Dallagnol usou igrejas e estrutura do MP para aumentar sua influência, mostram mensagens da VazaJato

O procurador da força-tarefa de Curitiba preparou um plano de agenda político-religiosa em todo o Brasil, desde 2015 e intensificada em 2018, ano eleitoral

Deltan Dallagnol. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Jornal GGN – O procurador da força-tarefa de Curitiba, Deltan Dallagnol, usou grupos de igrejas evangélicas para aumentar sua influência, com teor político, durante 2018. A revelação são das novas mensagens obtidas pelo The Intercept Brasil e divulgadas pela Agência Pública.

Dallagnol é membro da Igreja Batista do Bacacheri, em Curitiba, e teria usado a religião para aumentar sua influência política, de olho em candidatura ao Senado em 2018, mesmo tendo recusado a disputar as eleições. O espaço de grupos evangélicos já estava sendo usado pelo coordenador da força-tarefa para adquirir apoio à Lava Jato desde 2015, mostram as mensagens.

Mas no ano da disputa eleitoral, quando Jair Bolsonaro venceu o cargo da Presidência com amplo apoio das igrejas, Dallagnol participou de, pelo menos, 18 encontros com evangélicos, além da igreja, incluindo reuniões e palestras, em somente 3 meses, o que equivale a uma reunião por semana.

“Essa peregrinação foi planejada por ele em janeiro do ano passado e faz parte do seu projeto pessoal, conforme revelou a reportagem “Seria facilmente eleito” publicada pelo The  Intercept Brasil. Em reflexão consigo mesmo no Telegram, ele se viu dividido entre três opções: se candidatar ao Senado, deixar a carreira de procurador sem abraçar a política partidária ou continuar no cargo”, escreveu a APública.

Entre as três opções acima, o procurador teria escolhido permanecer na Lava Jato justificando que, caso contrário, haveria “riscos concretos à causa anticorrupção”. Mas não negou disputar as eleições: “Tenho apenas 37 anos. A terceira tentação de Jesus no deserto foi um atalho para o reinado. Apesar de em 2022 ter renovação de só 1 vaga e de ser Álvaro Dias, se for para ser, será. Posso traçar plano focado em fazer mudanças e que pode acabar tendo como efeito manter essa porta aberta”.

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A mensagem foi escrita em janeiro do ano passado, em mensagem enviada para si mesmo no Telgram. E, na sequência, admitiu que precisaria atuar politicamente para “aumentar a influência” e para isso, atuaria em “grupos de ação cidadão em igrejas e viagens”. Também “tem um risco de CNMP, mas é pagável”, ao se referir a possíveis sanções do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

Conforme alerta a APública, é compromisso dos membros do Ministério Público “atuar com imparcialidade no desempenho das atribuições funcionais, não permitindo que convicções de ordem político-partidária, religiosa ou ideológica afetem sua isenção”.

Para isso, preparou um plano de agenda político-religiosa em todo o Brasil, no ano eleitoral. Os encontros, conforme traçou a reportagem, não ocorreram restritamente no Paraná, mas também em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco em 2018; Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas, Brasília em 2016; e Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do SUl, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Fortaleza em 2015.

Tais reuniões com pastores e palestras dentro da Igreja ou de eventos da Igreja foram registradas nas mensagens do Telegram de Dallagnol com o pastor Marcos Ferreira, e no grupo “Novas Medidas – A Grande Chance”, de palestras.

O procurador tinha inclusive pessoas responsáveis por administrar a agenda da campanha de Dallagnol, entre elas Patrícia Fehrmann, do Instituto Mude – Chega de Corrupção, e duas funcionárias do MPF, que tinham que manter a agenda do procurador cheia.

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Mas o foco de Dallagnol foi além das igrejas evangélicas, porque ele tinha o objetivo de “expandirmos a rede de influência em cada viagem”, traz outro trecho de mensagem no chat. Assim, também foram contatados maçons, rotarianos, empresários e representantes de entidades patronais nas agendas de encontros religiosos, conforme mostra outras mensagens:

Outro fator que vai contra o código de ética do Ministério Público, Dallagnol utilizou bens do patrimônio institucional para atendimento de atividades de seu interesse, no caso essas palestras pessoais, usand as funcionárias e as salas para estruturar seu plano político. Além disso, as viagens não ocorreram durantes as férias de Dallagnol, ele mesmo tendo cogitado essa possibilidade, que acabou ocupando os dias úteis de trabalho como procurador para viajar.

“[Secretária], minha sugestão é amanha Vc trabalhar so no assunto palestras. As viagens de quinta e sexta precisam ser bem preparadas, do contrário perderemos o potencial. Fala com [Secretária2], que pedi pra Vc fazer so isso”, pedia Dallagnol para as funcionárias do MPF de Curitiba.

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6 comentários

  1. O guardião da lei vai tocar a manivela da matraca e soltar aquele “não comentamos sobre vazamentos criminosos etc e etc” mas as orelhas vão seguir ardendo, se é que resta alguma vergonha por lá

  2. Evangelico eh ARSENAL DE GUERRA do governo dos EUA.

    Acabei de postar no Sequeira, alias, que o ataque de Bolsonaro ao catolicismo -mas so os catolicos do Nordeste da Amazonia- eh o que evangelicos *fazem* por poder. Em qualquer pais do mundo.

    Eles sao demoniacos.

  3. DD é uma vergonha para o MPF, para a nação, para a humanidade e para a sua religião. Já demonstrava, quando mencionou jejuar para que algo de mal viesse a ocorrer a outrem.

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