Folha confirma existência de alto comando na Lava Jato

Jornal GGN – De acordo com a Folha de S. Paulo, investigadores da Lava Jato afirmam que Rodrigo Janot, procurador-geral da República, foi avisado e deu aval para divulgar os grampos das conversas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva antes do pedido do fim do sigilo das investigações. A Procuradoria-Geral da República nega que tivesse conhecimento dos áudios antes de sua divulgação, na última quarta-feira (16).

Os investigadores de Curitiba dizem que foram avisados primeiramente integrantes do grupo da PGR sobre a existência e o contéudo das gravações, informação que teria sido levada imediamente para Janot, que está em viagem oficial pela Europa. De lá, ele teria autorizado o pedido do fim de sigilo sobre os grampos do ex-presidente. Leia mais abaixo:

Da Folha

Janot deu aval para divulgação de áudios de Lula, dizem investigadores

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, foi avisado e deu aval para a divulgação das conversas telefônicas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva antes de pedirem o fim do sigilo sobre a investigação do petista, segundo a Folha apurou junto a investigadores da Lava Jato.

Indagada, a Procuradoria-Geral da República negou que tivesse conhecimento da existência dos áudios antecipadamente, isto é, antes de eles virem a público na última quarta (16). Os áudios elevaram a temperatura política da crise e levantaram a suspeita de que Dilma e Jaques Wagner, então chefe da Casa Civil, podem ter agido para blindar o petista.

Segundo a Folha apurou junto a investigadores de Curitiba, primeiro foram avisados integrantes do grupo da PGR sobre a existência e o conteúdo geral dos áudios envolvendo Lula. A informação teria sido imediatamente levada a Janot, que, da Europa, onde está em viagem oficial, teria dado o sinal verde para procuradores de Curitiba pedirem o fim do sigilo sobre o conteúdo dos grampos do ex-presidente.

Segundo um dos investigadores, Janot não foi informado da existência do telefonema dado pela presidente Dilma a Lula, ocorrido às 13h32 da quarta (16), porque ele ainda não havia sido juntado aos autos pela Polícia Federal.

Na conversa, a presidente ligou para o antecessor e combinou a entrega do termo de posse de Lula como ministro na Casa Civil, o que foi interpretado como uma manobra para proteger o ex-presidente da possibilidade de prisão pelo juiz Sergio Moro.

Janot, contudo, teria sido avisado das linhas-gerais dos conteúdos das outras conversas de Lula e deu aval para que a força-tarefa de Curitiba pedisse ao juiz Moro o fim do sigilo e a remessa dos autos à Procuradoria-Geral da República.

O pedido da força-tarefa foi protocolado na Justiça Federal de Curitiba às 13h39 e Moro decretou o fim do sigilo dos autos às 16h21 da mesma quarta-feira –pouco depois da PF anexar o áudio da conversa entre Lula e Dilma.

A colisão de versões entre a força-tarefa de Curitiba, que não agiu sem o conhecimento e a anuência de Janot, e o procurador-geral, que nega conhecimento prévio dos grampos, se dá em torno de áudios cuja legalidade está sendo questionada.

A conversa entre Dilma e Lula foi gravada após o juiz Moro ter determinado o fim das interceptações. No caso de Wagner, então chefe da Casa Civil e detentor de prerrogativa de foro no STF (Supremo Tribunal Federal), as primeiras interceptações em que aparece são do fim de fevereiro.

A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) também afirma que a quebra de sigilo telefônico do advogado de Lula, Roberto Teixeira, autorizada por Moro, viola as prerrogativas da advocacia e pode anular o grampo. 

57 comentários

  1. A justiça sempre tão elitista

    A justiça sempre tão elitista até na seletividade da chamada “opinião pública”. Hoje parte dessa opinião se manifestou, mas e daí? A mobilização de rua é importante, entretanto, nesse momento seria necessário alguém de coragem para gritar ” parem essa porra! “. Uma personagem orgânica, de dentro dessa estrutura de poder, um ministro do supremo, um prestigiado empresário, etc, que agregasse em torno de seu brado outras vozes dissonantes e pronunciadoras de bom senso e legalidade. Alguém com disposição e ficha limpa para enfrentar as chantagens da república de Curitiba e da REDE GLOBO. Mas, quem seria? Assim não sendo possível, somente nos restará a opção de confronto pós golpe. Cientes que todo aparato repressivo do Estado os representa. Tempos sombrios estão por vir.

  2. jamais um golpe teve os

    jamais um golpe teve os promotores dessas infamias esclareecidas

    tão escrachadas pelos próprios golpistas….

    até dá a impressão de que o lula se deixou grampear para,

    por tabela, esculachar todos eles…

  3. Janot e a legalidade.

    Com a arrogância de quem já deu o golpe, Janot  diante da ilegalidade de gravar e divulgar gravação da Presidência da Republica, e ultrapassando todos os limites do seu cargo vem a publico afirmar que foi ele sim que decidiu o que podia ou não ser vazado. Isto não é prerrogativa de um procurador geral, como não é prerrogativa de um procurador geral entregar documentos sobre empresas e processos a advogados de acionistas nos Estados Unidos.  Quais são os limites legais para um Procurador Geral? Pode um procurador geral decidir o que vai ser vazado ou não, mesmo quando sequer sabe da legalidade do grampo. Um procurador geral do Ministério Publico, não deveria agir em defesa do cidadão. Ou será que  um membro do Ministério Publico se tornou promotor de acusação?  Pode um membro do ministério publico, isto é , na posição máxima do ministério publico promover a divulgação de fofocas e participar  de uma intriga política, com fins claramente golpistas, continuar neste cargo. O cargo não lhe pertence. O cargo lhe foi concedido e ele esta usurpando poderes. Por uma questão apenas pessoal se esmera em manter Cunha sob controle.  Algo me diz que Janot  é bem mais do que apenas cappo da Lava Jato. Me parece que suas ações na destruição de empresas nacionais, e o controle sobre Cunha e assim como sobre um mundo de políticos, e mais suas relações com os interesses geopolíticos, fazem dele a criatura mais perigosa deste processo todo. Janot vem controlando os processos e alimentando o golpe.

    Mas agora eu espero que a lei seja maior. Agir para deliberadamente vazar uma conversa da presidente da Republica é crime, e se ele veio a publico na tentativa de salvar seu acólito, Sergio Moro, ele também cometeu crime. Veremos agora se o Conselho Nacional de Justiça, esta na mão de justos , ou apenas de figuras explicitamente parciais, e mal intencionadas, ou figuras amedrontadas Ainda creio que a maioria do Supremo vai se ater a lei.

    • Constituição Federal

      O  PRESIDENTE  DA   REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

      Art. 1º A interceptação de comunicações telefônicas, de qualquer natureza, para prova em investigação criminal e em instrução processual penal, observará o disposto nesta Lei e dependerá de ordem do juiz competente da ação principal, sob segredo de justiça.

      Parágrafo único. O disposto nesta Lei aplica-se à interceptação do fluxo de comunicações em sistemas de informática e telemática.

      Art. 2° Não será admitida a interceptação de comunicações telefônicas quando ocorrer qualquer das seguintes hipóteses:

      I – não houver indícios razoáveis da autoria ou participação em infração penal;

      II – a prova puder ser feita por outros meios disponíveis;

      III – o fato investigado constituir infração penal punida, no máximo, com pena de detenção.

      Parágrafo único. Em qualquer hipótese deve ser descrita com clareza a situação objeto da investigação, inclusive com a indicação e qualificação dos investigados, salvo impossibilidade manifesta, devidamente justificada.

      Art. 3° A interceptação das comunicações telefônicas poderá ser determinada pelo juiz, de ofício ou a requerimento:

      I – da autoridade policial, na investigação criminal;

      II – do representante do Ministério Público, na investigação criminal e na instrução processual penal.

       

      Art. 4° O pedido de interceptação de comunicação telefônica conterá a demonstração de que a sua realização é necessária à apuração de infração penal, com indicação dos meios a serem empregados.

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