Documentos apresentados por Tacla Durán indicam que Lava Jato plantou provas, por Joaquim de Carvalho

Durán na CPI

no Diário do Centro do Mundo

Documentos apresentados por Tacla Durán indicam que Lava Jato plantou provas

por Joaquim de Carvalho

O advogado Rodrigo Tacla Durán, que prestou serviços para a Odebrecht e denunciou a indústria da delação premiada na Lava Jato, entregou uma série de documentos para a CPMI da JBS, mas o relatório do deputado Carlos Marun, aprovado em dezembro, deixou de observar que esses papéis, periciados na Espanha, contêm pelo menos um indício de fraude na investigação do Ministério Público Federal.

Grande parte das acusações dos procuradores se baseia nos documentos encontrados nos sistemas Drousys e My Web Day mantidos em servidores da Suíça e Suécia até julho de 2016, quando o acesso foi bloqueado por ordem de autoridades suíças.

O Drousys era o sistema criptografado que a Odebrecht usava para transmissão de dados e comunicação. Já o My Web Day era a contabilidade real da empresa, com transações oficiais (legais) e não oficiais (ilegais), como propina. Desde que o acesso foi bloqueado, nenhum dado pode ser inserido ou alterado.

O Meinl Bank Antígua, que fazia as operações ilegais da Odebrecht, usava os mesmos sistemas e, igualmente, teve o acesso bloqueado depois da decisão das autoridades suíças. O bloqueio do acesso foi formalmente comunicado à Lava Jato pelo proprietário da FRA, que administrava o sistema mediante contrato com a Odebrecht e o Meinl Bank.

Na verdade, Odebrecht, Meinl Bank e FRA eram tentáculos de uma única organização. Luiz Eduardo da Rocha Soares, diretor da Odebrecht, era controlador do Meinl Bank e seu irmão, Paulo Sérgio da Rocha Soares, responsável pela empresa que administrava os sistemas de informação, a FRA.

Se o Drousys e My Web Day foram bloqueados em julho de 2016, como se explica que uma prova apresentada na denúncia contra Michel Temer tenha sido obtida do Drousys com a data de 16 de agosto de 2017? Das duas, uma: ou o sistemas continuou funcionando, ou o então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, mentiu na denúncia, com a apresentação de uma prova plantada.

Importante abrir parêntesis: se Janot, chefe do Ministério Público, apresentou prova plantada contra um ocupante da Presidência da República, imagine-se o que instituição seria capaz de fazer contra quem já não está mais no cargo, caso do ex-presidente Lula. Fecha parêntesis.

Há indícios de que os sistemas foram alterados antes mesmo do bloqueio aos sistemas, para impedir o rastreamento do dinheiro. Mas este é outro capítulo da história.

Agora, para eliminar qualquer dúvida sobre as acusações apresentadas pelo Ministério Público Federal, o mais importante é a conclusão da perícia solicitada pela defesa do ex-presidente Lula nos sistemas Drousys. Os advogados de Lula querem saber se houve adulteração nos registros.

Essa perícia, a cargo da Polícia Federal, deveria ser concluída em novembro, mas teve o resultado sucessivamente adiado. Até agora, não há no processo que investiga a negociação para a compra de um terreno supostamente destinado ao Instituto Lula nenhum resultado de perícia.

Caso se conclua que não houve adulteração nas cópias dos sistemas entregues pelas autoridades suíças, a situação de Rodrigo Janot ficará complicada. Ele apresentou prova falsa? Só no caso de Temer ou nas demais investigações da Lava Jato?

Cada vez mais fica evidente que, para o bem da Justiça, a verdadeira Justiça, seria necessário tomar o depoimento de Rodrigo Tacla Durán, que mandou fazer a perícia na Espanha nos documentos que apresentou para demonstrar que a Lava Jato tem mais furos do que queijo suíço.

O que o antigo advogado da Odebrecht tem em seus arquivos não bate com o que o Ministério Público Federal apresenta como prova na Justiça. As fontes são as mesmas, mas os documentos apresentados são diferentes. Alguém está mentindo e, no caso do Ministério Público Federal, mentiras desse tipo devem ser punidas com prisão.

Mas, no Brasil, quem investiga os investigadores?

 

Documentado apresentado pelo responsável pelos sistemas da Oderecht: nenhum acesso depois de julho de 2017

Janot apresenta extrato bancário de julho de agosto de 2017, extraído de um sistema bloqueado em julho de 2016: a prova é falsa?

 

24 comentários

  1. A foto da enéade dos procuradores de Curitiba,

    me lembra coral de igreja evangélica. DD, no centro, o chefe e maestro, já que sua garganta não o capacita para tenor.

  2. Meire Poza …
    Só lembrando da contadora de Youssef que afirmou que os policiais da PF precisavam “esquentar documentos” nas invasões que realizavam em casas de acusados, PF e FBI, a dobradinha do golpe.

  3. Este cara me lembra

    Este cara me lembra aquele traficante que foi pego com 100 kilos droga, mas esta preocupado em delatar oa policiais que teriam pego parte da droga.

     

    ele não se conforma e acha que o crime dele não existe ou é insignificante 

  4. Equívoco no entendimento do extrato
    O extrato de emissão recente (16/08/2017), refere-se a uma transação ocorrida em 31/01/2012. Não percebi erro no documento ou inconsistência com os relatos de bloqueio.

  5. Equívoco no entendimento do extrato
    O extrato de emissão recente (16/08/2017) demonstra uma transação ocorrida em 31/01/2012. Não percebi erro no documento, nem inconsistência com os relatos com a data de bloqueio da conta. Acesso para consulta não pode ser bloqueado, pois isto ocorreu exatamente para ser verificado/auditado. Aliás, todas as consultas devem estar sendo registradas por quem e quando foram feitas.

    • De fato foi um euivoco
      De fato foi um euivoco simples que um JORNAL não deveria cometer. Bloquear o sistema de ser utilizado nao o deixa bloqueado de acessar informacoes. E pelo ultimo documento éevidnte que o extrato foi feito de 2017 mas a transacao em 2012.

  6. Causa própria: A Justiça perde se o “golpe” perder

    O Judiciário tem a sua convicção e, ainda, faz parte do golpe, mas, ele não age apenas por consciência de classe (elite), mas pela sua própria supervivência. Golpistas sabem o fundamento da frase “com Supremo, com tudo”, de modo que é um risco se a opinião pública e também os “delatores” começassem a perceber que a lava-jato é fraudulenta e/ou que o Lula é perseguido. A mudança da opinião pública contra a lava-jato poderia estimular os delatores do outro lado (Cunha, Geddel, Aécio e outros) a abrir o jogo, delatando Juízes, como de fato tem sido noticiado. Por isso os tucanos são todos salvos e os seus processos arquivados, para sinalizar claramente qual é o lado ganhador. O caminho é a opinião pública.

  7. Apoio a lava jato
    Podem até estar protegendo alguém….Mas tem bandido preso. Cunha, Maluf….O 9 dedos já vai também.

    Chororó de perdedor. Bandido sempre diz que é inocente .

    Bolsonaro neles

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