3 de junho de 2026

Merkel tenta evitar saída da Grécia da União Europeia

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Enviado por Paulo F.

Significa muito mais do que tornar a Grécia um pais pária.

Caso o default grego se confirme as portas do inferno estarão abertas, e o cheiro de enxofre vai sufocar mais que os bancos alemães.

Como dar garantias aos remanecentes que não serão os próximos gregos?

E vai explicar o que quando perguntarem para onde forram os empréstimos anteriores (boa parte dos feitos em caráter emergencial pararam nas burras dos….bancos alemães). E pior, a situação muda de fase, pois perguntar-se-á por qual razão inconfessável não foram feitos ajustes e não se deu um desconto maior ao montante devedor grego. E quando se escutar a palavra ganância, não só os banqueiros e os gregos serão chamados a  dividir a fatura, mas os políticos conservadores (como Frau Merkel) vão ter muito a explicar sobre a causa oculta de tanta falta de competência em chegar ao que meu amigo Edney chamva de bom negócio: aquele que é bom (mas não ótimo) para ambas as partes.

Pode-se pensar que a Grécia ficara reduzida à condição dos nossos vizinhos (e sócios de Mercosul) portenhos.

Ledo engano: é pior! Vão deportar milhares de gregos que tem condição de “europeus de carteira”? Vai-se deixar de veranear em Corfu os igualmente insatisfeitos britânicos? E os BMW e Mercedes Benz deixarm de ser usados como taxi em Atenas?

Quando a palavra ganância for ouvida pelos “europeus de carterinha” ,  já será tarde, a discoódia já será companheira, nesta UE que não é a dos sonhos do finado Leo Tindemans, pois sua Belgica vive à turras com semelhantes problemas, tentando agradar valões e flamengos, e ele sabia  que só o reforço das instituições europeias, sobretudo a Comissão e do Parlamento, e que  implementação da união económica e monetária não era por sí só a resposta mágica para apaziguar as assimetrias, isso em 1975!

O mais sinistro vai ser quando o combalido projeto de “um sistema europeu de defesa mútua”  for posto em cheque devido à uma dívida que salvo engano representa somente algo em torno de 2 a 3 % do montante geral europeu.

Os “europeus de carterinha”  tem muito mais a perder que as belezas de Corfu!

Da Deutsche Welle

A guerra de nervos entre Berlim e Atenas

Muitos alemães estão perdendo a paciência com a Grécia. Merkel, entretanto, se dispõe a pagar caro para manter o país na zona do euro: uma ruptura definitiva poderia respingar em sua reputação.

 

A palavra “grexit”, cunhada para denominar a saída da Grécia da zona do euro, tem sido cada vez mais usada em Berlim. Políticos da coalizão que sustenta o governo alemão consideram o fracasso das negociações entre Atenas e seus credores não só possível – alguns veem a possibilidade como algo até mesmo desejável.

A paciência da população do país quanto ao tema também vai se esgotando. Apenas 41% dos alemães são a favor da manutenção dos gregos na zona do euro, segundo recente pesquisa de opinião encomendada pela emissora pública de televisão ZDF. Um tópico bastante explorado atualmente pelos programas de debate da TV alemã são as aposentadorias gregas, que Atenas se recusa terminantemente a cortar novamente. O sistema previdenciário grego é um dos mais caros na UE, a idade média de aposentadoria é menor do que na Alemanha.

Além disso, cresce a suspeita de que os bilhões emprestados pela Alemanha no decorrer da crise grega não voltarão mais, independentemente da saída de Atenas do euro. Cada vez mais alemães acreditam ser melhor que esse sofrimento acabe logo, seja de que maneira for.

E se a Grécia sair da zona do euro?

No meio político berlinense, o tom em relação ao governo Alexis Tsipras é cada vez mais áspero. O vice-chanceler e líder social-democrata, Sigmar Gabriel, chegou acusar Atenas de fazer chantagem, em um comentário escrito para o tabloide Bild. Ele alertou que as promessas de campanha “exageradas” de “um governo parcialmente comunista” da Grécia não devem “ser pagas pelos trabalhadores alemães e suas famílias”.

O partido de oposição A Esquerda, o único em Berlim que defende o governo Tsipras com unhas e dentes, acusa Gabriel de estar querendo fazer alarde. Analistas suspeitam que o social-democrata quer, com seu ataque contra Atenas, fazer, mais uma vez, uma demonstração de personalidade em relação à chanceler alemã. Mas mesmo os oposicionistas do Partido Verde acreditam que a posição dura de Tsipras é algo difícil de compreender.

Quem fala sobre a Grécia nesses dias com a chanceler Angela Merkel ou com seu porta-voz, Steffen Seibert, recebe apenas uma informação: “Faremos tudo para manter a Grécia no euro.” Além disso, ressaltam que o lugar onde as negociações estão ocorrendo é Bruxelas e que as decisões estão nas mãos do Eurogrupo. Berlim quer evitar acabar como vilão, caso as negociações falhem.

Plano B

Toda pergunta ao governo alemão sobre se há um “plano B” permanece sem resposta. Há dias que o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, não comenta publicamente sobre a Grécia. Rumores de que há divergências entre ele e Merkel são negadas oficialmente. Mas fato é que a questão virou uma prioridade governamental.

Segundo a revista Der Spiegel, Merkel está disposta a pagar um preço elevado para a permanência da Grécia no euro, coisa que Schäuble não está disposto. Alguns parlamentares do partido de Merkel também não estão. E o Parlamento alemão também tem que dar seu aval, caso seja acertada nos próximos dias uma mudança no atual programa de resgate durante as negociações entre Atenas e seus credores. Então, ele teria que se reunir rapidamente. Neste caso, os correligionários do governo Merkel dificilmente se recusarão a apoiar, mesmo havendo outras concessões à Grécia.

E, ironicamente, o governo grego deposita todas as esperanças na chanceler alemã, que já foi ofendida por manifestantes em Atenas com cartazes com caricaturas nazistas. O ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, pede até mesmo que ela faça um speech of hope a seu povo, como fez o então secretário de Estado dos EUA, James F. Byrnes, à Alemanha, após a Segunda Guerra Mundial.

Byrnes prometeu na época apoio econômico aos alemães. Varoufakis acredita que, depois de um discurso semelhante de Merkel, o povo grego “daria vivas” à chanceler, que poderia, então, “assumir a liderança – não só em relação à Grécia, a toda a Europa”.

Merkel e Tsipras: guerra de nervos à moda europeia

Início do fim

“Se o euro fracassar, a Europa toda fracassa”, afirmou Merkel há cinco anos no Bundestag. Seu porta-voz enfatizou que isso ainda continua valendo. A saída da Grécia pode ser o início do fim da zona euro. Isso seria também o fim da liderança europeia de Merkel e um fiasco pelo qual ela seria vista como a principal culpada.

Economistas como o Prêmio Nobel Joseph Stiglitz avisam que a saída da Grécia pode custar tão caro como o colapso do Lehman Brothers, que deu desencadeou a crise financeira global em 2008. Outros veem a coisa de forma menos dramática, mas ninguém sabe ao certo como seria. O governo grego parece estar apostando em um acordo de último minuto na cúpula da UE na quinta e sexta-feiras da próxima semana, poucos dias antes de o atual programa de resgate expirar.

Na mais recente reunião do diretório de seu partido, a CDU, em Berlim, Merkel teria dito que acredita que o governo de Tsipras quer ver quem tem os nervos mais fortes. “Bem, então, veremos”, concluiu.

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Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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12 Comentários
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  1. paulmoura

    19 de junho de 2015 11:18 am

    Ora…ora.

    Qual país for mais beneficiado com a UE?

    Ora dona Merkel a UE existe essencialmente para o bem da Alemanha e França.

    Bom rever seus conceitos pois a Alemanha pode voltar a ser uma mera coadjuvante no cenário mundial.

    Os Russos vão adorar se a Grécia quebrar ou sair do Euro e a Ucrânia voltará a barra de sua saia feito um cachorrinho mimado.

  2. Otaviani

    19 de junho de 2015 11:49 am

    Vira Latas
    Como aqui,bastou sair os vira lata do poder para a conversa mudar de tom.Este no governo Grego não aceita que seu pais fique de joelhos.Alem de todas as consequencias de uma saida da Grecia,agora “futua perto dos gregos o bote ” dos BRICs.

  3. Nicolas Crabbé

    19 de junho de 2015 12:22 pm

    Sinuca

    A manutenção de uma moeda comum em economias com bases totalmente diferentes é inviável. Historicamente a Grécia (não só ela, mas a Itália também, entre outros países) sempre usou o câmbio para manter a competitvidade com relação à Alemanha e outras economias com produtividade maior.

    Com a implantação do Euro em 2001, essa arma deixou de existir. No primeiro momento criou-se uma bonança enorme, favorecendo o consumo interno, porém o preço era a destruição da pequena indústria nacional, levando a enormes desequilíbrios na economia e um nível de endividamento gigantesco.

    As medidas impostas pela UE e o FMI a partir da crise de 2008-2009 só pioraram a situação, a economia grega está em depressão, com 25% de queda do PIB desde 2008 e mesmo com todos os cortes de despesas a dívida não parou de aumentar. Já houve perdão de parte dessa dívida alguns anos atrás, porém não foi suficiente e o problema voltou a piorar, com a dívida novamente em patamares impagáveis. Muitos analistas já alertavam na época que o perdão era insuficiente e que a bomba estouraria mais para frente, como se vê agora.

    Estruturalmente não é possível duas economias tão diferentes como a grega e a alemã conviverem com uma mesma moeda, a menos que haja subsídio da parte mais rica (Alemanha) para a parte mais pobre (Grécia), e isso não é aceito pela população alemã. Não se trata de achar que um ou outro é culpado pela situação; é uma simples constatação.

    Qualquer desfecho que não seja a volta às moedas nacionais, mantendo-se o resto da estrutura da UE, significa empurrar com a barriga um problema que ressurgirá mais adiante.

    1. Lionel Rupaud

      19 de junho de 2015 1:34 pm

      Perfeito seu resumo, e precisa lembrar que

      todos sabiam disto quando:

      1 – convidaram a Grécia para participar do euro, sabendo de todas as limitações do pais (seu sistema de aposentadoria já era o que é hoje): responsabilidade da Alemanha e demais sócios,

      2 – a Grécia aceitou soberanamente, o povo tendo eleito o executivo que assinou o tratado e o legislativo que o endossou,

      3 – a academia econômica da Alemanha era contra a criação do euro, foi calada pela força dos bancos e do patronato local,

      4 – quem mais ganhou com o euro foram os bancos e exportadores alemães,

      Portanto nenhuma parte tem qualquer superioridade moral ou desconhecimento dos riscos que foram tomados.

      Se o povo alemão eleitor não quer subsidiar os gregos, a Troika eliminar divida que é impagável, e os gregos não querem abandonar suas vantagens, a realidade dos fatos leva inexoravelmente para o “default” e a saída do euro, e talvez expulsão da UE.

      Este evento terá consequências geopolíticas, acho que favoráveis á Rússia…

      1. Nicolas Crabbé

        19 de junho de 2015 1:59 pm

        Correto

        Em tempo, soube-se depois que o Goldman Sachs havia emprestado dinheiro para o governo grego como antecipação de receitas futuras, para que este atingisse os critérios de déficit público exigidos pela UE para a adesão ao Euro.

        Ou seja, houve fraude sim do governo grego da época (não lembro se era o PASOK ou os conservadores), financiada pelo capital financeiro internacional. Nesse único ponto não houve responsabilidade da Alemanha; para todos os outros que você mencionou, os alemães não podem alegar desconhecimento.

        1. Lionel Rupaud

          19 de junho de 2015 2:35 pm

          Sem dúvida houve fraude com a “ajuda” bem remunerada

          do Goldman Sachs, de memória acho que o governo era conservador, mas não importa já que ele foi eleito pelo povo soberano, porém esta fraude foi descoberta, e nada, absolutamente nada foi cobrado dos responsáveis, nem pela Grécia, nem pela U.E.

          Alias se sabia há anos na Eurostat que os números da Grécia eram fajutos. E mais uma vez nada foi feito pois bancos, alemães incluídos, ganhavam com tudo isto.

    2. Paulo F.

      19 de junho de 2015 2:21 pm

      A questão é mais ampla do que o Euro

      Todos olham o lado da economia.

      Porém a proposta da UE é muito mais ampla que isso.

      Defesa comum, manutenção de valores culturais e inserção da Europa em condições mais competitivas não só no cenário economico mas no geopolítico também.

      Capacidade de intervenção economica e militar conjuntas em áreas de influência sabidamente européias como as ex-colonias africanas e asiáticas, projeção de poder economico, e propagação de valores socio-culturais ditos europeus no Globo.

      Churchil chamava a Italia de “ventre mole da Europa”, é possível o projeto descrito acima sem ela?

      Portugal é a ponta de lança da UE ao Atlântico.

      Desde o inicio a UE foi e sera uma concertação geopolítica entremeada pelo cimento economico. Começou como Comunidade Européia para o Carvão e o Aço, seus  inspiradores foram Robert Schuman, ministro francês dos Negócios Estrangeiros, e Jean Monnet, seu primeiro presidente e a noção adjacente à  concertação ecônomica era também geopolítica-militar. Aço,matéria prima dos canhões e dos tanques vale relembrar; composta por devastados vencedores e vencidos na Segunda Guerra Mundial, de forma que um conflito intestino entre as potencias militares européias fosse impensável e não se repetiria conflitos que datavam desde os mil e oitocentos e se espraiavam até os anos 50 do Século Vinte, em um futuro sabidamente incerto e fazendo frente à uma presença inquietante à Leste, a URSS.

      Desta forma cabe ao contribuinte alemão (ao frances e aos outros também)  pensar duas vezes. Ele não está só financiando um bando de gregos indolentes. eles estão garantindo um mercado consumidor próximo (para as BMW e Mercedes Benz como taxi em Atenas, rs; sabemos que é bem maior que isso), mas uma ponte para projeção de poder geopolítico para o Oriente Próximo e para o Mediterrâneo e além, para a o topo da África, entre outras benesses possíveis.

      PS: o teclado esta um lixo, desta forma peço desculpas não só pelos erros no texto principal, como os que podem ter ocorrido neste também.

       

  4. Mario Alexandre T.

    19 de junho de 2015 1:27 pm

    Postem isso tb…

    Postem a visão grega tb.

    É o que um blog progressista deveria fazer. 

    Colocar a visãod e ambos os lados. A da Merkel a ggrande mídia sempre publica.

    A visão do governo eles censuram ou manipulam.

     

    O infoGrécia divulga o resumo dos nove capítulos do relatório preliminar da Comissão de Auditoria e Verdade sobre a Dívida Grega. O documento completo será publicado amanhã, à hora em que o Eurogrupo estará reunido no Luxemburgo.

    Capítulo 1 – A dívida antes da troika

    Este capítulo analisa o crescimento da dívida pública grega desde os anos 1980. Conclui que o aumento da dívida não se ficou a dever a despesa pública excessiva, que na verdade permaneceu mais baixa que a dos outros países da zona euro, mas ao pagamento de taxas de juro extremamente altas aos credores, gastos militares injustificados e excessivos, perda de receita fiscal devido à fuga de capitais, a recapitalização dos bancos privados e os desequilíbrios internacionais criados pelas falhas de conceção da própria União Económica e Monetária.

    A entrada no euro levou a um aumento drástico da dívida privada na Grécia à qual ficaram expostos os maiores bancos privados europeus, bem como os bancos gregos. Uma crise bancária crescente contrinuiu para a crise da dívida soberana. O governo de George Papandreou ajudou a apresentar as características da crise bancária enquanto crise da dívida soberana em 2009, ao pôr a tónica e aumentar a dívida e o défice público.

    Capítulo 2 – A evolução da dívida pública entre 2010 e 2015

    Este capírulo conclui que o primeiro acordo de empréstimo em 2010 teve como principal objetivo salvar os nacos privados gregos e europeus e permitir a esses bancos reduzir a sua exposição às obrigações emitidas pelo governo grego.

    Capítulo 3 – Dívida pública por credor em 2015

    Este capítulo apresenta a natureza controversa da atual dívida grega, elencando as principais características dos empréstimos, que são analisados com maior detalhe no capítulo 8.

    Capítulo 4 – Mecanismo do Sistema de Dívida na Grécia

    Este capítulo revela os mecanismos  postos em prática pelos acordos implementados desde maio de 2010. Eles criaram uma quantia substancial de nova dívida aos credores bilaterais e o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), ao mesmo tempo que gerou custos abusivos que agravaram ainda mais a crise. Os mecanismos revelam como a maioria dos fundos emprestados foram diretamente transferidos para as instituições financeiras. Em vez de beneficiarem a Grécia, eles aceleraram o processo de privatizações, através do uso de instrumentos financeiros.

    Capítulo 5 – Condicionalidades contra a sustentabilidade

    Este capítulo apresenta a forma como os credores impuseram condições intrusivas nos acordos de empréstimo, que conduziram diretamente à inviabilidade económica e à insustentabilidade da dívida. Essas condicionalidades, nas quais os credores ainda insistem, não só contribuíram para uma baixa do PIB como para o aumento dos empréstimos ao setor público, logo, ao aumento do rácio dívida pública/PIB, tornando a dívida da Grécia mais insustentável, mas também criando mudanças dramátiicas na sociedade que causaram uma crise humanitária. A dívida pública grega pode ser considerada como totalmente insustentável no momento presente.

    Capítulo 6 – Impacto dos “programas de resgate” nos direitos humanos

    Este capítulo conclui que as medidas implementadas ao abrigo dos “programas de resgate” afetaram diretamente as condições de vida da população e violaram direitos humanos, que tanto a Grécia como os seus parceiros estão obrigados a respeitar, proteger e promover, de acordo com as leis nacionais, regionais e internacionais. Os ajustamentos dráticos impostos à economia grega e à sociedade no seu todo acarretaram uma rápida deterioração das condições de vida, e permanecem incompatíveis com a justiça social, coesão social, democracia e direitos humanos.

    Capítulo 7 – Questões jurídicas acerca dos memorandos e acordos de empréstimo

    Este capítulo defende que houve uma violação das obrigações de direitos humanos por parte da própria Grécia e dos seus credores, os Estados membros da zona euro, a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional, que impuseram estas medidas à Grécia. Todos estes intervenientes falharam na avaliação das violações dos direitos humanos como consequência das políticas que obrigaram a Grécia a implementar, e violaram diretamente a Constituição grega ao retirar ao país a maioria dos seus direitos de soberania. Os acordos contêm cláusulas abusivas, coagindo efetivamente a Grécia a entregar aspetos importantes da sua soberania. Isso está bem patente na escolha da lei inglesa para reger esses acordos, o que facilitou o contornar da Constituição grega e das obrigações internacionais de direitos humanos. Os conflitos com os direitos humanos e as habituais obrigações e os diversos indícios de má fé na ação das partes contratantes, juntamente com o seu caráter inconcebível, tornam estes acordos inválidos.

    Capítulo 8 – Avaliação das dívidas no que respeita à sua ilegitimidade, odiosidade, ilegalidade e insustentabilidade

    Este capítulo avalia a dívida pública grega a partir das definições adotadas pela Comissão no que respeita à dívida ilegítima, odiosa, ilegal e insustentável.
    O caítulo 8 conclui que a dívida pública graga em junho de 2015 é insustentável, uma vez que atualmente a Grécia não é capaz de servir a sua dívida sem prejudicar seriamente a sua capacidade de cumprir obrigações básicas de direitos humanos. Para além disso, o relatório aponta provas por cada credor dos casos de dívidas ilegais, ilegítimas e odiosas.

    A dívida ao FMI deve ser considerada ilegal, dado que viola os próprios estatutos do FMI, e que as suas condições violaram a Constituição grega, a lei internacional e os tratados de que a Grécia é signatária. Também é ilegítima, dado que as condições incluíram receitas políticas que infringiram as obrigações de direitos humanos. Por último, é odiosa porque o FMI sabia que as medidas impostas eram antidemocráticas, ineficazes e levariam a violações sérias dos direitos socio-económicos.

    As dívidas ao BCE devem ser consideradas ilegais, uma vez que o BCE excedeu o seu mandato ao impor a aplicação de programas de ajustamento macroeconómico (por exemplo, a desregulação do mercado de trabalho) através da sua participação na troika. As dívidas ao BCE são também ilegítimas e odiosas, já que a principal razão de existência do Programa de Mercado dos Títulos de Dívida foi o de servir os interesses das instituições financeiras, permitindo aos maiores bancos privados gregos e europeus livrarem-se dos seus títulos de dívida grega.

    O FEEF promoveu empréstimos escriturais que devem ser considerados ilegais, porque o Artigo 122(2) do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia foi violado, e para além disso violaram vários direitos socio-económicos e liberdades civis. Ainda por cima, o Acordo de 2010 do FEEF e o Acordo de Assistência Financeira de 2012 contêm várias cláusulas abusivas, revelando claras práticas irregulares por parte do credor. O FEEF também age contra os princípios democráticos, tornando estas dívidas ilegítimas e odiosas.

    Os empréstimos bilaterais devem ser considerados ilegais porque violam os procedimentos inscritos na Constituição grega. Os empréstimos contêm práticas irregulares por parte dos credores e condições que vão contra a lei e as políticas públicas. Tanto a lei da UE como a lei internacional foram violadas de forma a afastar os direitos humanos da conceção dos programas macroeconómicos. Os empréstimos bilaterais são também ilegítimos por não terem sido usados para o benefício da população, mas para permitir aos credores privados da Grécia o seu resgate. Finalmente, os empréstimos bilaterais são odiosos porque os Estados credores e a Comissão Europeia conheciam as potenciais violações, mas em 2010 e 2012 recusaram-se a avaliar o impacto nos direitos humanos do ajustamento macroeconómico e a consolidação orçamental que eram as condições para os empréstimos.

    A dívida aos credores privados deve ser considerada ilegal porque os bancos privados atuaram de forma irresponsável antes da criação da troika, falhando o respeito pela devida diligência (due dilligence), enquanto alguns credores privados como os hedge funds atuaram também de má fé. Pares das dívidas aos bancos privados e hedge fundssão ilegítimas pelas mesmas razões pelas quais são ilegais; por outro lado, os bancos gregos foram recapitalizados pelos contribuintes de forma ilegítima. As dívidas aos bancos privados e aos hedge funds são odiosas, já que os maiores credores privados tinham consciência de que estas dívidas não foram contraídas em nome do interesse da população, mas para seu benefício próprio.

    Capítulo 9 – Fundamentos legais para o repúdio e suspensão da dívida soberana grega

    Este capítulo apresenta as opções no que respeita ao cancelamento da dívida, e em particular as condições em que um Estado soberano pode exercer o direito de repúdio unilateral ou suspensão do pagamento da dívida de acordo com a lei internacional.

    Há muitas razões jurídicas que permitem a um Estado repudiar unilateralmente a sua dívida ilegal, odiosa e ilegítima. No caso grego, tal ação unilateral pode basear-se nos seguintes argumentos: a má fé dos credores que empurraram a Grécia para a violação da lei nacional e das obrigações internacionais relativas aos direitos humanos; a preeminência dos direitos humanos face a acordos como os que os anteriores governos gregos assinaram com a troika; coerção; tratamento injusto que viola flagrantemente a soberania grega e a sua Constituição; e, por último, o direito reconhecido pela lei internacional a um Estado para tomar medidas de resposta contra ações ilegais por parte dos seus credores, que prejudicam deliberadamente a soberania orçamental e o obrigam a assumir dívida odiosa, ilegal e ilegítima, a violar a autodeterminação económica e os direitos humanos fundamentais. No que toca à dívida insustentável, todos os Estados têm direito a invocar o estado de necessidade em situações excecionais de modo a salvaguardar os interesses fundamentais afetados por um perigo grave e iminente. Numa situação destas, o Estado pode ser dispensado do cumprimento dessas obrigações internacionais que aumentem o perigo, como é o caso dos contratos de empréstimo pendentes. Por fim, os Estados têm o direito de se declararem unilateralmente insolventes quando o serviço da sua dívida é insustentável, sem cometerem qualquer ato ilícito nem podendo assumir qualquer responsabilidade por isso.

    A dignidade do povo vale mais do que a dívida ilegal, ilegítima, odiosa e insustentável

    Tendo concluído a investigação preliminar, a Comissão considera que a Grécia tem sido e ainda é vítima de um ataque premeditado e organizado pelo Fundo Monetário Internacional, o Banco Central Europeu e a Comissão Europeia. Esta missão violenta, ilegal e imoral destina-se exclusivamente a transferir a dívida privada para o setor público.

    Ao disponibilizar este relatório preliminar às autoridades gregas e ao povo grego, a Comissão considera ter cumprido a primeira parte da sua missão, definida pela decisão da Presidente do Parlamento a 4 de abril de 2015. A Comissão espera que o relatório seja uma ferramenta útil para os que querem sair da lógica destrutiva da austeridade e erguer-se em nome do que hoje está sob ameaça: direitos humanos, democracia, dignidade do povo e o futuro das próximas gerações.

    Em resposta aos que impõem medidas injustas, o povo grego pode invocar o que disse Tucídides sobre a Constituição do povo de Atenas: “Quanto ao nome, chama-se democracia, porque a administração serve os interesses da maioria e não de uma minoria” (Oração fúnebre aos mortos do primeiro ano da Guerra, de Péricles).

    Fonte

     

     

    1. Paulo F.

      19 de junho de 2015 2:28 pm

      Varios olhares!

      Veja também :

      https://www.opendemocracy.net/can-europe-make-it/john-weeks/grexit-end-of-illusion

      a opinião de John Weeks (Professor Emeritus of the School of Oriental and African Studies na University of London)

  5. Severino Januário

    19 de junho de 2015 3:58 pm

    Toda a concepção da união

    Toda a concepção da união monetária européia foi uma armadilha neoliberal desde o início. Não havia a nobre intenção de desenvolver os países mais pobres, no sentido de eliminar as diferenças regionais. O que havia era a intenção de subjugar estes países a um domínio centralizado brutal, que lhes negaria antes de mais nada a própria soberania. E depois da escravidão, viria o sugamento implacável pelos mais ricos e seus grandes bancos, sem que os fregueses tivessem direito sequer ao apelo jurídico de tugir ou mugir. Escravidão pela dívida é uma das formas preferidas do imperialismo. Se a Grécia conseguir sair desta arapuca, que ainda tem o desplante de apresentar-se ao público como dadivosa e generosa, talvez isto possa ser o início da restauração da liberdade européia. Como se sabe, também os ricos europeus estão presos a uma ciranda de submissão, completamente dominados pelos potentados financeiros dos Estados Unidos e suas determinações políticas, que suspeitam-se tentam arrastar a Europa para uma guerra de destruição, o que abriria aos americanos um novo horizonte de prosperidade pela reconstrução deste tipo de capitalismo ocidental que ora agoniza. A insistência de Merkel em manter a Grécia na zona do euro tem muito a ver com geopolítica e mais nada a ver com economia. Os intteresses europeus, mesmo os dos ricos, ainda se apresentam aq reboque dos interesses americanos. É importante manter uma aparência de unidade européia nem que seja à força bruta, neste início sombrio de guerra mundial.

  6. André Oliveira

    19 de junho de 2015 6:02 pm

    A troika está se esforçando

    A troika está se esforçando para que os nazistas da aurora dourada cheguem ao poder na grécia. Estã apostando no inferno.

  7. davido

    9 de julho de 2015 1:58 pm

    um financiamento

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