Investigação secreta da PM muda rumos do ‘Caso Bodega’

Crime ocorrido há 23 anos é considerado um dos grandes erros de investigação da polícia paulista

Foto: Reprodução

Jornal GGN – O inconformismo de um anônimo e o trabalho de bastidores da Polícia Militar trouxe à tona a inocência das pessoas presas e torturadas, além da identidade dos verdadeiros criminosos, durante o roubo ao bar Bodega, localizado na zona sul de São Paulo. O caso ficou marcado como um dos maiores erros de investigação por parte das autoridades paulistas.

Reportagem publicada no jornal Folha de São Paulo apontou também as semelhanças do caso com o que ocorre na série “Olhos que Condenam”, à disposição no site de streaming Netflix, que conta a história de cinco adolescentes negros presos por um crime que não cometeram, mas que acabaram confessando após uma série de torturas físicas e psicológicas.

Os jovens tiveram seu destino mudado diante do posicionamento de Vivaldo Olímpio da Costa, então com 23 anos e o principal segurança do Bodega. Ao afirmar que os garotos envolvidos não eram os negros que tinham sido colocados como alvo, Vivaldo passou de colaborador a suspeito e até sofreu ameaças de prisão preventiva.

Contudo, ao entrar em contato com um amigo que era soldado da PM, ele foi levado à sede do Batalhão e repetiu tudo o que disse na fase inicial do processo. Assim, a equipe de P2 (o serviço reservado da PM) começou a levantar informações sobre o caso, e praticamente todas as vítimas e funcionários ouvidos, com exceção de uma testemunha, não reconheceram os primeiros rapazes presos, que eram negros e jovens, ao contrário dos primeiros suspeitos.

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A recusa do promotor Eduardo Araújo da Silva em receber a conclusão do processo, como sua exigência em soltar os jovens, foi alvo de muitas críticas até mesmo do Conselho Superior do Ministério Público, já que os suspeitos assumiram a culpa no Fantástico, da TV Globo.

O caso foi passado ao Departamento de Homicídios (DHPP), que em uma semana esclareceu todo o crime. Os reais culpados foram presos dias depois, com parte do dinheiro e dos objetos roubados. Todos foram condenados a penas entre 30 e 48 anos de prisão, mas os delegados responsáveis pela prisão de inocentes não foram punidos pela Corregedoria da Polícia Civil.

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4 comentários

  1. Por essas e outras que fico em dúvida quando falam em unificar as polícias.
    Se não fosse o interesse da PM em não permitir que uma injustiça fosse feita, esses rapazes estariam presos até hoje.
    Outra coisa: unificando as polícias, quem fiscaliza quem?

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    • A unificação das policias investigativas e coibição é um sonho da maioria dos brasileiros. teria como base o Sistema americano de policias onde o ‘Capitão’ seria uma espécie de delegado e coordenaria seus detetives que seriam advindos das forças de coibição. Ou seja, os melhores se tornariam investigadores e por aí adiante.
      A verdade é que as investigações perpetradas pelas policias militares advem de uma certa disputa por território e por tentarem mostrar que ‘eu faço melhor’!

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    • A questão é que o que acontece em São Paulo não acontece em todos pós Estados. Não tinha, à época desta discussão, opinião formada sobre o assunto, mesmo hoje não tenho, mas se o sistema funciona em outros países, porquê não tentar!?

  2. Taí porque cafajestes do judiciário e do ministério público se rebelavam contra a lei de abuso de autoridade. Pois com ela há chance desses vermes serem punidos, desde que outra instância, a Midia, também sofra punições por seus erros e safadezas. Afinal, a pergunta que se faz é quem será punido exemplarmente, com perda de cargos públicos e cadeia, se um dia Lula conseguir livrar-se da pena que os cafajestes de primeira e segunda instância lhe aplicaram, sem provarem nada. E quando os cafajestes da imprensa também serão punidos com cadeia e com perda de direitos de continuarem fazendo jornalismo de conveniência, aliás, de exercerem profissão de jornalistas, já que não são nada disso e sim simplesmente cafajestes.

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