1 de outubro de 2026

Defesa de Bolsonaro usa falas de Moraes para pedir anulação de pena

Argumentos do próprio ministro sobre prazo de análise de provas sustentam nova revisão criminal enviada ao STF
Foto de Marcelo Camargo - Agência Brasil

▸ Defesa de Bolsonaro protocolou pedido no STF para anular condenação na ação penal da trama golpista, usando argumentos de Moraes.

▸ Pedido foi distribuído ao ministro Kassio Nunes Marques, relator da revisão criminal, com defesa liderada por Celso Vilardi.

▸ Recurso critica falta de tempo para análise de provas e uso de mensagens descontextualizadas pela PF na ação penal.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A defesa de Jair Bolsonaro (PL) protocolou um novo pedido de revisão criminal no Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar anular sua condenação na ação penal sobre a trama golpista. Para fundamentar a solicitação, os advogados utilizaram posicionamentos recentes do próprio ministro Alexandre de Moraes no caso Master, no qual o magistrado cobra acesso integral a provas e tempo hábil para análise de documentos.

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A petição é assinada pela equipe liderada pelo advogado Celso Vilardi, que assumiu a condução do caso após a saída de Marcelo Bessa da banca de defesa. O recurso foi distribuído ao ministro Kassio Nunes Marques, relator da outra revisão criminal de Bolsonaro, que cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão.

Contraponto sobre acesso a provas

O documento baseia-se em declarações dadas por Moraes durante o julgamento que debateu a possibilidade de abertura de investigação sobre o próprio ministro no caso Master, que apura supostas relações entre o magistrado e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A análise da abertura do inquérito está suspensa por um pedido de vista do ministro Flávio Dino.

Na ocasião, Moraes, acompanhado pelos ministros Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, cobrou o envio da íntegra das mídias com mensagens apreendidas pela Polícia Federal (PF), argumentando que não teve “nenhum tempo hábil” para examinar todo o conteúdo antes das deliberações.

A defesa do ex-presidente contrapôs essa exigência à conduta adotada pelo magistrado na condução da ação penal contra Bolsonaro, na qual Moraes atuou como relator. Segundo os advogados, os pedidos de adiamento das audiências formulados na época para a análise de dados contidos em celulares apreendidos foram indeferidos.

“Essa necessidade não desaparece quando quem precisa examinar os arquivos é o advogado do acusado. Na famigerada AP 2668 [ação penal do golpe], contudo (e como já inclinado), essa mesma necessidade não foi suficiente para justificar o adiamento dos atos de instrução tal como requerido pela defesa”, escreveram os advogados na petição.

Cronologia das audiências

Os defensores detalham que a ordem para disponibilização dos links de acesso ao material apreendido ocorreu em 7 de maio de 2025, enquanto o início das oitivas de testemunhas foi marcado para 19 de maio. De acordo com a petição, os primeiros arquivos digitais só foram entregues à defesa entre os dias 14 e 15 de maio, e novos volumes de dados, como o acervo apreendido com o general Mário Fernandes, chegaram apenas no fim daquele mês.

“Enquanto isso, a defesa precisava comparecer às audiências, acompanhar os depoimentos, formular perguntas e definir sua estratégia. Não havia como suspender essas tarefas até que os arquivos se tornassem acessíveis. Tampouco era possível substituir o exame do material por uma presunção de que nada relevante seria encontrado”, declarou a equipe jurídica.

À época do julgamento na Primeira Turma, o relator defendeu que o Supremo garantiu ampla transparência e concedeu prazos suficientes para o trabalho das bancas de defesa.

Crítica à seleção de mensagens

Além do tempo para perícia, o recurso questiona o uso de trechos descontextualizados de conversas capturadas pela PF, utilizando a mesma premissa levantada por Moraes ao criticar relatórios policiais no caso que o envolve.

“Ao afirmar que as informações disponibilizadas exigiam prazo para análise, Sua Excelência distinguiu exatamente aquilo que a defesa insistira em distinguir na AP 2668: disponibilidade e conhecimento. Para os julgadores, reconheceu-se a necessidade de tempo para compreender. Do Revisionando, exigiu-se que demonstrasse a relevância do que ainda precisava compreender”, apontam os defensores.

O ministro Kassio Nunes Marques ainda não proferiu decisão sobre o pedido de anulação.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Ana Gabriela Sales

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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