A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (18), uma ofensiva coordenada para desarticular braços das principais facções criminosas do país. A operação mobiliza forças de segurança em 15 estados e mira uma rede complexa que envolve tráfico de drogas e armas, roubo de cargas e lavagem de dinheiro. No total, os agentes cumprem 112 mandados de prisão e 180 de busca e apreensão.
As ações são conduzidas pelas Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs), modelo de força-tarefa que reúne polícias civis, militares, penais e a Polícia Rodoviária Federal (PFR) sob coordenação da PF. O foco principal é o asfixiamento financeiro do crime organizado.
Bloqueio de bens e atuação em São Paulo
Em São Paulo, a operação concentra esforços no interior do estado. O alvo é uma organização criminosa ligada ao Comando Vermelho (CV) que disputa territórios de tráfico de forma violenta. Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio de contas bancárias que podem somar R$ 70 milhões.
Cenário semelhante ocorre no Maranhão, onde a investigação apura o tráfico de cocaína e crack em larga escala. No estado, o volume de recursos sob suspeita é ainda maior: o bloqueio judicial de bens e valores chega a R$ 300 milhões.
Logística do crime e corrupção
A operação revela as diferentes frentes de atuação das facções no território nacional. No Amazonas, a PF investiga o escoamento de entorpecentes pelo terminal de cargas do Aeroporto Internacional de Manaus. Já no Paraná, o alvo é um grupo ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), envolvido em confrontos territoriais.
A investigação também alcança a estrutura do Estado. No Pará, apura-se a colaboração de uma ex-servidora do Judiciário com o crime organizado. No Espírito Santo, o foco é o desvio e a revenda de drogas que haviam sido anteriormente apreendidas por autoridades.
Estratégia nacional
As diligências desta quarta-feira refletem o endurecimento da política de integração policial. Atualmente, existem 39 unidades das FICCOs espalhadas por todos os estados e o Distrito Federal. O balanço parcial de 2025 aponta para um crescimento nas atividades: até o momento, foram realizadas 246 operações, resultando em mais de 1,5 mil prisões em todo o país.
Além dos estados já citados, a operação ocorre simultaneamente em Alagoas — onde uma pizzaria era usada como fachada para o tráfico —, Bahia, Ceará, Goiás, Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Sergipe e Amapá.
A PF informou que as diligências seguem em curso e novas prisões podem ser efetuadas nos próximos dias.
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