21 de maio de 2026

Anistia seria preocupante e mau exemplo, dizem juristas

"Todas as provas demonstram cabalmente que crimes aconteceram, não é razoável a esses criminosos que lhes seja dado o perdão"
Fabio Rodrigues-Pozzebom - Agência Brasil

Anistia seria preocupante e mau exemplo, dizem juristas

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Da Agência Brasil

Por Vitor Abdala – Rio de Janeiro

Convocada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores, uma manifestação marcada para este domingo (16), no Rio de Janeiro, defenderá a anistia aos réus processados por atos antidemocráticos em Brasília, em 8 de janeiro de 2023. O protesto busca impulsionar a tramitação de projetos de lei no Congresso Nacional que propõem a extinção da punição aos envolvidos nas invasões e depredações às sedes dos três poderes há dois anos.

Juristas ouvidos pela Agência Brasil consideram que anistiar crimes contra a democracia é preocupante. Para Gustavo Sampaio, professor de Direito Constitucional da Universidade Federal Fluminense (UFF), a anistia seria um mau exemplo para o país.

“Com democracia não se brinca. Se houve crimes contra a democracia, e todas as provas demonstram cabalmente que esses crimes aconteceram, não é razoável a esses criminosos que lhes seja dado o perdão da anistia. Isso será o mesmo que conceder um mau exemplo ao Brasil, um mau exemplo a essas pessoas de que poderão se articular novamente contra o Estado Democrático de Direito, acreditando que receberão o perdão”.

Além disso, de acordo com o professor a proposta de anistia não vem em um bom momento. “Essas pessoas, que são autoras de crimes contra o Estado Democrático de Direito, precisam receber severas sanções para que assim fique o bom exemplo e que ninguém se articule novamente para obrar contra a democracia brasileira”, explica o professor.

Segundo ele, a democracia “é valor maior, é cláusula pétrea do sistema constitucional, é princípio da ordem institucional do Estado brasileiro e com isso não se pode, evidentemente, transigir. É um valor que devemos defender, de maneira que o projeto de lei de anistia não vem num bom momento e não dá um bom sinal político para a democracia brasileira”.

A professora de Direito Penal da Fundação Getulio Vargas em São Paulo (FGV) Raquel Scalcon afirma que é difícil sustentar a legitimidade de uma anistia a pessoas que atentaram contra o Estado Democrático de Direito.

“No fundo, estamos falando de crimes que querem, pelo menos em tese, implodir o próprio sistema democrático, o sistema constitucional. Eu não acho que nunca nada possa ser anistiado, só me preocupa o fato de que nós estamos tratando de discussões que envolvem crimes contra o Estado Democrático de Direito”.

Golpe na democracia

Para o professor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) Vitor Schirato, a anistia representaria um golpe na democracia brasileira. “É um enfraquecimento enorme da democracia brasileira. É mais uma fragilização na democracia brasileira, sem dúvida nenhuma”, destaca.

Segundo ele, “é absolutamente despropositado imaginar um parlamentar democraticamente eleito, que exerce a sua função por causa do Estado Democrático de Direito, possa anistiar quem tentou acabar com o Estado Democrático de Direito”.

Em nota divulgada em fevereiro deste ano, a Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) afirmou que “a anistia aos golpistas é um desrespeito à memória de todos aqueles que lutaram pela democracia em nosso país e foram mortos. É fundamental que todos se unam, exigindo que nossos representantes ajam com responsabilidade na proteção dos valores democráticos”, diz a nota. “Não admitiremos anistia! Nosso país precisa caminhar com Memória, Verdade e, sobretudo, Justiça!”.

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  1. Professorinha que ensina o bê-a-bá.

    16 de março de 2025 10:27 am

    Sim, mas se esse argumento não valeu para a anistia de 1979, ratificada em sua constitucionalidade pelo STF.

    Bem, considerando a gravidade e a consumação de diversos crimes, alguns inclusive em andamento, como os sequestros, como não anistiar os imbecis de agora?

    Ou se tem coerência constitucional e jurídica ou não se tem.

    Ponto.

    Se vamos usar o direito penal do inimigo, ok, mas coloquemos isso de forma clara.

    A grande parte da população, mormente, a mais pobre, já tem vivência diária nesse tipo de arranjo normativo nas favelas e nas periferias.

    Ou seja, esse “princípio democrático” tão adulado, e que leva Lula a abraçar Sarney para comemorar uma democracia que o mesmo Sarney atacou, não subsiste na vida dura.

    Povo não come democracia, parafraseando Conceição Tavares com a frase sobre o PIB.

    Então, se é para usar dois pesos e duas medidas, que se enfrente 9 problema e diga as coisas pelo nome que elas têm.

    É a dubiedade que retira a legitimidade .

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