A anarquia judicial e o Brasil na noite trevosa, por Aldo Fornazieri

A anarquia judicial e o Brasil na noite trevosa

por Aldo Fornazieri

O golpe promoveu a mais profunda desorganização institucional que o país já experimentou nos breves períodos de sua frágil vida democrática. A corrosão da legitimidade institucional levou o Executivo e o Legislativo à irrelevância, à infuncionalidade e ao desgoverno. Esses poderes, simplesmente faliram, não funcionam, a não ser num único aspecto: o de fazer o mal ao povo e ao Brasil. Com a falência do governo e do Congresso, sobrou o poder Judiciário, que se tornou o centro das decisões políticas do país, usurpando competências e violando a Constituição. Se, por algum tempo após o golpe, o Judiciário, comandado pelo STF, dava a aparência de ser um poder unitário com as naturais divergências, aos poucos foi revelando ser um poder anárquico e promotor da anarquia judicial, da ilegalidade e da recorrente violação da Constituição.

O Judiciário como um todo, na verdade, sempre foi um poder tirânico contra os pobres, perseguindo-os, adotando uma justiça enviesada para proteger a propriedade contra os direitos civis e sociais das pessoas simples do povo, enchendo as cadeias por pessoas que cometeram pequenos delitos de baixo poder ofensivo. O Estado de Direito nunca existiu para 60% a 70% da população. No Brasil só existe democracia para cerca de 30% das pessoas. A violência jurídica é uma das formas mais cruéis da violência do Estado a serviço de uma elite perversa contra os pobres. Com o golpe, o Estado de Exceção, a violência judicial, o seu arbítrio e a sua parcialidade atingiram também setores da classe política, principalmente políticos petistas, notadamente o presidente Lula.

A anarquia judicial se acentuou após a criminosa omissão do STF em não barrar o impeachment sem crime de responsabilidade, permitindo que a Constituição fosse violada. Ali ficou claro que amplos setores do Judiciário integravam o golpe parlamentar-judicial. Igualmente criminosa foi a conivência do STF com os arbítrios de violação da Constituição cometidos pelo juiz Moro, a exemplo das conduções coercitivas, da transformação das prisões como instrumentos coativos para arrancar delações premiadas mentirosas e orientadas e da gravação ilegal da presidente Dilma e a divulgação do conteúdo. Em qualquer Estado democrático sério, Moro estaria preso por ter conspirado contra a segurança do Estado.

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Outro atentado grave ao ordenamento jurídico do país consistiu no fato de o juiz Moro ter julgado o caso do triplex, pois, não tendo este caso nenhuma relação com a Petrobras, Moro não era o juiz natural para julgá-lo. Assim, ficou evidente que a 13ª Vara Federal de Curitiba foi sendo transformada em tribunal de exceção e Moro em juiz de exceção. Agora Edson Fachin viola o mesmo princípio do juiz natural ao remeter recursos da defesa de Lula para o plenário do STF, quando o procedimento correto seria que eles fossem julgados pela segunda turma.

A anarquia judicial se define exatamente por isto: para cada caso e para casos semelhantes são aplicadas regras jurídicas diferentes, ao sabor do arbítrio do juiz e segundo seu interesse político ou segundo quem é a pessoa do réu. Lula tem seus direitos e garantias fundamentais violados de forma despudorada, criminosa e explícita. A anarquia judicial quebra a uniformidade procedimental, desorganiza a jurisprudência, agride a Constituição e as leis e gera uma imensa insegurança jurídica e um vácuo constitucional. Ao agir de forma anárquica, o Judiciário e o STF agridem a cultura jurídica e constitucional que, às duras penas, tenta se firmar.

O caso da prisão em após condenação em segunda instância, sem que a sentença tenha transitado em julgado, como determina a Constituição, é a mais violenta transgressão das garantias e direitos individuais fundamentais. A concessão de poderes judiciais ao Senado para salvar Aécio Neves foi o ápice escandaloso dos exemplos de parcialidade política e partidária de uma Corte Constitucional, só comparável ao arbítrio de tribunais que servem ditaduras. Como juízes de primeiro grau e de tribunais superiores vêm recorrentemente cometendo crimes contra a Constituição e a ordem jurídica do país é preciso lutar para que sejam julgados e punidos. Chega a ser estranho que nem a OAB e nem os grandes juristas tenham proposto isto.

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Após as eleições será preciso organizar um movimento Constituinte do povo, que faça emergir uma nova Constituição a partir do poder popular. Uma Constituição fundante da soberania do povo quanto a sua origem popular e quando ao seu resultado. Isto significa que a Constituição terá que ser submetida a um referendum popular, sem o qual não há soberania do povo. No Brasil, o povo nunca foi soberano, pois nenhuma Constituição foi referendada por ele. Uma Constituinte soberana e exclusiva deveria destituir o atual STF e os colegiados de outros tribunais superiores, julgar os magistrados que cometeram crimes contra a Constituição e reorganizar de forma democrática um novo Judiciário, limitando os mandatos dos ministros dos tribunais superiores e encontrando outras formas de suas escolhas. Este é um aspecto fundamental para que o Brasil tenha uma democracia efetiva.

O impedimento de Lula e a noite trevosa

Ao manter Lula preso sem crime e sem prova, sem prova porque sem crime, e ao tentar impedi-lo de concorrer às eleições, juízes, desembargadores e ministros dos tribunais superiores estão cometendo um grave crime político, não só contra Lula, mas contra o povo e contra a nação. O povo quer Lula presidente, pois, em sua maioria, o povo o reconhece como o único líder capaz de tirar o país da grave crise, do caos e da desesperança.

O Judiciário será responsável por mergulhar o Brasil numa noite trevosa, de tormentas e de tormentos, mais grave da que já se encontra. O dilaceramento social, econômico, político e moral do país requer um presidente que seja um líder forte, capaz de unificar o povo sob a sua liderança e seu governo. Por mais qualidades e virtudes que tenham alguns dos atuais candidatos, nenhum deles tem a alargada liderança que Lula exerce junto ao povo.  Um governo democraticamente forte só se constitui se tiver ampla legitimidade popular, conferida pelas urnas. Lula é o único capaz de alcançar esta condição. Se o Brasil for impedido de se reencontrar politicamente pela via da legitimidade democrática poderá mergulhar num caos ainda mais profundo ou poderá se tornar prisioneiro de poder da força e do arbítrio.

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O povo chegou no limite da suportabilidade das injúrias, dos agravos e da humilhação que sofre por parte das elites e de um Estado que é seu inimigo. Isto precisa servir também de advertência às lideranças progressistas e de esquerda e a muitos deputados que nada representam a não ser esquemas ossificados de poder. Será preciso trabalhar para que surjam novas lideranças, autênticas, dos setores explorados e oprimidos. Será preciso varrer esses deputados acomodados, os burocratas e esses líderes fracos e sem virtudes para os cantos da vida política,  pois fracassaram.

A representação branca, de classe média, universitária, faliu. Pouco ou nada tem a dizer aos pobres, aos negros, às mulheres, aos jovens e ao povo das periferias. Pouco fez para esses abandonados e sem destino. Esses setores precisam se auto-representarem. Estão surgindo novas lideranças e novos candidatos no seio do povo sofrido. Mais dia menos dia forçarão as portas dos esquemas constituídos de poder e arrebentarão as fechaduras trancadas pelos esquemas burocráticos e acomodados do status quo. Se, neste momento, Lula é a única Estrela Polar a indicar o caminho de chegada, essas novas lideranças, devem ser o novo Sal da Terra das novas lutas e de uma nova forma de fazer política. Devem ser a luz a espargir esperanças alicerçadas em movimentos sociais e políticos organizados e fortes, capazes de conter e derrotar as investidas das elites cruéis que querem perpetuar a tragédia do povo brasileiro.  

Aldo Fornazieri – Professor da Escola de Sociologia e Política (FESPSP).

 

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19 comentários

  1. A instituições do sistema de
    A instituições do sistema de justiça servem a elite financeira na manutenção do status quo. Para passar a imagem falsa de instituições democráticas eram preservadas não se envolvendo as claras nas conspirações promovidas pela classe política contra o país e opovo brasileiro. A classe dominante derrotada nas urnas por 4 vezes, sem o controle da presidência por 13 anos resolveram apelar com um golpe queimando suas caravelas. As máscaras do judiciário e MP foram arrancadas revelando a verdadeira índole dessas duas instituições que estão a servico da Casagrande, dos 1%. Agem como capitães do Mato e, como os milicos em 64, são protagonistas do golpe. Os policiais federais são os jagunços fazendo o serviço mais sujo.

  2. Que texto legal, hein?

    Gostei muito, ajuda entender a realidade.. aproveito para deixar um pitaco:

    ———-

    Porque as esquerdas não enxergam a realidade?

    Ontem mesmo estive em um “ciclo de debates” que reuniu candidatos do PT e Psol aos legislativos, com pautas variadas como educação, trabalho, machismo, descriminalização da maconha, do aborto, etc.

    Esses temas se tornaram “franquias” da esquerda, digamos assim.. é um discurso padrão..

    A palavra “golpe” aparece o tempo todo, mas o comportamento geral é como se estivesse tudo normal (?!)

    Sequer evoluiu ao longo dos últimos incríveis meses..

    O pessoal está totalmente envolvido nos cálculos políticos para 2018 no mesmo padrão de eleições passadas.

    Não há uma palavra sequer sobre a desestruturação da república brasileira.

    Entre os petistas há uma divergência entre os pragmáticos que sonham embarcar na candidatura Ciro, aqueles que fazem questão de um “Plano B”, mas com alguém do próprio PT, e aqueles que fecham com a candidatura Lula “de A a Z”.

    Mas ninguém discute o sistema.

    É interessante perceber que mesmo aqueles que estão fechados com ex-presidente, o fazem no sentido de explorar ao máximo o “símbolo” Lula, de olho nas eleições 2018.

    Ninguém quer revolucionar nada nas esquerdas brasileiras e isso deveria arrepiar todos os cabelos de todos os pensadores deste campo.

    Nós vivemos uma profunda desestruturação, no contexto de uma transição global e não existem revolucionários nas esquerdas??!!

    Eu vejo meninos treinados para um discurso estéril, desconectados da realidade, jogando palavras ao vento.

    E ainda tem esse detalhe importante, a esquerda não sabe mais fazer política, então ficam os caras falando para eles mesmos..

    .. e tudo gravado em vídeos, transmitidos “ao vivo” (ui, que chique) e que ninguém vai ver.

    É a esquerda coxinha.

    Pode isso?

    O PT está completamente dominado por um pensamento tão conservador a ponto de haver “recomendações internas” para evitar a “extrema esquerda”, e até mesmo evitar “avaliações de conjuntura”.

    Acaba que a discussão política se limita a discutir resultado de pesquisa.

    Lula é importante porque tem 33%.

    Bem, esse é o quadro.

    Se quisermos mudar o país, me parece óbvio que temos que mudar, antes, os partidos, ou criar algo novo.

     

    Já aproveitando o embalo, deixo abaixo algumas teses que venho insistido ao longo desses últimos anos e que acho mereceriam alguma consideração:

    “a república acabou, segue por inércia, mas a qualquer momento haverá o esfacelamento total, e quanto mais demorarmos para perceber isso e começarmos a construir uma alternativa, mais vamos sofrer”

    “a discussão “esquerda” versus “direita” não faz o menor sentido no Brasil, a gente devia superar isso construindo um projeto de união nacional, e entre os possíveis fios condutores está a proposta de um novo sistema político, porque há um consenso de que o atual não funciona”

    E mais recentemente percebi um fenômeno que ainda não consegui dimensionar, mas que precisa ser superado:

    “inteligência social não depende de diploma, a comunidade acadêmica, os intelectuais desse país precisam descer do pedestal em que se encontram e discutir o sistema com o povo”

  3. Estado do Exceção

    Vivemos num estado de exceção, comandado pelo Judiciário com a contribuição entusiasta do Ministério “Público”. Para o restabelecimento do estado democrático de direito é condição absolutamente necessária, a meu ver, embora não suficiente, a concretização do exposto no seguinte parágrado do excelente texto do Professor: “Uma Constituinte soberana e exclusiva deveria destituir o atual STF e os colegiados de outros tribunais superiores, julgar os magistrados que cometeram crimes contra a Constituição e reorganizar de forma democrática um novo Judiciário, limitando os mandatos dos ministros dos tribunais superiores e encontrando outras formas de suas escolhas.”

      • Julgadora?

        Tem razão, Edemar. Mas não seria a Constituinte a julgadora. Ele criaria condições para o julgamento, impossível nas atuais condições em que o Judiciário está, de fato, acima da lei, exercendo um poder absoluto. 

  4. A ANARQUIA JUDICIAL

    Prezado Prof. Aldo.

    Parabéns pelo texto.

    Ao estudar a história de nosso infeliz Brasil, fica claro que o chamado Poder Judiciário sempre foi um instrumento de perpetuação dos privilégios da elite escravocrata que nos governa desde 1532.

    De uns anos para cá,  vem recebendo forte apoio do  Ministério Público, que usurpa há tempos o poder soberano do povo. Na esfera criminal, sabemos que papel desempenham os membros dessa instituição: condenar os pobres, pardos e pretos sem piedade; uma espécie de profilaxia social.

    Se o pior ocorrer e uma figura como Bolsonaro chegar ao poder, não podemos nois iludir: ele terá seus atos endossados pelos membros desses “poderes”. Há muito tempo, nesse espaço, muitos articulistas e comentaristas afirmam sem meias palavras: vivemos um estado de exceção. Uma ditadura,  que de ditadura só não tem o nome. Enquanto os pobres (inclusive crianças) são massacrados pelas polícias nas periferias das grandes cidades, as chamadas autoridades dilapidam o patrimônio nacional e o Judiciário viola descaradamente a Constituição.

    Talvez, se o próximo Congresso revogar o Artigo 5º da Constituição, é muito razoável crer que Fachin, Rosa Weber, Moraes, Cármen Lúcia e outros digam assim: está certo !!! há direitos em demasia no Brasil !!!!

    Um abraço a todos e Vamos à Lula

    LULA LIVRE

  5. Excelente analise sobre o Judiciario

    “Após as eleições será preciso organizar um movimento Constituinte do povo, que faça emergir uma nova Constituição a partir do poder popular.”

    Eu concordo com essa afirmativa, porém tenho minhas duvidas de que ao cabo e fim dessas eleições vai emergir um Brasil novo… Se nem a propria esquerda esta propensa realmente em mudar o status vigente, que dira esses que deram o golpe. 

    Tenho ouvido aqui e acola que as eleições deste ano são as eleições de cartas marcadas. Eh bom a esquerda colocar na sua pauta que ela pode não passar nem ao segundo turno. Bem provavel que se tenha Bolsonaro e algum candidato da direita – apesar da fragilidade da canditura Alckmin, e ai o jogo da imprensa sera – como tem sido na França – de mostrar o fascista que é Bolsonaro e assim eleger seu candidato.

  6. Com o STF com tudo… desde

    Com o STF com tudo… desde 2016 os 11 vagabundos daquele covil se rebaixaram à condição de engraixates dos novos donos e administradores das riquezas brasileiras na Embaixada dos EUA. Portanto, discordo apenas da imagem que você utilizou para ilustrar seu texto. 

  7. PAI DOS POBRES. LOUVOR AO FASCISTA

    Entendemos o porque de tanta louvação a Ditador Caudilho Facista Golpista de Quartéis Militares. Então Quartéis Militares serviam. E eram parceiros e cúmplices. Entendemos também porque o ESTADO ABSOLUTISTA arquitetado pelo Fascista foi preservado e mantido até os dias de hoje. Como nossas Elites sobreviveriam, se precisassem trabalhar, sem Contribuição Sindical Obrigatória de milhares de Sindicatos Pelegos? Sem Voto Obrigatório?!! Foi muito bem explicado na matéria este ESTADO criado na REDEMOCRATIZAÇÃO logo após a ANISTIA de 1979. Todo restolho caudilho-fascista de 30 foi mantido, agregados numa farsante CONSTITUIÇÃO CIDADÃ. Coincidência ser a nossa atual Elite obra deste governo fascista? UNE / USP / OAB? Coincidência a perseguição política às Famílias Progressistas do Nordeste como os Suassunas (não é mesmo Ariano?), mais ligadas ao Recife, de tradição progressista, liberal, democrática devido à colonização protestante e judaica holandesa que se refletiu na Faculdade de Direito,  que à capital da Paraiba, seu estado de origem? Juntamente com toda Elite que ascende com o Ditador, também o mais baixo Coronelato Nordestino que se mantém até hoje Pessoa’s, Calheiro’s, Coelho’s, Barbalho’s, Magalhães, Maia’s, Collor’s,… A Justiça Brasileira, que deveria ser o Reduto e Porto Seguro da Cidadania Brasileira é esta fraude em 4 Instâncias que nada serve fora a manutenção de seus Feudos. Obra e Projeto de farsante Constituição Cidadã. E tem gente que diz não entender esta barbarie em 2018. O problema é Anarquia Judicial? 

  8. A anarquia judicial e o Brasil na noite trevosa

    -> Após as eleições será preciso organizar um movimento Constituinte do povo, que faça emergir uma nova Constituição a partir do poder popular.

    -> Isto significa que a Constituição terá que ser submetida a um referendum popular, sem o qual não há soberania do povo.

    -> A representação branca, de classe média, universitária, faliu. Pouco ou nada tem a dizer aos pobres, aos negros, às mulheres, aos jovens e ao povo das periferias. 

    qual o Judiciário que precisamos?

    dito de outra forma: qual a relação entre Poder Instituinte e Poderes Constituídos que precisamos? como garantir a soberania do Poder Popular?

    ou ainda: precisamos mais de uma Constituinte ou de uma lógica destituinte?

    ou seja: o que mais precisamos é de uma lógica da destituição para superar as limitações da representação.

    assim, no caso concreto e específico: prá que precisamos de “juízes”? não precisamos de ninguém que nos “represente”, ou que “arbitre” nossos conflitos. a própria comunidade deve ser capaz de se auto-organizar tanto para formular as leis, quanto para intermediar conflitos.

    exemplo: os Curdos e o Judiciário

    “Esses novos sistemas de justiça em Rojava refletem o conceito revolucionário do Confederalismo Democrático. Em nível local os cidadãos criam Comitês de Paz e Consenso, que tomam decisões coletivas em relação a delitos leves e processos, similarmente aos comitês separados que resolvem assuntos específicos em relação aos direitos das mulheres como violência doméstica e casamento. Em nível regional os cidadãos (que não necessariamente precisam ser juristas treinados) são eleitos pelos Conselhos do Povo regionais para servirem nas Cortes do Povo compostas por sete membros. Ao próximo nível estão quatro Cortes de Apelação compostas por juristas treinados. A corte de última instância é a Corte Regional, que serve a Rojava como um todo. Distintos e separados desse sistema, a Corte Constitucional elabora decisões acerca da compatibilidade dos atos de governo e procedimentos legais à constituição de Rojava, o chamado Contrato Social.”

    fonte: Curdistão sírio

    .

    • Cartas de Pasárgada.

      Caro amigo, 

      Cada vez mais preguiçoso. Malhar em ferro frio cansa.

      Com as três meninas no tempo da regra ao mesmo tempo (dizem que a programação genética impõe que as fêmeas do bando mestruem ao mesmo tempo para aumentar as chances dos ciclos reprodutivos e as vantagens competitivas da evolução) sobrou algum tempo para escrever.

      Parece que aldo está emergindo de seu surto psicótico recente, quando chegou a propor ayres britto para presidente indireto.

      Após ler esse texto não pude a resistir a um diagnóstico de butequim: será aldo esquizofrênico, tipo dr jekyl e mr hyde?

      Tomara, porque aí temos a chance de que seu alter-ego nos oefereça algo melhor que seu conservadorismo de esquerda.

      Bem, mas o mais engraçado é que temos falado da natureza autoritária e anti-democrática do judiciário há meses aqui nesse blog, e só agora, vejamos, só com a grife fornazieri esse argumento parece ser levado a sério.

      Ou seja, o blog do nassif reproduz a mesmíssima lógica de seus pares à direita: só referenda quem lhe beija a mão.

      Não reclamo atenção, nada disso!

      Só busco alguma coerência, mas como diz o título de um filme razoável que revi com as meninas: Parece que não tenho mais lugar nesse mundo.

      O roteiro mostra uma auxiliar de enfermagem chutando o balde de forma engraçada, talvez inspirada no Michael Douglas e seu Dia de Fúria.

      Frustrante é perceber que as duas perspectivas são centradas na raiva do indivíduo e não na força transformadora do ódio de classe coletivo.

      Mas seria esperar demais do mainstream do cinema dos EUA.

      No centro filosófico dessa questão aí em cima, supostamente trazida por aldo, mas já batida e rebatida aqui por nós, está:

      – como as sociedades devem definir seus marcos normativos e como se dão os processos de fiscalização desses marcos e o enquadramento dos infratores dentro das categorias estabelecidas em processos legislativos que não são neutros, e que não raro consagram o poder de certas castas sobre a maioria menos empoderada?

      O encastelamento da magistratura, a excessiva codificação, o rigor formalista nada mais são que engrenagens do autoritarismo que submete uma construção simbólica que já era muito ruim e desfavorável:

      – se antes, as leis e a fiscalização da lei e sua aplicação pelo judiciário eram a ponta final de um processo de dominado pelas elites e pelo capital na defesa de seus interesses, hoje o processo (e o julgamento) virou fim em si, a própria razão do domínio, onde qualquer sombra de poder político sugrafagado está sequestrado pelo poder das togas e outros sacerdotes do judiciário.

      aldo parece estar acordado essa semana. Nassif parece ter acordado também, bem, até o próximo ciclo narcoléptico.

      Triste a sociedade onde os meios viram fins em si mesmos.

      Bem vindos a hiper-realidade normativa do capital.

      A mídia fala de si e para si, juízes acima das leis que deveriam obedecer, dinheiro que gera dinheiro.

       

      • e aí, meu caro
        -> Com as três

        e aí, meu caro

        -> Com as três meninas no tempo da regra ao mesmo tempo (dizem que a programação genética impõe que as fêmeas do bando mestruem ao mesmo tempo para aumentar as chances dos ciclos reprodutivos e as vantagens competitivas da evolução)

        já vi isto acontecer por aqui. mas não com mulheres.

        a menstruação é uma eliminação de resíduos sob o qual não se tem controle algum, ao contrário de urina e fezes. há décadas argumento com as mulheres que isto não faz sentido “biologicamente”, a não ser como resultado “cultural” da submissão do corpo feminino numa sociedade patriarcal. assunto complexo e polêmico (não nesta ordem, talvez…).

        -> Bem, mas o mais engraçado é que temos falado da natureza autoritária e anti-democrática do judiciário há meses aqui nesse blog, e só agora, vejamos, só com a grife fornazieri esse argumento parece ser levado a sério.

        outro mês participei de um evento numa cidade pequena por aqui. e me vai um Promotor citando a Bíblia, para logo em seguida afirmar: “- Quem diria que o Presidente Lula que assinou a Lei da Ficha Limpa, estaria preso por causa dela.”

        além de equivocado juridicamente, não tinha nada a ver com o assunto. mas a arrogância dos caras é ilimitada, e veio em seguida: “- A Democracia está melhorando. O Brasil está em transformação.”

        porra, eu tava ocupado no fundo da sala, mas foi demais, não deu prá deixar passar. berrei: “- Mas aí foi golpe, né! Foi um golpe!”

        no alto do palco, o sujeito baixou a cabeça e ficou quieto por um momento. quando ele levantou a de novo a cabeça, não me contive e repeti: “- Foi golpe! Isso foi um golpe!”.

        -> o título de um filme razoável que revi com as meninas: Parece que não tenho mais lugar nesse mundo.

        ainda sequer tinha ouvido falar. mas conheço a sensação. aliás, praticamente desde que me lembro.

        tem um momento na vida, que se olha em torno, para trás e para frente, e é impossível não se questionar: “- O que eu estou fazendo aqui?”.

        no meu caso particular, estou há algumas décadas neste momento.

        -> talvez inspirada no Michael Douglas e seu Dia de Fúria.

        filme muito legal. inclusive marca o início da derrocada da middle class nos EUA.

        -> – se antes, as leis e a fiscalização da lei e sua aplicação pelo judiciário eram a ponta final de um processo de dominado pelas elites e pelo capital na defesa de seus interesses, hoje o processo (e o julgamento) virou fim em si, a própria razão do domínio, onde qualquer sombra de poder político sugrafagado está sequestrado pelo poder das togas e outros sacerdotes do judiciário.

        -> Triste a sociedade onde os meios viram fins em si mesmos.

        as instituições viraram um fim em si mesmas.

        a instituição médico-hospitalar não tem como objetivo a saúde, e sim produzir os doentes para justificar sua existência. os sindicatos pouco se importam com a emancipação dos trabalhadores, afinal o que então seria dos burocratas e pelegos.

        abração

        p.s.: ainda não tinha visto sua réplica.

        vídeo: Já não me sinto em casa nesse mundo

        [video: https://www.youtube.com/watch?v=6f3-g6_5Pdc%5D

        .

  9. Meninos e meninas, acho que
    Meninos e meninas, acho que o PT deveria chamar a militância do partido e movimentos sociais pra saírem às ruas. Só assim o povão pode ir atrás e verbalizar sua revolta. Deixar a luta jurídica com os advogados e priorizar as manifestações. É a última e única saída.

  10.  
    De admirar como um texto

     

    De admirar como um texto desse ainda pode ser escrito no Brasil de agora! No meu desânimo político e de cidadão, mal consigo tecer comentários.

    O judiciário padece de um mal estrutural, de formação e seleção. Precisa ser revisto critério da idade de ingresso, as exigências téoricas, com introdução de economia, amplos conhecimentos gerais e políticos, e implementado o fim da prova oral, na qual os herdeiros da aristocracia jurídica conseguem sua chancela. Sem mudanças nesse sentido, teremos a perpétua indústria de cursinhos jurídicos, um ensino jurídico alienante da realidade social e profissionais recitadores de artigos mas incapazes de traduzir em justiça social os dizeres da lei. Moleques de vinte e cinco anos, criados à pão de ló, não podem decidir sobre liberdade e patrimônio das pessoas como se fossem donos da verdade e gênios incontestes. Guardadas as devidas proporções, seria como delegar as decisões estratégicas de um exército para aspirantes e recrutas inexperientes. Uma das razões pela qual chegamos ao ponto atual de miopia institucional reside nesta geração jurídica yuppie, que tem nos altos salários a única expressão de uma vocação pública.

     

    • Eles são analfabetos

      Eles são analfabetos politicos, não sabem o que é imperialismo, não tem noção da importancia da defesa do interesse nacional,aliás, sabem, Dalanhol e Moro aprenderam, nos EUA, a defender os interesses dos EUA.

  11. Tipo assim

    Essa pantomima moderna ruiu. Com seu cabelo crespo

    a empregada preta retinta ficou mais bonita que a sua

    patroa loura.

    Mandar cortar o cabelo para ter boa aparência?

     

  12. O “professor de sociologia”

    O “professor de sociologia” busca no facismo e no nazismo o sentido para o termo Anarquia. Anarquia ao contrário do que você pensa, caro “professor de sociologia”, é o ponto máximo de organização de uma sociedade. Um modelo político-social e filosófico que só sociedades avançadas poderia ter. Só uma sociedade altamente organizada poderia ser anárquica. Não dúvido nada que capture da mídia os sentidos para os termos: radical, extremo,fundamentalista, etc. Astuto, no meu primeiro dia de aula do ensino fundamental descobri tudo que precisava saber sobre a sociedade e seu funcionamento. Em contrapartida um sujeito faz um curso de sociologia e não consegue aprender absolutamente nada sobre a sociedade! Não há nada de anárquico na bossalidade e nos bossais do supremo. 

  13. Enquanto isso…
    Réu por #corrupção na Justiça Federal, o ex-procurador Marcelo Miller foi liberado para fazer concurso público para Juiz Federal @deltanmd @RHPozzobon #tacladuran

    Rodrigo Tacla Duran adicionou,

    Roberson Pozzobon

    Conta verificada

    @RHPozzobon

    “Réu por #corrupção passiva tanto no STJ quanto no STF, o ex-deputado Mário Negromonte (PP-BA) foi liberado para voltar ao cargo de conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA)” https://www.valor.com.br/politica/5638941/reu-por-corrupcao-negromonte-reassumira-cargo-em-tribunal-de-contas

    14:05 – 6 de jul de 2018

    https://twitter.com/TaclaDuran/status/1015341111668297728

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