Em sabatina no Senado, Moro é confrontado até por apoiadores da Lava Jato

Ministro depôs durante mais de oito horas na CCJ e, durante todo o período, repetiu não ver problemas no conteúdo das mensagens

Ministro da Justiça, Sérgio Moro, durante audiência na CCJ do Senado / Foto: Mídia Ninja

Do Brasil de Fato

Por Cristiane Sampaio

Foi entre faíscas e afagos que o ministro da Justiça, Sérgio Moro, foi sabatinado, nesta quarta-feira (19), no Senado Federal, em Brasília (DF). Ao longo de mais de oito horas, ele prestou esclarecimentos à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) a respeito das denúncias que vêm sendo feitas pelo site The Intercept Brasil.

O veículo publica, desde o último dia 9, uma série de reportagens que trazem conversas virtuais atribuídas a Moro em conjunto com procuradores da República a respeito da Lava Jato. Segundo os conteúdos, que o site afirma ter obtido por meio de fonte anônima, a equipe teria combinado entre si estratégias para a acusação de réus no âmbito dos processos da operação, incluindo o que levou à prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), há mais de um ano.

Na sabatina, citando a Constituição Federal e as normas que regem o exercício da magistratura, diferentes senadores confrontaram Moro ao abordar a troca de mensagens consideradas comprometedoras entre juiz e acusadores. “Aqui não se trata de ser contra ou a favor da Lava Jato. É elementar, no processo penal, o princípio da isonomia ou da paridade entre as partes”, sublinhou Fábio Contarato (Rede-ES), tradicional defensor da operação.

“Fico imaginando se fosse eu, delegado, que mantivesse contato pelo WhatsApp com o advogado do indiciado contra quem instaurei um inquérito e isso chegasse ao conhecimento do titular da ação penal, o Ministério Público (MP), e do Judiciário. Acho que eu sairia preso da delegacia”, provocou o parlamentar, que é delegado de polícia há 27 anos.

Ao longo do roteiro da sessão, o ministro repetiu que não vê problemas no conteúdo das mensagens. Ele dirigiu críticas ao Intercept, afirmando que o site estaria fazendo “sensacionalismo” e promovendo “falsos escândalos”. Também reforçou que celulares da equipe da Lava Jato teriam sido invadidos por hackers. Emparedado diante da impopularidade e da amplitude que o caso tomou, Moro optou por concentrar a maior parte das respostas no vazamento dos diálogos, acrescentando que a equipe da operação estaria sendo alvo de “um grande grupo criminoso”.

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“Ainda que tenha alguma coisa ali verdadeira, essas mensagens podem ter sido total ou parcialmente adulteradas”, afirmou, dizendo ainda “que a Polícia Federal irá fazer uma investigação dos vazamentos ‘com isenção’”, no que foi criticado por opositores, pelo fato de o órgão ser subordinado ao Ministério da Justiça. Ele também negou a existência de um conluio seu com membros do MP para prejudicar réus.

Teve centralidade ainda maior, no discurso do ministro, a defesa da Lava Jato. Ao citar números da operação, Moro disse que a força-tarefa “obteve uma quebra no padrão de impunidade que há no Brasil” e que “tudo foi sempre avaliado com base nas provas, nos requerimentos”.

“O discurso é o de se escudar por trás da Lava Jato e não falar sobre o que veio falar aqui. Não está em jogo a Lava Jato, mas a sua conduta diante dela”, reagiu o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), em um dos momentos de maior alvoroço da audiência.

As críticas da oposição e de outros senadores se revezaram com acenos positivos de aliados de Moro, que foi defendido por parlamentares como Marcos do Val (Cidadania-ES), Soraya Thronicke (PSL-MS), Juíza Selma (PSL-MT) e Marcos Rogério (DEM-RO). Vice-líder da bancada do DEM, este último chamou de “retórica política” o discurso dos que alvejaram a conduta do ministro. “Não são seres anormais. São seres humanos e podem cometer erros”, amenizou, ao fazer referência à equipe da Lava Jato.

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Lula

Ao citar mensagens segundo as quais o juiz teria ajudado a orientar a defesa, o líder do PDT na Casa, senador Weverton (PDT-MA), levantou, logo no início da sessão, um dos principais pontos de tensão da audiência. Lembrando o caso de Lula, ele destacou o “protagonismo do então juiz” e o questionou sobre as normas do ordenamento jurídico, que impedem esse tipo de conduta.

“O senhor, recentemente, foi ver um jogo do Flamengo aqui em Brasília. O que diria se o juiz desse jogo combinasse com um jogador pra ele cair na área e dar um pênalti e, logo em seguida, o senhor olhasse esse juiz vestindo a camisa do outro time? O senhor julgou e condenou o ex-presidente Lula, líder da esquerda no Brasil. Com ele condenado e preso, surgiu um antiLula, o líder da direita Bolsonaro. Depois disso, o senhor aceitou ser ministro dele. Não acha que sua postura maculou suas decisões como juiz?”, completou o senador.

Moro disse ter sido “sondado” por Paulo Guedes antes do segundo turno sobre a possibilidade de aceitar um convite para comandar o Ministério da Justiça. Ele sustentou que, na época, ainda não conhecia Bolsonaro e que viu no convite uma oportunidade de consolidar o que chamou de “avanços anticorrupção”.

O ministro também foi confrontado em outros aspectos que envolvem o ex-presidente, como é o caso de uma suposta relação com os desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) que julgaram o caso do triplex. Ele foi questionado pelo senador Rogério Carvalho (PT-SE) se teria se relacionado “de alguma forma” com os magistrados.

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Reativo, o ex-juiz disse que nunca conversou “sobre dosimetria de penas” com os desembargadores e que o parlamentar estaria fazendo “acusações graves” ao Tribunal.

Cenário

Como a ida de Moro ao Senado ocorreu após o ministro se colocar à disposição para a sabatina, ele não foi ouvido na condição de testemunha ou de investigado. A presença do mandatário na Casa, no entanto, é considerada um desafio político para ele e a gestão Bolsonaro.

A permanência de Moro no cargo tem sido questionada por diferentes segmentos sociais e entidades, incluindo a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que pediu o afastamento do ministro. Esse fator, somado às fragilidades do atual governo, que ainda não consolidou uma base de apoio no Poder Legislativo, engrossou o caldo da denúncia trazida pelo Intercept.

Diante disso, o entendimento, nos bastidores do Congresso, é de que, ao se oferecer para uma audiência no Senado, Moro tentou evitar um desgaste político maior em caso de uma eventual convocação – situação em que o depoente é obrigado a comparecer à Casa.

Já na Câmara dos Deputados, onde a oposição costuma atuar de forma mais incendiária e incisiva, a ordem entre os parlamentares é esperar um maior enfraquecimento da figura do ministro para, depois, articular uma convocação. A estratégia está intimamente ligada ao ritmo da série de reportagens do Intercept, que ainda deverá publicar novos materiais.

Edição: Vivian Fernandes

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5 comentários

  1. Este camarada travestido de ministro entregou tudo o que a CIA pediu e, para tal, inventou a LavaJato para impedir Lula de concorrer, destruir a Petrobras e a indústria da construção civil, além de entregar toda a documentação técnica do submarino nuclear brasileiro, em construção em Itaguaí.
    Isto feito, passou a se considerar um deus, quando nunca foi além de agente duplo, e assim chegou a ministro com o STF no horizonte. Já existiu algum advogado tão medíocre ocupando um assento no STF, advogado que tropeça frequentemente no seu próprio idioma?
    E anda se sugere o adiamento da sessão do STF que determinará a instalação, ou não, de CPI sobre este calhorda. Este Judiciário consegue piorar a cada dia que passa, os “novos procedimentos” inventados pelo “adevogado” quase delinquente ainda causarão muitos estragos, não ao sempre inimputável andar de cima, mas à sociedade brasileira.
    Triste país, à mercê de uma meia dúzia disposta a tudo para aniquilar completamente com os cidadãos comuns, isto é, aqueles que andam de metrô ou ônibus, aqueles que pagam aluguel ou prestação dó imóvel comprado com suor e sangue, aqueles que se socorrem do SUS, aqueles que têm filhos estudando em escola pública, e por aí vai, aqueles que, vez por outra, se socorrem com o cheque especial à base de 10% a.m. – não são menos de 120 milhões de brazucas a viverem desta maneira.
    O “adevogado” contribuiu bastante para acelerar a desgraça deste vasto grupo que, para ele, não passa de uma sombra, é como se não existisse.

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  2. O momento é da separação do joio do trigo. A sabatina no CCJ separa claramente o JOIO DO TRIGO.

    Não haveria momento mais oportuno e melhor para terem sido feito isso.

    E O JOIO PARECE SER A MAIORIA NO SENADO FEDERAL.

  3. “Moro disse ter sido “sondado” por Paulo Guedes antes do segundo turno sobre a possibilidade de aceitar um convite para comandar o Ministério da Justiça”:

    Mentira. Aa epoca, ninguem jamais tinha ouvido falar de Guedes, e o “poder” dele pra “oferecer” esse emprego ia de zero a nenhum.

    Houve a oferta sim. Mas nao de Guedes.

  4. O PT “”SEMPRE FOI A FAVOR DA LAVA-JATO E DO COMBATE A CORRUPÇÃO, DIA A QUEM DOER COMO DISSE A DILMA”” mas o PT “”SEMPRE FOI CONTRA A FORMA QUE O SÉRGIO MORO CONDUZIU A LAVA-JATO, DESVIANDO ‘A FUNÇÃO DA OPERAÇÃO DE COMBATE A CORRUPÇÃO’, PARA FINS POLÍTICOS DE INTETESSE DELE; EM QUE DECIDIU QUEM IRIA SER PUNIDO E QUEM NÃO IRIA SEQUER SER INVESTIGADO””.

  5. Dei boas gargalhadas com as elocubrações de alguns. Também imagino que esse tal de Moro seja um espião alienígena a serviço de algum planeta distante. Tudo é possível, vejam que tem um modo peculiar de falar como se tivesse aprendido a pouco tempo. Façam um raio x e verão que talvez não tenha nem órgãos em seu corpo. É muito esquisito e deve estar nesse planeta contratado pelos imperialistas do Norte.

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