5 de junho de 2026

Nova Economia: O que está por trás do embate entre Trump e Musk?

O que parece ser um choque de egos, na verdade, expõe fissuras profundas entre o setor privado de tecnologia e o poder público nos EUA

Na última quinta-feira (12), a bancada do programa Nova Economia analisou o embate de alto impacto causado pela briga entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o magnata Elon Musk.

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O que parece ser um choque de egos, na verdade, expõe fissuras profundas entre o setor privado de tecnologia e o poder público nos Estados Unidos — com consequências diretas para políticas públicas, orçamentos bilionários e até o equilíbrio democrático.

A crise entre Trump e Musk teria começado quando o bilionário, à frente de um programa do governo para corte de despesas públicas, foi demitido após divergências com o presidente. Musk, que prometia sanar o déficit fiscal americano, foi acusado de promover cortes drásticos em agências estratégicas, como a USAID, e demitir milhares de funcionários.

O resultado fiscal, porém, foi considerado pífio. Em contrapartida, Trump lançou um pacote fiscal polêmico que cortava gastos com saúde e alimentação para os mais pobres, ao mesmo tempo que beneficiava os mais ricos com isenções de impostos.

Segundo Leandro Ferreira, presidente da Rede PENSSAN, “é difícil distinguir o que é interesse público, delírio ou interesse privado nessa história”. “O que se sabe é que a Tesla valorizou-se em 190 milhões de dólares no dia seguinte a um possível aceno de paz entre os dois.”

Ferreira destacou ainda o risco de um “patrimonialismo à la Big Tech” nos Estados Unidos: um Estado cada vez mais capturado por interesses de grandes empresas, como a Tesla e a SpaceX. A tensão aumentou quando Trump ameaçou cortar contratos bilionários da Starlink e da empresa espacial de Musk.

O pano de fundo seria a disputa por subsídios federais, especialmente os destinados à infraestrutura de veículos elétricos — uma área vital para os negócios de Musk. A retirada desses incentivos, prevista no plano de Trump, pode ter sido o estopim para o afastamento do empresário do governo, embora o próprio Musk tenha dito que saiu por princípios.

A discussão não se limita à economia. Segundo João Furtado, economista e apresentador do Nova Economia, o episódio escancara a fragilidade dos Estados diante de gigantes tecnológicos. “Estamos diante de uma forma de poder despótico, que controla inclusive o fluxo da informação pública através de algoritmos”, disse.

Amauri Chamorro, consultor político, foi mais incisivo: “Musk vive de dinheiro público”. “Foram mais de 40 bilhões de dólares em contratos com o Estado americano. Mas, na hora do ajuste fiscal, o corte vai para a saúde e educação. No Brasil, o paralelo é imediato.”

O programa mergulhou também em uma reflexão sobre como as esquerdas estão perdendo espaço no debate público, não apenas nos EUA, mas em todo o Ocidente. Para Chamorro, a esquerda está prisioneira de análises teóricas intermináveis e debates internos, enquanto a direita vai direto ao ponto: comunicação eficaz, treinamento em redes sociais e presença estratégica nas plataformas.

“A esquerda organiza seminários para discutir o que Gramsci pensaria do TikTok. A direita, por sua vez, senta com executivos das Big Techs para saber como viralizar uma mensagem”, criticou Chamorro. Ele defende o retorno às ruas como ferramenta de mobilização política e denuncia o uso cada vez mais centralizado de recursos de comunicação dentro das campanhas de esquerda.

Segundo os debatedores, a guerra agora é cultural e simbólica, não mais militar. “Os EUA perderam várias guerras no campo militar, mas dominaram o planeta pela mente e pelo coração — pela cultura, pela internet, pelas redes sociais”, concluiu Ferreira.

O que vem pela frente

A tensão entre interesses públicos e privados, entre a comunicação digital e a política tradicional, e entre velhos líderes e novas realidades tecnológicas, aponta para uma crise mais profunda da democracia ocidental. O embate entre Musk e Trump é apenas a superfície visível de uma disputa maior: quem governa o mundo em tempos de Big Techs?

Nota da redação: Este texto, especificamente, foi desenvolvido parcialmente com auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial na transcrição e resumo das entrevistas. A equipe de jornalistas do Jornal GGN segue responsável pelas pautas, produção, apuração, entrevistas e revisão de conteúdo publicado, para garantir a curadoria, lisura e veracidade das informações.

Confira o programa na íntegra:

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

4 Comentários
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  1. Antonio Uchoa Neto

    15 de junho de 2025 2:01 pm

    O que é interesse público? Ele existe?
    Sabemos perfeitamente o que é o interesse privado. Sabemos o que quer, como atua. Mas o seu oponente não é sua contrapartida pública.
    Mas não existe interesse público. Porque não existe espírito público.
    Aqueles que creem na democracia, acreditam piamente na existência desse tal espírito público.
    Talvez porque acreditem, e, na verdade, façam parte do único espírito que, de fato e comprovadamente, existe na face da terra: o de porco.
    Campanhas de políticos, em todos os níveis, são financiados pelo Capital.
    O ricaço, o bilionário, os lobbys, será que eles chegam aos candidatos e dizem: toma esse dinheiro aí, meu filho, se eleja, e vá lutar pelo povo.
    Kkkkkk.
    O estado é a fachada regulatória, mecânica, burocrática, para que o interesse privado opere e utilize o dinheiro público para enriquecer.
    Outra questão: o que é dinheiro público?
    Teoricamente, é o dinheiro que rola nas contas públicas: o orçamento fiscal. Quem o controla? O interesse público? Como algo que não existe (salvo Deus e seu sucessor, o Algoritmo) pode controlar algo? Mas o interesse privado existe; logo…
    Metade (ou mais) desse tal orçamento fiscal vai para pagar o serviço da dívida. A única coisa, de fato, que é pública nesse mundo.
    A briga Trump/Musk não representa uma fissura entre o interesse privado e o interesse público. É uma briga entre o interesse privado de um (um setor da economia, seja de uma atividade produtiva, seja da especulação), e o interesse privado de outro (idem, ibidem).

  2. AMBAR

    15 de junho de 2025 3:28 pm

    Quando a gente olha para os dois juntos: Trump e Musk, não deixa de imaginar uma ave de rapina criando um coelho.Quando estiver pronto para o abate, o coelho será devorado sem constrangimentos. Musk pensa que é esperto alimentando o Trump, mas coelho esperto que sobrevive à rapina americana, só o Pernalonga.
    Sobre esquerda e direita políticas, a maior especialidade da direita em relação ao poder é não precisar ter escrúpulos. Ela toma o poder e não precisa dar satisfações a ninguém, já que é essa a essência do poder – a desnecessidade de qualquer justificativa.

  3. Paulo Dantas

    15 de junho de 2025 7:43 pm

    Parte boa da informação militar do mundo passa pelos satélites do Musk.

    Mesmo sob criptografia forte é informação.

    King Donald I de certa forma nas mãos dele.

    Eu pessoalmente dou pouca informação aos algoritmos, não os acho tão relevantes.

    São só álgebra linear e nossoa hábitos …

  4. Rui Ribeiro

    17 de junho de 2025 8:42 am

    Então o Elon Musk saiu do governo por princípios?

    Porventura, não foi por princípio$ que ele entrou no governo?

    Musk usa os princípios para realizar coisas contraditórias. Os princípios do Musk são facas de dois gumes

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