do Hamas em 7 de outubro. Ainda assim, as pessoas não acreditam que o governo deva punir as universidades sem o devido processo legal, assim como  reprimir a liberdade de expressão, cortar o financiamento de pesquisas médicas vitais e expulsar estudantes estrangeiros das ruas por escreverem uma redação em um jornal estudantil.

Mesmo que discordem das práticas caóticas de Trump, os trompistas rejeitam alternativas, acusando aqueles que protestam, por exemplo, contra as violações dos direitos constitucionais de Harvard de encorajarem o antissemitismo. 

Eles também se referem aos que demonstram preocupação com os imigrantes como apoiadores de fronteiras abertas e tráfico de crianças. 

Ao mesmo tempo, há aqueles na esquerda que confundem a oposição popular aos métodos de Trump com oposição aos seus objetivos. Não foi coincidência que, à medida que a resistência a Trump se espalhava durante seu primeiro mandato, o progressismo emergiu. As grandes distâncias a favor de Trump foram facilmente interpretadas erroneamente como distâncias a favor do populismo (muito menos do conservadorismo), e os democratas marcharam para a esquerda — direto para posições que os assombrariam em 2024.

Mas a bifurcação entre objetivos e métodos ainda não captura completamente o trumpismo. Por um lado, quando a situação aperta, o trumpismo é o método muito mais do que o objetivo. Na verdade, seus objetivos costumam ser muito diversos. Ele tem toda a sua ala MAHA (Make America Healthy Again) cética em relação à Big Pharma, mas convive com milhões de republicanos que não questionam as vacinas e não querem que o governo lhes diga que tipo de comida comer.

Enquanto a extrema esquerda impunha uma rígida conformidade ideológica, recusando-se a admitir pessoas no movimento a menos que houvesse um acordo quase unânime em uma série de questões ideológicas, a direita permitia praticamente qualquer pessoa na tenda — desde que apoiasse Trump. 

No entanto, Trump já deu demonstrações de que pode ceder, tanto que dá foi criado nos EUA o termo TACO (Trump Always Chickens Out ou Trump Sempre Amarela, em tradução livre), para se referir às vezes em que o presidente volta atrás de suas decisões, a exemplo do recuo tarifário sobre produtos importados.  

Ainda assim, ele nunca deu demonstrações de que deve ceder em relação ao próprio poder, a exemplo das atitudes adotadas depois de perder as eleições de 2020, como o apoio aos invasores de Capitólio – que foram todos perdoados por ele. 

*Com informações do The New York Times.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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