O barulho em torno da vitória do republicano Donald Trump na eleição presidencial norte-americana esconde que seu governo, na verdade, pode passar por alguns testes ao longo de seu mandato, principalmente por conta das eleições de meio de mandato.
O professor de Yale Bruce Ackerman explica, em artigo do Project Syndicate, lembra que a vitória de Trump contra a democrata Kamala Harris foi por menos de dois pontos percentuais de vantagem, algo recorrente nas últimas três eleições.
Em 2008, Barack Obama venceu a disputa contra John McCain e obteve grandes maiorias na Câmara dos Representantes e no Senado – porém, essa maioria foi perdida em 2010, quando os democratas perderam 63 cadeiras na Câmara dos Representantes e seis cadeiras no Senado. Obama foi reeleito em 2012, mas os republicanos seguiram com a maioria na Câmara ao longo de seu segundo mandato.
“Em contraste com a vitória decisiva de Obama em 2008, Trump não pode contar com o apoio de 59 senadores ou 255 representantes quando retornar à Casa Branca. Em vez disso, os republicanos terão maiorias muito estreitas na Câmara e no Senado”, lembra o articulista.
Embora se espere uma exaltação a Trump em seu discurso em janeiro, os republicanos que venceram em distritos indecisos podem relutar em apoiar os esforços realizados em torno da promulgação da plataforma “Make America Great Again”.
“Se eles votarem para revogar o Affordable Care Act (ACA, conhecido como “Obamacare”) ou aumentar tarifas, por exemplo, seus eleitores enfrentarão maiores despesas médicas e preços de alimentos”, lembra o articulista.
Caso isso aconteça de fato, tais dificuldades poderão ser usadas pelos democratas como peça fundamental na campanha para a eleição de meio de mandato de 2026, colocando em risco a maioria dos republicanos em uma ou ambas as câmaras.
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