Os Estados Unidos realizaram uma explosão química subterrânea no centro de testes de Nevada, com o objetivo anunciado de melhorar a sua capacidade de “detectar explosões nucleares de baixo rendimento em todo o mundo”, segundo um relatório publicado pelo Departamento de Energia.
No teste, que ocorreu nesta quarta-feira (20), informa a Agência RT, foram utilizados produtos químicos de alta potência e radiotraçadores para “validar novos modelos preditivos de explosões” que podem ajudar a detectar explosões atômicas em outros países.
“Estas experiências avançam os nossos esforços para desenvolver novas tecnologias em apoio aos objectivos de não-proliferação nuclear dos Estados Unidos”, disse Corey Hinderstein, vice-administrador da Administração Nacional de Segurança Nuclear (NNSA).
“Eles ajudarão a reduzir as ameaças nucleares globais, melhorando a detecção de testes subterrâneos de explosivos nucleares”, acrescentou.
Tais testes foram realizados horas depois de a Duma Estatal da Rússia, a câmara baixa do parlamento nacional, ter aprovado por unanimidade, em sessão plenária, uma lei que rescinde a ratificação pela Rússia do Tratado de Proibição Total de Testes Nucleares.
EUA não ratificaram o tratado
O presidente da Duma, Vyacheslav Volodin, destacou que os Estados Unidos não ratificaram o tratado há 23 anos, e que, agora, ao tomar conhecimento da iniciativa russa, proposta por Vladimir Putin em reunião do clube de discussão Valdai, pediu ao deputados russos, através do seu representante na ONU, para não aceitá-lo.
“Cinismo, duplos padrões […]. Eles acreditam que são hegemônicos, apoiantes de um mundo unipolar”, sublinhou Volodin.
Da mesma forma, considerou que a aprovação da lei é inteiramente benéfica para a Rússia e para o resto do mundo, baseada na estabilidade, segurança e justiça.
O que é o tratado
O Tratado de Proibição Total de Testes Nucleares foi aprovado pela Assembleia Geral da ONU em 10 de setembro de 1996 e aberto para ratificação em 24 de setembro do mesmo ano.
De acordo com suas principais disposições, é proibida a realização de testes de explosões de armas nucleares, mesmo que para fins pacíficos, em todas as esferas, inclusive atmosférica, espacial, subaquática e subterrânea.
É de duração indeterminada e os signatários têm a possibilidade de dele retirar-se se decidirem que “circunstâncias excepcionais relacionadas com o conteúdo do tratado colocaram em risco os seus interesses supremos”.
O documento nunca entrou em vigor, pois exige a participação de todos os países que possuem armas nucleares ou a possibilidade de fabricá-las.
Dos 44 países que cumprem estes requisitos, 36 assinaram-no e ratificaram-no, enquanto os EUA, a China, o Egito, Israel e o Irã assinaram, mas não o ratificaram. As três potências nucleares mais jovens (Índia, Coreia do Norte e Paquistão) não o assinaram também.
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