Neste último final de semana, as negociações para o encerramento da guerra no leste europeu avançaram mais um passo, desta vez com a intervenção direta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O republicano promoveu uma série de movimentos diplomáticos que recolocaram Washington no centro das tratativas entre Rússia e Ucrânia.
Trump conversou por telefone com o presidente russo, Vladimir Putin, e se reuniu pessoalmente com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, na Flórida. Embora os três líderes tenham sinalizado avanços no diálogo, pontos considerados cruciais ainda impedem a assinatura de um tratado de paz definitivo.
Durante a campanha eleitoral de 2024, Trump havia afirmado que resolveria o conflito em apenas 24 horas. Após os encontros, no entanto, o presidente norte-americano adotou um tom mais cauteloso. Segundo ele, não há um prazo definido para o fim das hostilidades, já que as negociações envolvem questões “complexas” e “espinhosas”. Ainda assim, Trump afirmou que as conversas estão evoluindo, apesar das dificuldades em torno de temas específicos.
Usina de Zaporizhzhia no centro das negociações
Um dos principais focos de divergência é o futuro da usina nuclear de Zaporizhzhia, a maior da Europa, atualmente sob ocupação russa. O governo ucraniano apresentou uma proposta para que a unidade seja administrada conjuntamente pelos Estados Unidos e pela Ucrânia. Pelo plano, metade da energia gerada atenderia ao consumo ucraniano, enquanto a outra metade ficaria sob gestão norte-americana.
Sobre esse ponto, Trump elogiou a postura de Vladimir Putin, afirmando que o líder russo estaria “trabalhando com a Ucrânia para abrir a usina”. O presidente dos EUA destacou como positiva a ausência de bombardeios russos às instalações nucleares neste momento, classificando a medida como um passo importante para a segurança regional.
Apesar dos avanços diplomáticos, a questão territorial permanece como o obstáculo mais sensível das negociações. A Rússia exige o reconhecimento das regiões de Donbas, Zaporizhzhia e Kherson como parte de seu território. Atualmente, as forças russas controlam cerca de 20% do território ucraniano, incluindo a Crimeia — anexada em 2014 — e grandes áreas das províncias reivindicadas.
O Kremlin mantém uma posição inflexível e afirma que a paz só será possível se Kiev retirar suas tropas da região de Donbas. Autoridades russas também alertam que a demora na aceitação de um acordo pode resultar na perda de ainda mais territórios ucranianos. Donald Trump ecoou essa avaliação ao sugerir que poderia ser preferível para a Ucrânia ceder determinadas áreas agora, em vez de correr o risco de novas ofensivas russas no futuro.
Exigências de Kiev e resistência a trégua
Volodymyr Zelensky demonstrou alguma abertura para discutir ajustes nas fronteiras, mas ressaltou que qualquer alteração territorial precisa ser aprovada por meio de um referendo popular, conforme estabelece a Constituição da Ucrânia. Para que essa consulta ocorra de forma segura e legítima, o presidente ucraniano exige um cessar-fogo de ao menos 60 dias.
No entanto, há um alinhamento entre Trump e Putin quanto à visão sobre uma trégua temporária. Segundo assessores do Kremlin, ambos avaliam que uma pausa nos combates poderia ser prejudicial, ao apenas prolongar o conflito. Para os líderes dos Estados Unidos e da Rússia, o objetivo central das negociações deve ser a construção de um acordo definitivo, capaz de encerrar a guerra de forma permanente.
*Com informações da CNN Internacional e da Reuters
João Ferreira Bastos
29 de dezembro de 2025 4:54 pmEsqueçam
Essa noite o comediante determinou o bombardeio da casa do Putin
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