Europa deve barrar avanço da extrema-direita, diz jornalista

Tatiane Correia
Repórter do GGN desde 2019. Graduada em Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo.
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Após vitória do populismo no Parlamento Europeu, resta aos partidos tradicionais cruzarem os braços ou enfrentar problema de frente

Parlamento Europeu. Foto via fotospublicas.com

O desempenho da extrema-direita nas eleições ao Parlamento Europeu causou alguma surpresa, principalmente pela vitória em países como França e Itália, além da conquista de quase um quarto dos assentos no Parlamento Europeu, logo atrás da centro-direita.

“Com a Europa a se recuperar da guerra na Ucrânia, da ameaça de uma segunda presidência de Donald Trump nos EUA, dos padrões de vida estagnados, das tensões em torno de sistemas de segurança social e dos fenômenos climáticos extremas, os nacionalistas representam uma grave ameaça”, diz o jornalista e escritor Philippe Legrain em artigo publicado no site Project Syndicate.

Além da hostilidade às políticas verdes, aos migrantes e às instituições, Legrain destaca que os nacionalistas “são muitas vezes simpáticos ao presidente russo Vladimir Putin”.

Legrain destaca que, embora os partidos pró-UE sigam como maioria – em especial o Partido Popular Europeu, liderado pela atual presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que ganhou assentos na última votação –, “o centro só se manteve por sua definição cada vez ampla”.

“Além disso, os partidos de extrema direita estão profundamente divididos. Estão divididos entre dois grupos parlamentares rivais e alguns são independentes: discordam sobre a guerra na Ucrânia, a política econômica, os direitos LGBT+ e, o que é crucial, sobre se devem trabalhar dentro do sistema da UE ou contra ele. Inevitavelmente, tais divergências diluem a sua influência. Mas a complacência é perigosa”, ressalta o articulista.

Além do avanço dentro do Parlamento, os partidos extremistas venceram a centro-direita em países como França e Alemanha, enfraquecendo os líderes mais poderosos da Europa – o presidente francês Emmanuel Macron, que inclusive convocou eleições antecipadas, e o chanceler alemão Olaf Scholz.

Para o articulista, as eleições deixaram Macron e Scholz “gravemente enfraquecidos, deixando o bloco potencialmente sem rumo face aos imensos desafios econômicos, de segurança e climáticos”.

Acomodar? Não, combater

Uma segunda opção listada por Legrain seria acomodar a extrema-direita na estrutura de poder, uma vez que muitos partidos de centro-direita adotam linguagem e políticas extremistas, principalmente em matéria de migração.

“Ao nível da UE, os pragmáticos argumentam que alguns partidos de extrema-direita podem ser integrados na corrente conservadora (…) O risco é que a extrema direita coopte o centro-direita, e não o contrário”, lembra o articulista, que destaca o risco da normalidade das opiniões defendidas pela extrema-direita e a possibilidade de o tiro sair pela culatra.

Diante disso, a terceira alternativa a ser considerada é o combate à extrema-direita, como fez Macron ao convocar eleições legislativas antecipadas na França, uma aposta de alto risco por conta de sua impopularidade junto aos franceses, mas que cria alternativas possíveis para vencer a extrema-direita.

“Por um lado, a campanha poderá concentrar a atenção dos eleitores na ameaça da extrema-direita, o que poderá ajudar Macron a reunir uma maioria parlamentar composta por partidos de esquerda e de direita unidos no seu desejo de manter a Reunião Nacional sob controle. Dada a impopularidade de Macron, isto parece algo improvável – mas, plausivelmente, Macron poderia levar a extrema-direita ao fracasso”.

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