10 de junho de 2026

Fome atinge mais de 1 milhão de crianças na Argentina, diz Unicef

Situação social e econômica é considerada tão grave que 1,5 milhão de crianças pulam refeições por falta de condições financeiras dos pais
Foto de Sasha • Stories na Unsplash

A situação financeira e social na Argentina é considerada tão grave que 1 milhão de crianças do país vão dormir sem jantar, enquanto 1,5 milhão de crianças pulam refeições pois os pais não têm dinheiro para comprar alimentos, segundo estudo divulgado pela Unicef.

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Apenas em 2024, pelo menos 70% das crianças argentinas vivem na pobreza e 30% em um quadro de pobreza extrema – um quadro social considerado ainda mais grave do que o visto no último estudo do Observatório da Dívida Social Argentina, da Universidade Católica (UCA), que dizia que 54,9% da população é pobre e 20,3% é indigente.

Como resultado dessa crise, o número de adultos que saltam refeições para que os filhos possam comer chega a 4,5 milhões, acrescenta o relatório. A piora da qualidade de vida também se reflete em outros números: uma em cada quatro famílias deixou de comprar medicamentos para seus filhos e filhas e reduziu os exames médicos e odontológicos.

De acordo com a Unicef, o fato de 1 milhão de crianças irem dormir sem comer reflete “um dos problemas mais sensíveis da atualidade: a insegurança alimentar”, ou seja, a incapacidade de uma família garantir sua alimentação diária.

Segundo reportagem do jornal Pagina12, “por trás de cada menino ou menina cujas necessidades básicas são adiadas, há um pai ou uma mãe que é vítima de políticas de ajustamento, de falta de trabalho, de baixos salários, de taxas crescentes, de aumentos crescentes devido à inflação e à desvalorização da moeda nacional”.

De acordo com a Unicef, 15% (alguns chefes de família) das famílias argentinas perderam os empregos, e 65% dessas pessoas estão nas camadas mais vulneráveis da sociedade. O problema também existe entre aqueles que seguem empregados: 14% das famílias autônomas perderam clientes.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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