
As lentes da mídia global se voltam para a libertação dos vinte reféns israelenses mantidos com vida pelo grupo palestino Hamas, enquanto o governo de Benjamin Netanyahu desobedeceu ao direito internacional e realizou o exílio forçado de centenas de palestinos.
A liberação de quase 2 mil prisioneiros e detidos palestinos foi um gesto visto como fundamental para a paz. Porém, para 154 deles, a liberdade veio com uma condição chocante: o exílio forçado para o Egito ou outros países, sem a possibilidade de retornar aos territórios palestinos.
Para as famílias que aguardavam ansiosamente, a revelação subverteu a expectativa de alívio, transformando-a em choque e desespero. O caso de Muhammad Imran é emblemático: sua família, que já havia sido informada por um oficial israelense de que ele voltaria para casa, descobriu no dia da libertação que ele seria deportado.
Especialistas em direito internacional são categóricos: a prática é ilegal. A deportação forçada de pessoas de um território ocupado é uma violação direta do Artigo 49 da Quarta Convenção de Genebra. Como resumiu Tamer Qarmout, professor de políticas públicas no Instituto Doha de Pós-Graduação: “É desumano.”
A Celebração em Israel e a Dor na Cisjordânia
As reações ao acordo não poderiam ser mais distintas. Em Tel Aviv, as cenas foram “jubilosas”. Na “praça dos reféns”, milhares celebraram o retorno dos cativos. Helicópteros militares circularam sobre a multidão em um gesto de saudação, e um dos reféns libertados foi visto fazendo um coração com as mãos para a multidão abaixo.
Enquanto isso, em Ramallah, na Cisjordânia, a recepção aos prisioneiros libertados foi um retrato de dor e resistência. Os homens que desciam dos ônibus estavam “magros”, com “feridas recém-cicatrizadas”. Um deles, ao reencontrar sua mãe, beijou seus pés.
Antes da libertação, um prisioneiro advertiu um parente que “ele poderia não o reconhecer devido à quantidade de peso que havia perdido na prisão”. A resposta do familiar foi arrepiante: “Ele parece um cadáver. Mas nós o traremos de volta à vida.”
A alegria dos reencontros foi reprimida pelas autoridades israelenses, que distribuíram panfletos com a advertência “estamos vigiando vocês por toda parte” e usaram gás lacrimogêneo contra familiares e jornalistas que esperavam perto da prisão de Ofer.
Para algumas famílias, a agonia foi ainda maior: após serem informadas que seus entes queridos voltariam para casa, descobriram no último minuto que eles estavam na lista de deportação. “Teria sido mais fácil se eles tivessem nos contado desde o início. […] Estamos devastados“, desabafou um parente.
Para entender a profundidade deste momento, os números são essenciais. Eles revelam a escala humana de um conflito que durou mais de dois anos.
• Pelo menos 67.869 palestinos foram mortos em ataques israelenses em Gaza desde 7 de outubro de 2023, segundo o ministério da saúde de Gaza.
• Dos quase 2.000 prisioneiros e detidos palestinos libertados, a grande maioria — cerca de 1.700 — foi capturada em Gaza durante a guerra e mantida sem acusação formal, expondo a escala da detenção administrativa no conflito.
Nota da redação: Este texto, especificamente, foi desenvolvido parcialmente com auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial na transcrição e resumo das entrevistas. A equipe de jornalistas do Jornal GGN segue responsável pelas pautas, produção, apuração, entrevistas e revisão de conteúdo publicado, para garantir a curadoria, lisura e veracidade das informações.
Carlos
13 de outubro de 2025 6:24 pmHá pouco vi uma chamada do lixo Globo sobre o antes e depois dos liberados pelo hamas.
Será que depois o Globo irá mostrar o antes e depois dos milhares de inocentes assassinados por israel?