O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ordenou ao gabinete a abertura de negociações diretas com o Líbano, com o objetivo de desarmar o grupo Hezbollah e estabelecer relações de paz entre os dois países.
Segundo comunicado oficial, a decisão foi tomada “em resposta a pedidos recorrentes do Líbano” para iniciar o diálogo. As negociações devem começar nos próximos dias e podem ocorrer em Washington, com mediação dos Estados Unidos.
O anúncio ocorre em meio à intensificação dos ataques israelenses contra áreas do sul de Beirute, reduto histórico do Hezbollah. No mesmo dia, as Forças de Defesa de Israel emitiram um alerta para evacuação imediata de moradores, citando bombardeios iminentes contra alvos do grupo.
A ofensiva militar foi ampliada após o início da guerra contra o Hezbollah em março. Apenas na quarta-feira (8), ataques israelenses deixaram mais de 200 mortos, segundo autoridades libanesas.
Apesar da abertura para negociações, autoridades israelenses indicaram que não haverá cessar-fogo no Líbano neste momento. A decisão evidencia uma estratégia dupla: manter a pressão militar enquanto testa uma saída diplomática.
Pressão dos EUA e impasse regional
A mudança de postura de Netanyahu ocorre após pressão direta do governo dos Estados Unidos. O presidente Donald Trump e o enviado especial Steve Witkoff teriam pedido a Israel que reduzisse os ataques e avançasse em negociações.
O movimento também está ligado ao frágil cessar-fogo entre EUA e Irã, que entrou em vigor nesta semana. Há divergências sobre se o acordo inclui o Líbano: enquanto Washington e Tel Aviv negam, Teerã afirma que sim.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou que os bombardeios israelenses tornam “sem sentido” novas rodadas de negociação com os EUA. Já o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o Líbano é “parte inseparável” do acordo.
Líderes europeus também pedem contenção. O chanceler alemão Friedrich Merz alertou que a intensidade da ofensiva israelense pode comprometer todo o processo de paz na região. França e Reino Unido fizeram declarações semelhantes.
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