A Polícia Federal (PF) vai recusar a nova proposta de delação premiada apresentada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O anúncio oficial deve ocorrer ainda nesta semana diretamente aos advogados do empresário. Esta é a segunda vez em menos de um mês que os termos de colaboração propostos por ele são rejeitados pelo órgão.
Conforme informações publicadas pela coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo, a PF considerou – mais uma vez – que o material trazido por Vorcaro não apresenta elementos inéditos ou provas capazes de justificar os benefícios de um acordo.
Na primeira tentativa, em maio, os investigadores já haviam apontado que os relatos deixavam de fora fatos de conhecimento da polícia. Desta vez, embora o banqueiro tenha detalhado situações que envolvem políticos e autoridades, ele não apontou crimes cometidos por parceiros nem trouxe novidades ao que já foi descoberto.
Estratégia de defesa
Nos bastidores da investigação, a percepção é que o ex-banqueiro tenta protelar o andamento do caso. Há a suspeita de que ele busque ganhar tempo na expectativa de que o Supremo Tribunal Federal (STF) sinalize um abrandamento nas medidas cautelares aplicadas contra ele e seus familiares. Nesta semana, o STF deve retomar o julgamento que define se o pai do empresário, Henrique Moura Vorcaro, continuará preso.
Apesar do entrave, a legislação permite que o dono do Banco Master apresente novas propostas futuramente. Contudo, a estratégia de submeter sucessivos termos sem consistência é vista com ceticismo.
Divergência entre órgãos
Enquanto a Polícia Federal adota uma postura rígida pelo arquivamento da proposta, a Procuradoria-Geral da República (PGR) sinaliza uma condução diferente. O Ministério Público Federal também demonstrou insatisfação com o teor dos documentos atuais, mas prefere manter as conversas ativas na tentativa de obter termos mais vantajosos para a apuração.
O banqueiro ainda deve participar de pelo menos mais dois depoimentos programados para os próximos dias. A conclusão dessas oitivas será determinante para que a PF e a PGR definam o futuro do acordo.
Caso haja divergência persistente entre a polícia e os procuradores após os depoimentos, o impasse deverá ser resolvido pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF. Interlocutores do tribunal indicam que o magistrado também mantém reservas quanto ao conteúdo apresentado pela defesa até o momento.
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