3 de junho de 2026

As expectativas sobre a gestão de Lewandowski no STF

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Jornal GGN – O mundo jurídico prevê um maior diálogo com o ministro Ricardo Lewandowski na presidência do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça. Esta é a conclusão de Frederico Vasconcelos, repórter especial da Folha de S. Paulo, que conversou com onze representantes de associações de magistrados, entidades de advocacia e do Ministério Público. Seu levantamento mostra que as expectativas são favoráveis para o sucessor de Joaquim Barbosa.

Para João Ricardo Costa, presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB),  “a nova gestão do STF conduzirá os trabalhos de forma transparente, promovendo maior legitimidade aos processos e decisões”. Técio Lins e Silva, presidente do Instituto dos Advogados Brasileiros, segue com o tom otimista e diz que “os advogados têm excelentes motivos para comemorar os novos tempos de gestão democrática no Supremo”, relembrando que Barbosa não recebia advogados enquanto ocupou a presidência do STF. Leia mais abaixo:

Da Folha

 
POR FREDERICO VASCONCELOS
 
Representantes da Magistratura, Advocacia e Ministério Público preveem maior diálogo no STF e no CNJ.

O Blog pediu a onze presidentes de associações de magistrados e de entidades da advocacia e do Ministério Público uma avaliação sobre as expectativas em relação à gestão do ministro Ricardo Lewandowski no Supremo Tribunal Federal e no Conselho Nacional de Justiça.

O resultado é amplamente favorável ao sucessor do ministro Joaquim Barbosa, apesar das manifestações de insatisfação recentes diante da possibilidade de uma maior ênfase no planejamento do Judiciário, pelo CNJ, com redução das atividades disciplinares do órgão de controle externo.

A expectativa da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) no relacionamento institucional com o novo presidente do STF e do CNJ é de um diálogo permanente.

“Nenhum dos órgãos ou entidades do setor público brasileiro solucionará, isolada e solitariamente, os problemas que afligem os brasileiros”, afirmaJoão Ricardo Costa, presidente da AMB, maior entidade de juízes.

“Acreditamos e confiamos que a nova gestão do STF conduzirá os trabalhos de forma transparente, promovendo maior legitimidade aos processos e decisões”, diz.

Para o presidente do Instituto dos Advogados Brasileiros, Técio Lins e Silva, “os advogados têm excelentes motivos para comemorar os novos tempos de gestão democrática no Supremo, principalmente se levarmos em conta que o antecessor do ministro Ricardo Lewandowski na Presidência do STF não recebia os advogados, violando a Constituição Federal e agredindo o seu papel de magistrado”.

De acordo com Técio Lins e Silva, “haverá mais respeito aos advogados, aos juízes e aos usuários da Justiça”.

O presidente da Associação Nacional dos Magistrados Estaduais (Anamages),Antônio Sbano, diz que Lewandowski é um “magistrado com larga experiência, tem se pautado por conduta serena, além de fidalgo”.

“Não se pense em impunidades ou corporativismo. Temos certeza do rigor da fiscalização, mas com estrita observância do devido processo legal e respeito às garantias constitucionais”, afirma o presidente da Anamages.

“O ministro Ricardo Lewandowski é detentor de grande sensibilidade e diplomacia. Com propensão ao diálogo, ele certamente facilitará uma melhor interação dos poderes”, afirma Alexandre Camanho, presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR).

O presidente da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), Paulo Luiz Schmidt, diz que a expectativa do conjunto da magistratura é o fim da “era do gelo”.

“O novo presidente vem para mudar, de forma radical, um período em que duas palavras foram diariamente esquecidas: diálogo e democracia”, diz Schmidt. “Ousamos dizer que será um período de tranquilidade e de diálogo na Corte Suprema”.

Segundo a Anamatra, a defesa da Constituição no STF “pressupõe um clima de temperança e trato cordial entre ministros e também com aqueles que atuam na Corte, sejam eles as partes, os advogados e a própria imprensa”.

“Confiamos que o novo presidente fará valer aquilo que costumávamos ver em um passado não muito distante: o discernimento de saber que um magistrado, de qualquer nível, que se debruça sobre os mais variados temas da vida brasileira, não deve almejar holofotes e não deve ter ambições pessoais e políticas”.

“Que o STF volte a ser a Casa de todos os brasileiros, aquela que abriga e protege o que a cidadania tem de mais fundamental, que são as garantias individuais e coletivas”, diz Schmidt.

André Augusto Salvador Bezerra, presidente do Conselho Consultivo da Associação Juízes para a Democracia (AJD), diz que Lewandowski é um magistrado experiente. “No julgamento do chamado mensalão, mostrou independência no exercício da função, não deixando sua convicção ser influenciada por pressões midiáticas, que não se coadunavam com uma causa em que havia o conflito entre o Poder Punitivo do Estado e a liberdade dos réus”.

Mas a AJD ressalva que, assim como os demais ocupantes do STF, “sua nomeação se deu sem a necessária discussão pública, o que é um déficit democrático de todo o processo, apesar da previsão constitucional”.

Bezerra vê com preocupação a notícia de que Lewandowski dará primazia ao planejamento sobre a atividade disciplinar.

“O controle externo é uma conquista da sociedade brasileira e nenhuma das funções constitucionais do CNJ pode ser enfraquecida”, diz o presidente da AJD.

“Planejamento é importante? Sem dúvida. Mas é igualmente importante o controle disciplinar”, diz.

“Recentemente, o ministro Lewandowski concedeu medida liminar contra decisão do CNJ que obrigara o Tribunal de Justiça de São Paulo a expedir norma que estabelecesse critérios objetivos e impessoais para a designação de Juízes Auxiliares da Capital e assim o fez sob o fundamento de a decisão do conselho violar o pacto federativo”, lembra Bezerra.

“Trata-se de motivação que doutrinariamente a AJD discorda radicalmente, enxergando-a com grande preocupação, por se tratar de tese que poderá enfraquecer o CNJ. Afinal, se uma decisão do CNJ fere o princípio federativo, como possibilitar o controle externo sobre os tribunais estaduais?”, indaga.

“A AJD espera atentamente que o CNJ não tenha suas funções diminuídas nos próximos anos.”

A Associação dos Juízes Federais do Brasil (AJUFE), acredita que Lewandowski vai atuar “com muito equilíbrio, transparência e respeito às instituições de Estado, bem como à sociedade civil organizada”.

“Percebemos uma clara disposição do ministro em manter o diálogo democrático, constante e aberto com as associações de Magistrados”, declarou o Presidente da Ajufe, Antônio César Bochenek.

Para a AJUFE, o ministro tem demonstrado que pretende ouvir e receber sugestões das entidades associativas da Magistratura.

“Temos convicção que à frente da Presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Ministro vai priorizar as políticas de planejamento estratégico e gestão que contribuam para dar mais dinamismo e eficiência a todas as instâncias da Justiça brasileira”, afirmou Bochenek.

Ele diz que é motivo de muito orgulho para a AJUFE ter o ministro Lewandowski como seu associado. “Isso demonstra o perfil plural, democrático e aberto ao debate do novo presidente do STF”.

“Lewandowski será um grande presidente. Tem muito prestígio no meio jurídico e será o condutor de grandes mudanças no Judiciário”, afirma Jayme Martins de Oliveira Neto, presidente da Associação Paulista de Magistrados (Apamagis).

Eugênio Couto Terra, presidente da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris), prevê um “novo tempo” para o Judiciário: “O ministro Ricardo Lewandowski no comando do STF trará mais serenidade e estabilidade às atividades da Corte”.

“A tendência é que haja mais diálogo do colegiado com a presidência, trazendo mais harmonia ao Supremo, sem prejuízo do essencial respeito às posições de cada um de seus integrantes”.

Terra prevê “uma grande guinada” na condução do CNJ.”Sem deixar de exercer sua função correicional, passará a ser, também, um espaço de diálogo com a magistratura, representada por suas entidades de classe, os tribunais e a sociedade”.

“O Poder Judiciário, sob a direção de Lewandowski, será mais democrático e um espaço de construção coletiva”, diz o presidente da Ajuris.

“A renovação de comando do CNJ e STF também renova as esperanças do Movimento do Ministério Público Democrático de que tenhamos o sistema de justiça mais próximo da sociedade e acessível, especialmente onde existe mais pobreza e vulnerabilidade social, sendo fundamental a implementação e utilização de juizados itinerantes que funcionem efetivamente”, diz o Promotor de Justiça Roberto Livianu, presidente do MPD.

Segundo Livianu, é necessário também que novas varas sejam criadas para atender as necessidades sociais mais agudas, nos rincões mais pobres do país, além de avançar na direção da especialização da justiça, dotando-a de infra-estrutura mais adequada para analisar ofensas ao patrimônio público, ao meio ambiente e aos consumidores, por exemplo.

“A sociedade brasileira espera respostas cada vez mais consistentes em relação ao controle da corrupção no Brasil, em relação ao que o CNJ e STF têm papeis vitais, esperando-se sejam estabelecidas metas de produtividade visando mais eficiência na resposta estatal para esta demanda do sistema de justiça como um todo, cujos danos são estrondosos para os estratos mais desassistidos da comunidade”, afirma Livianu.

O presidente da Associação dos Magistrados Mineiros (Amagis), desembargador Herbert Carneiro, manifesta aprovação e expectativa positiva com a nova gestão do STF e do CNJ.

Ele cita especialmente as primeiras medidas anunciadas por Lewandowski, como a suspensão das “sessões secretas” no Conselho Nacional de Justiça, medida que, segundo Carneiro, “resgatou os princípios constitucionais da publicidade, da ampla defesa e do contraditório”.

Para a Amagis, “não havia justificativa sustentável para que, em nome da celeridade, fossem adotados mecanismos, como as chamadas “votações antecipadas” ou “pautas rápidas”, em prejuízo da transparência, do pleno conhecimento dos processos com a devida antecedência e de maior legitimidade ao julgamento”.

Ele prevê, entre outras mudanças, a quebra do formalismo e a adoção de maior cautela e de fundamentação nos procedimentos.

“O mais importante é o resgate do reconhecimento das prerrogativas da magistratura, que são fundamentos da própria democracia e do regime republicano. Magistrado não pode nem deve ser afastado por mera suspeita”, diz Carneiro.

 

Redação

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8 Comentários
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  1. Assis Ribeiro

    12 de agosto de 2014 1:13 pm

    Sem menos…

    Da Folha

    Mundo jurídico aplaude Lewandowski

    Não vi o mundo jurídico aplaudir os cinco últimos presidentes, exceto Peluso, do STF;  Ellen Gracie, Gilmar Mendes, Ayres Brito e Barbosa. 

    Toma.

    1. Vladimir

      12 de agosto de 2014 2:19 pm

      Exatamente! E onde estava o

      Exatamente! E onde estava o mundo jurídico quando Lewandowiski era achincalhado pelo presidente do STF na AP470?

      1. Cristiana Castro

        12 de agosto de 2014 4:58 pm

        Dando todo apoio a JB e

        Dando todo apoio a JB e alinhados até o momento em que os desmandos iam atingindo a eles. Assim, aos poucos, cada grupo foi desmbarcando da canoa da “Nova Democracia”, até que só restassem os políticos de extrema direita e extrema esquerda e teóricos do Direito que, em sua maioria, nunca colocaram os pés num tribunal. Estavam todos em silêncio apostando no “se colar, colou”. A quantidade de postagens da comunidade judirídica, DEPOIS da saída de JB justifica a sua pergunta; onde estavam, antes? E, se, JB não tivesse renunciado? Atitudes de enfrentamento, só  vieram mesmo de Lewandwski, Bandeira de Mello, Dalmo Dallari, Pacheco ( advogado de Genoíno ), Ives Gandra, Wallace Martins, Semmer, Rubens Casara, Wadih Damous e mais alguns; o resto ficou esperando o resultado para alinhar-se a corrente vencedora. Foi um tentativa…  a nova democracia truculenta berrava, sem fundamento, em plenário; teorizava pelas redes sociais e quebrava as ruas tentando se impor na marra. Qdo seus pupilos foram atingidos, chegaram a conclusão que não era bem isso que queriam e então, seu cúmplices, apareceram, fantasiados de advogados ativistas, juízes para a democracia e mestres e doutores em Direito. Aí e só aí, acordaram para os males da publicidade opressiva, promiscuidade entre MP e Mídia, etc… Enfim, venceu a resistência e, agora, todo mundo quer ficar bonito na foto ou como, dizem alguns aí… não ficar mal com a cúpula do Poder Judiciário. Como podemos ver, estão preocupadíssimos com a sociedade brasileira e o problema são os políticos…

  2. Dulce (Madame X)

    12 de agosto de 2014 1:27 pm

    É  tanquilizador, para o

    É  tanquilizador, para o cidadão, ver que o tempo de caça às bruxas ficou no passado. Vai que…alguém “confunde” meu carro com uma vassoura? Ou diz que que me viu comprando “asas de morcego”? Com JB TUDO FOI POSSÍVEL, até “o boi voar” com a “teoria do domínio do fato”

    Só tenho pena do Min. Lewandowski, terá um trabalhão para transformar o “p*u*t*e*i*r*o” de Joaquim Barbosa, em uma CASA RESPEITÁVEL.

    Fui educada, ouvindo “a lei é dura, mas é LEI”. Espero VOLTAR a ver LEI, COM DEVERES E DIREITOS, no STF.

    Boa Sorte, Min. Presidente do S.T.F.

  3. Fábio de Oliveira Ribeiro

    12 de agosto de 2014 2:06 pm

    Ayres Brito saiu do STF para

    Ayres Brito saiu do STF para entrar na história da legitimação das ilegalidades cometidas pelo PSDB em troca de uma grana preta. Joaquim Barbosa entrou no STF para sentar em cima do Mensalão Tucano parindo um verdadeiro show de horrores e absurdos durante o julgamento do Mensalão Petista. Toffoli já vota mais vezes com Gilmar Mendes do que contra ele. Marco Aurélio de Mello continua sendo uma diva, sempre a procura de uma câmera para achincalhar o governo e para fazer o sórdido jogo partidário da oposição. Gilmar Mendes sempre vota contra o governo e em favor dos banqueiros do dinheiro sujo do PSDB. Luiz Fux exige que o réu prove sua inocência e usa o cargo para enfiar a filha num Tribunal pela porta dos fundos. Rosa Weber condena com base na literatura se esquecendo da presunção constitucional de inocência. O corregedor do CNJ poderia ser substituído por um servidor mequetrefe com um carimbo ARQUIVADO, tamanha é sua dedicação em não punir os desmandos cometidos pelos seus “amiguinhos”. Na primeira instância, Juízes impedem os advogados de fazerem provas e depois negam procedência aos pedidos por falta de provas (decisões que são mantidas pelos Tribunais estaduais e pelo STJ). Não tenho nenhuma expectativa positiva acerca da cúpula do Judiciário. Acredito menos ainda que possa sair alguma justiça da primeira e da segunda instância. 

     

    E já que estamos falando do STF, confesso que estou curioso. Aquele vetusto Tribunal julgará o furto de um par de chinelos com mais rigor jurídico do que aquele que empregou quando mandou soltar Daniel Dantas?

  4. BRAGA-BH

    12 de agosto de 2014 2:08 pm

    Lewandovski já provou que

    Lewandovski já provou que está além de seu tempo e além de seus pares no STF. Ele poderia utilizar de sua inteligência, de sua calma e de seu conhecimento para aproveitar este seu tempo como Presidente da Corte Máxima para tentar alguma modificação no Sistema que modifique o rito jurídico, que dê mais agilidade aos Processos que faça com que a Justiça seja feita e que a sensação de impunidade que hoje graça o país seja substituída pela satisfação de ver alei ser cumprida.

  5. Ugo

    12 de agosto de 2014 5:26 pm

    os juristas de antes e o Jurista de hoje.

    Mesmo que o pouco a acontecer seja insuficiente, finalmente pararam os exibicionismos televisivos, vozes e posturas afetadas dos mestres Mello primo do presidente, do Gilmar o mau, aquele dos capangas, e outros menos propensos a exibicionismo.

    Finalmente o julgamento do século, do milênio etc., desnudou a quadrilha do stf que tal qual máfia estava aparelhada para o retorno triunfal da casa grande. Na infelicidade de escutar uma das milhares de entrevistas bíblicas, Gilmar estava queixoso da delonga no julgamento afirmando que na configuração anterior à entrada dos novos ministros, a condenação dos réus já estava decidida.   

    Ayres de saída conseguiu o prometido por bons serviços no sistema globo.

    O Barbosa ora o Barbosa como foi possível ter desprezado as potencialidades deste moleque de rua bom de briga (no papo).

    O senhor Mello, primo do presidente, quase decano da instituição caso tenha perfil no Wikipédia terá orgulho da “obra” a não ser ele?

  6. Ivan Arrruda

    13 de agosto de 2014 2:38 am

    Imparcialidade, aqui me tens

    Imparcialidade, aqui me tens de regresso e suplicando de te peço a minha nova inscrição… 

    Olho no segundo escalão. Olho nas relações promíscuas. Olho no nepotismo cruzado.

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