10 de junho de 2026

EUA veem alta na busca por ajuda alimentar diante de empobrecimento repentino de milhões

Quase 60% dos adultos americanos viverão ao menos um ano abaixo da linha da pobreza, e 75% enfrentarão pobreza em algum momento da vida
Crédito: Freepik

1. Milhões nos EUA dependem de bancos de alimentos devido à insegurança alimentar, incluindo ex-comissária de bordo em Miami.

2. Beneficiária do SNAP, Ilona Biskup, luta para equilibrar orçamento após despesas médicas, refletindo fragilidade da rede de proteção social.

3. Organizações como Feeding South Florida enfrentam alta demanda por doações após congelamento temporário do programa SNAP, evidenciando a necessidade de assistência alimentar.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Milhões de americanos têm recorrido a bancos de alimentos em meio ao avanço da insegurança alimentar no país, um fenômeno que atinge até pessoas que sempre tiveram renda estável. É o caso de Ilona Biskup, de 62 anos, ex-comissária de bordo que vive em Miami e hoje depende de doações para garantir parte de sua alimentação.

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Mesmo recebendo US$ 2 mil por mês em benefícios da Previdência, Biskup não consegue arcar com todos os custos básicos após enfrentar dois cânceres, uma cirurgia complexa no pâncreas e, mais recentemente, o diagnóstico de Parkinson. O acúmulo de despesas médicas consumiu suas economias, deixando-a vulnerável.

A situação de Biskup reflete um problema estrutural. Pesquisas apontam que até 60% dos americanos passarão ao menos um ano na pobreza ao longo da vida, devido sobretudo à fragilidade da rede de proteção social e à prevalência de empregos de baixa remuneração. Um em cada cinco adultos usou bancos de alimentos no último ano, e 27% tiveram dificuldade para pagar assistência médica.

Com o recente congelamento temporário do programa SNAP, principal auxílio alimentar do país, que atende 42 milhões de pessoas, a demanda por doações disparou. Organizações como o Feeding South Florida registraram até o triplo de famílias em busca de itens básicos após o corte.

Beneficiária do SNAP, Biskup complementa a alimentação com doações enquanto tenta ajustar o orçamento para seguir vivendo em Miami Beach. Para ela, como para milhões de outros americanos, um único evento inesperado foi suficiente para transformar estabilidade em vulnerabilidade.

Essa trajetória não é incomum. Pesquisas conduzidas pelo sociólogo Mark Rank mostram que quase 60% dos adultos americanos viverão ao menos um ano abaixo da linha da pobreza, e 75% enfrentarão pobreza ou um quadro próximo a ela em algum momento da vida.

“Há três portas de entrada para a pobreza nos Estados Unidos: perda de emprego, emergência de saúde e ruptura familiar”, explica Rank, da Universidade Washington, em St. Louis. Para ele, a fragilidade da rede de proteção social e a geração de empregos de baixa remuneração tornam o país uma das nações industrializadas com maior desigualdade.

Dados do Pew Research Center indicam que, no último ano, 27% dos americanos tiveram dificuldade para pagar assistência médica, e 20% recorreram a bancos de alimentos. Entre minorias, a vulnerabilidade é maior: 68% dos adultos negros e 67% dos hispânicos não têm reserva financeira para emergências, ante 44% entre brancos.

Um estudo do National Council on Aging aponta que idosos com menos recursos morrem, em média, nove anos antes dos mais ricos — um retrato da desigualdade acentuada no envelhecimento.

Além da dificuldade econômica, o estigma pesa: “Nos EUA, a pobreza costuma ser vista como falha individual. Pergunta-se: o que essa pessoa fez de errado?”, afirma Rank.

Explosão na procura por ajuda

O Feeding South Florida, presidido por Paco Vélez, atende cerca de 967 mil pessoas nos condados do sul da Flórida. Ele relata que a suspensão do SNAP dobrou a busca por alimentos.

“No início do ano, recebíamos 40 famílias por dia. Com o fechamento do governo, chegamos a 120”, afirma a chefe de pessoal, Jessica Benites.

Doações de agricultores, supermercados e empresas — de US$ 3 mil a US$ 380 mil — mantêm o estoque da organização, que opera com voluntários revisando e separando os produtos.

*Com informações da BBC Brasil.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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1 Comentário
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  1. Rui Ribeiro

    1 de dezembro de 2025 9:37 am

    Porventura, o Trump não está tornando a America great again?

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