22 de maio de 2026

TVGGN: Ataques de pagers demonstra estratégia de Israel em deflagrar um conflito regional

Israel investe na expansão da guerra porque conta com o apoio incondicional dos Estados Unidos, da Europa e da Otan
Crédito: Reprodução/ redes socias

O chefe do Hezbollah, Hassan Nasrallah, prometeu, nesta quinta-feira (19), retaliação a Israel pelas 37 mortes causadas pela série de explosões de pagers e walkie-talkies. Nasrallah garantiu ainda que, apesar do golpe sem precedentes, os ataques não causarão o fim do grupo extremista. 

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Para comentar os ataques de Israel e a perspectiva de expansão da guerra na Faixa de Gaza para o Oriente Médio, o programa TVGGN 20H da última quarta-feira (19) recebeu Tufy Kairuz, historiador, professor, PhD em História pela Universidade York, no Canadá, e mestre em História pela Universidade Federal do RJ. 

O historiador classifica a ação israelense como um atentado terrorista, tendo em vista que vitimou civis libaneses sem qualquer envolvimento com o conflito do Hezbollah. 

Além de atingir a resistência libanesa, a ofensiva de Israel teria ainda como objetivo fazer com que as pessoas esqueçam as barbaridades feitas até agora. 

“Primeiro, nós temos um genocídio em curso em Gaza, nós temos os ataques, que são ataques que se repetem há anos, e um deles, inclusive, com a destruição recentemente de uma representação diplomática de um país na Síria, o assassinato do líder do Hamas no Irã, os ataques que têm sido feitos no Líbano, entre outros, no Iêmen também. São uma série de fatores que não deixam a menor dúvida que existe uma intenção de deflagrar um conflito regional ali, de proporções que, enfim, ninguém pode prever”, explica o professor.

Kairuz adverte que um conflito de tal magnitude no Oriente Médio pode ter um impacto inimaginável em todo o mundo, inclusive na economia, devido ao preço do petróleo. “Mas parece que Israel tem uma espécie de uma agenda quase incontrolável e um desejo realmente de começar um conflito.”

Alianças

O historiador lembra que, apesar de trazer consequências inimagináveis para o mundo, Israel cogita a expansão do conflito porque tem o apoio incondicional dos Estados Unidos, da Europa e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

“Então, esse é o grande desafio agora: saber até que ponto os países na região, os povos da região vão tolerar esse tipo de agressão, sem reagir, realmente, de uma forma mais, digamos, mais assertiva”, observa. 

Tufy Kairuz resgata ainda as origens do conflito entre Israel e palestinos, que somam 76 anos, inclusive tentativas de limpeza étnica, chamadas nakbas.

“Percebo que as pessoas, é claro, têm uma visão muito fragmentada do que acontece lá, se chocam com isso. Daqui a pouco acontece um fato novo, ou então acham que aquilo ali é uma coisa que começou agora, começou por causa do ataque do Hamas, ou começou por qualquer outra coisa mais recente”, continua.

Brasil

Em relação ao posicionamento do Brasil nesta questão, o historiador evidencia a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que declarou de forma aberta que a ofensiva de Israel na Faixa de Gaza é um genocídio. 

No entanto, existe um temor de que, ao adotar uma atitude mais determinada em relação às ofensivas de Israel, isso possa desembocar não apenas pressões internas, mas também represálias externas. 

“Uma série de medidas que podem ser tomadas. Não se trata apenas de exigir que se rompa relações. Sabemos que romper relações é um passo muito sério, mas entre romper relações e ficar só no discurso, existe aí um campo enorme de medidas que o governo brasileiro deveria tomar, até para fazer justa toda a doutrina da diplomacia brasileira, porque se trata de resoluções, em cima de resoluções, durante anos e anos, que estão desrespeitadas, que culminaram com esse genocídio que acontece lá. Então o Brasil tem toda a justificativa para tomar decisões muito mais duras, e principalmente, não fazer parte, não ter intercâmbio de nenhuma ordem comercial e tecnológico com um Estado fora da lei e um Estado que pratica terrorismo de Estado abertamente, como ficou claro”, conclui.

Confira a entrevista completa:

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

2 Comentários
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  1. José de Almeida Bispo

    20 de setembro de 2024 7:57 am

    Netanyahu é o novo Hitler.
    Hitler foi contratado pelo capitalismo ocidental para destruir a União Soviética, desse o que desse depois. E apoiado integralmente na Alemanha (o gesto de Hindenburg ao entregar-lhe o poder é tácito), como forma de se expiar pela atitude “maluca” do Kaiser Guilherme II, em 1917, fornecendo o combustível – Lenin – para a Revolução de outubro.
    Netanyahu é o Hitler atual ideal: líder de um povo e um país eternamente perseguido, “reagindo heroicamente” aos agressores. Tudo pra uniformizar o mundo em torno do financismo anglo-americano, sustentado pelo sionismo. Não vai dar certo. Como não deu em 1945, que só depois da vitória soviética é que “se descobriu” os horrores… contra judeus: ricos que não puderam correr (latrocínio de Estado); e as montanhas de pobres e remediados, cuja gordura (a que restou) foi usada pelos sionistas, ops, pelos nazistas, pra fazer sabão.
    “E lá se vai mais um dia”.

  2. JOSE OLIVEIRA DE ARAUJO

    20 de setembro de 2024 8:05 am

    Historicamente, tanto o reino de Israel como o reino de Judá tiveram vida curta como estados independente, provavelmente algo em tornode cem anos. O atual estado de Israel, graças ao nazisionismo implementado, nos territórios usurpados do povo palestino, ao que tudo indica, não deverá completar nem cem anos de existência, em grande parte por ser comandado por dirigentes sem o mínimo sentimento de humanidade. O inferno que eles estão propiciando aos palestino será sua herança.

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