A 10ª Vara Federal Brasília autorizou a soltura de Walter Delgatti Neto, conhecido como hacker da Vaza Jato, nesta segunda-feira (10).
Mesmo em liberdade, ele ainda deverá prestar uma série de contas à Justiça: além do uso da tornozeleira eletrônica, Delgatti terá de apresentar um relatório mensal ao e-mail do delegado com local, horário e atividades desenvolvidas na internet, informar o endereço residencial atualizado e avisar a polícia se tiver de sair o estado de São Paulo por mais de 48 horas.
O anúncio da soltura foi divulgado por Ariovaldo Moreira e Matheus Moreira, advogados do hacker, preso desde o fim de junho.
Lava Jato
Delgatti ficou conhecido como ‘hacker de Araraquara’, após invadir as conversas entre membros da Lava Jato no aplicativo de mensagens Telegram.
Nelas, o ex-juiz Sergio Moro indicou aos procuradores de Curitiba os rumos que as investigações da força-tarefa deveriam tomar. Todos os envolvidos negam a autenticidade das mensagens. O episódio deu início a uma marcha que enterrou a Lava Jato, até então apoiada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O hacker foi preso em 2019, na Operação Spoofing, mas recebeu autorização para responder em liberdade, desde que não infrigisse algumas condições, entre elas a de não usar a internet de forma alguma.
Medo de delação
No entanto, o próprio Delgatti anunciou que era o responsável pelo site e redes sociais da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), fez compras on-lide e usou um e-mail como chave ppix para receber doações. Ele também não informou o próprio endereço à Justiça.
A detenção do hacker deixou os bolsonaristas preocupados, pois Delgatti poderia fechar uma delação premiada.
Afinal, o hacker tem histórico. Ainda em agosto de 2022, em pleno período eleitoral, Delgatti revelou que foi levado por Zambelli ao encontro de Bolsonaro na residência oficial do presidente, na época interessado em saber detalhes das urnas eletrônicas.
Delgatti também é acusado de invadir os sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para incluir um falso mandado de prisão expedido pelo ministro Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), contra si mesmo.
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