Cunhado e suposto operador de caixa dois de Alckmin é também dono de escritório da família

Apontado receptor de caixa dois do governador tucano é dono de imóvel recheado de polêmicas: na Operação Lava Jato e por fraude com a construção do prédio
 
 
Jornal GGN – Há quase um ano, dois delatores da Odebrecht anunciavam à Operação Lava Jato que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), recebeu R$ 10,7 milhões de caixa dois do departamento de propina da empreiteira, e que o dinheiro foi repassado “pessoalmente” ao empresário Adhemar Cesar Ribeiro, cunhado do político tucano.
 
Os montantes foram destinados às campanhas de 2010 e 2014 de Alckmin ao Palácio dos Bandeirantes, sendo que R$ 2 milhões teriam sido para a primeira e o restante para a segunda. Os delatores são o ex-presidente de uma das empresas da Odebrecht sediada em São Paulo, Benedicto Barbosa da Silva Júnior, e os ex-executivos da empreiteira Carlos Armando Guedes Pachoal e Arnaldo Cumplido de Souza e Silva.
 
Reportagem da Folha de S.Paulo desta segunda-feira (12) agora acrescenta um dado às revelações da Lava Jato sobre o tucano: Adhemar Ribeiro não apenas teria recebido parte dos montantes pessoalmente de caixa dois para a campanha de Alckmin, como também é o proprietário de um edifício comercial que sediou e sedia três empresas da família do governador. O imóvel ainda teria sido o espaço oficial para as campanhas do tucano de 2008 à Prefeitura de São Paulo e do período seguinte ao governo paulista.
 
O espaço é apontado nas prestações de contas de Alckmin Tribunal Regional Eleitoral (TRE) como alugado. De acordo com a reportagem, o edifício está localizado na avenida Nove de Julho, no bairro de alto custo do Itaim Bibi, em São Paulo, e o endereço é registrado como sede de empresas de Alckmin, como a Humanitas Fórum, Palestras & Cultura, e já sediou a Trigo Assessoria.
 
Com a agência de notícias Trigo Assessoria, da filha de Alckmin, Sophia, como sócia, ocorreu um episódio suspeito levantado pelo jornal: em fevereiro de 2017, poucos dias depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) homologar a delação dos executivos da Odebrecht, a empresa mudou de endereço. Pouco tempo depois, foi divulgado à imprensa trechos da delação que imputam o cunhado de Alckmin, proprietário do imóvel, como o coletor de caixa dois para a campanha do político tucano.
 
O edifício foi narrado pela delação de Carlos Armando Paschoal, que era superintendente da Odebrecht em São Paulo. O executivo contou que participou de uma reunião, em 2014, “com Geraldo Alckmin no escritório deste, na avenida Nove de Julho, próximo à avenida São Gabriel”. A conversa de Alckmin teria ocorrido entre o governador e o então conselheiro da Odebrecht, Aluízio de Araujo, falecido em 2014.
 
Ao final da reunião, o delator disse que Alckmin entregou a eles um cartão, com o contato de seu cunhado. Desde então, os repasses teriam sido feitos diretamente com Adhemar Cesar Ribeiro, em lugares determinados pelo irmão da esposa do governador tucano.
 
O edifício remete, ainda, a outra polêmica de 2011, quando a Folha de S.Paulo publicou uma fraude relacionada à construção da sede do Wall Street Empreendimentos e Participações, empresa de Adhemar.
 
À época, a empresa foi acusada pela prefeitura de São Paulo de falsificar documentos para pagar um valor menor de outorga onerosa na construção. Com a obra licenciada entre 1994 e 1999, a empresa deveria ter recolhido R$ 4,2 milhões para construir o prédio de 4,1 mil metros quadrados, mas pagou apenas R$ 184 mil. Em mais de 10 anos, a fraude gerou um rombo de R$ 41 milhões.
 

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4 comentários

  1. Mais um processo a ser

    Mais um processo a ser arquivado por um sistema midiático penal a serviço dos verdadeiramente corruptos, aqueles que roubam no atacado estão perdoados: o problema são os pedalinhos do Lula e pedaladas da Dilma…olá petistas, filiem-se ao PSDB e não serão perseguidos com base em delação caluniosa e sem provas….o lance é ser tucano….

  2. Se o governador fosse

    Se o governador fosse petista, o cunhado estaria curtindo temporada, sem dia certo para check out, nas carceragens da PF.

    A seção paulista do MPF responsável pela lava jato foi responsável pela prisão do marido da senadora Gleisy Hoffman. No entanto, os operadores do PSDB permanecem livres, com provas de propinas “acima de dúvida razoável” diriam os desembargadores do TRF4.

    Definitivamente, a blindagem ao PSDB já virou deboche. Nem os manifestoches acreditam na imparcialidade dos rapazes de curitiba (apud ministro Barroso).

  3. Cunhado e suposto operador de caixa dois de Alckmin é também

    É sabido e corriqueiro a impunidade de tucanos.

    Nesses dias o STF arquivou processo contra Serra por prazo vencido.

    Aécio é senador e está livre, leve e solto bem como o resto da turma.

    FHC é inimputável.

    O notório Azeredo também está no ritmo aecista: livre leve e solto. Agora já com o prazo marcado para livrar-se da cadeia.

    Nem falar em Aloisio, Richa, Cunha Lima et caterva.

    Na província tucana descobre-se contratos fraudados, contas na Suiça, corruptores mas corruptos nem pensar.

    A lavajato virou piada após a entrega da encomenda.

    Lula condenado, Petrobrás destroçada, base de Alcântara entregue, programa submarino nuclear parado, empreiteiras brasileiras arrasadas, présal dado, poços em terra a doar, hidrelétricas no mercado se não já vendidas.

    Como já foi dito, o Brasil virou um puteiro, é só chegar, pagar e levar.

    Peço perdão às putas pela comparação.

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