Os quinze juízes da Suprema Corte de Israel revogaram item de reforma judicial aprovada pelo Parlamento do país, o que aumenta a pressão em torno do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
Os magistrados barraram por oito votos a sete o tópico que retirava o poder da Suprema Corte de revisar e anular decisões do governo com base em sua razoabilidade ou não.
Vale lembrar que essa reforma foi alvo de sucessivos protestos por parte da população israelense, que viam na proposta de Netanyahu um meio de minar a independência dos tribunais e a democracia do país.
Segundo o veredito, essa mudança significaria um “golpe severo e sem precedentes” às características do Estado de Israel como uma democracia – esta foi a primeira vez em que uma emenda a uma das leis básicas do país (tendo em vista que Israel não possui uma Constituição unificada) foi revogada pela Corte.
A medida representa um novo revés para Netanyahu e seu governo religioso de viés de extrema-direita – recentemente, os juízes concluíram que outra reforma, que dificultava a destituição de um chefe de governo, não pode entrar em vigor antes da próxima legislatura.
Segundo a agência Deutsche Welle, resta saber como Netanyahu irá lidar com a derrota da reforma do Judiciário: para os críticos, essa manobra foi feita para o premiê se proteger em um processo onde é acusado de fraude, suborno e desvio de recursos, enquanto o partido do premiê diz que a decisão é “contrária à vontade do povo”.
Além de lidar com baixa popularidade junto à opinião pública, Benjamin Netanyahu precisa enfrentar a raiva de muitos israelenses que o culpam pelo fracasso das autoridades de segurança, que não conseguiram impedir o ataque do Hamas em 07 de outubro – e que vitimou mais de 1,2 mil pessoas, enquanto a retaliação vitimou mais de 20 mil pessoas na região da Faixa de Gaza – e a possibilidade de novas eleições quando a guerra terminar.
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