Os Estados Unidos, sob o comando de Donald Trump, não apenas pretendem liderar uma força militar multinacional na região da Faixa de Gaza, como planejam estabelecer uma base permanente no território palestino.
O plano foi divulgado pelo jornal britânico The Guardian em meio a um cenário de grande fragilidade no território palestino após mais de dois anos de ataques israelenses contra o grupo palestino Hamas: enquanto a comunidade internacional debatia formas de cessar-fogo e reconstrução, Washington formaliza um projeto que atinge dimensões de controle territorial e militarização da região.
Os registros descrevem os planos para a construção de uma base que será o quartel-general operacional para uma futura Força Internacional de Estabilização (ISF), composta por tropas de países que se comprometeram a contribuir com soldados para o Conselho de Paz comandado por Trump.
A base ficaria localizada em uma área de planícies no sul de Gaza e será construída em fases, com perímetro cercado por 26 torres de vigilância blindadas montadas sobre reboques, um campo de tiro para armas leves, bunkers e depósitos para equipamento militar.
Para os defensores dessa estratégia nos EUA, a presença de tropas estrangeiras e a construção de uma grande base serviriam como respaldo à criação de uma nova ordem de segurança, treinando forças policiais e garantindo fronteiras.
Embora a participação de países como Indonésia, Albânia e Marrocos aponte para um esforço de multilateralismo concebido sob influência americana, existem muitas contradições:
- Grande parte dos aliados tradicionais no Ocidente se afastou do “Conselho da Paz”, incluindo países europeus e instituições globais.
- Israel condiciona a reconstrução de Gaza à desmilitarização total do Hamas, uma exigência difícil de ser cumprida num cenário já marcado pelo colapso institucional local.
- Líderes e ativistas palestinos e de direitos humanos denunciam essa estratégia como ocupação disfarçada, uma vez que não foi negociada com autoridade palestina legítima.
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