Janot admite abusos da Lava Jato de Curitiba em livro; defesa de Lula usará trecho

Uma das contradições exposta no livro será usada pela defesa do ex-presidente Lula para atestar a suspeição dos investigadores Lava Jato contra ele

Jornal GGN – Além de diversas polêmicas e revelações pessoais, o livro do ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, traz contradições que desmentem e tiram a credibilidade da força-tarefa de Curitiba perante ao órgão e aos processos da Lava Jato na Justiça. Uma dessas contradições será usada pela defesa do ex-presidente Lula para atestar a suspeição dos investigadores Lava Jato contra ele.

Trata-se de um episódio, narrado no livro de memórias de Janot, em que o então PGR conta que confrontou os integrantes da Lava Jato de Curitiba por terem ignorado as determinações do Supremo Tribunal Federal (STF) na condução da investigação do caso triplex do Guarujá. O caso foi exposto no Painel da Folha desta quarta-feira (02).

O então comandante do Ministério Público teria sido procurado pelo coordenador da força-tarefa, Deltan Dallagnol, e outros procuradores, pressionando que ele denunciasse Lula antes de outros réus da Lava Jato, dias após a força-tarefa ter denunciado o ex-presidente, no dia 14 de setembro.

“Dallagnol e os demais colegas tinham vindo cobrar uma inversão da minha pauta de trabalho. Eles queriam que eu denunciasse imediatamente o ex-presidente Lula por organização criminosa, nem que para isso tivesse que deixar em segundo plano outras denúncias”, relata Janot.

O objetivo dessa pressão era uma forma de validar, na PGR, as acusações dos procuradores de primeira instância contra Lula. “O ministro Teori excluiu expressamente a possibilidade de vocês investigarem e denunciarem Lula por crime de organização criminosa, que seguia no Supremo. E vocês fizeram”, teria respondido o então PGR aos procuradores de Curitiba.

Leia também:  Dallagnol processa União para ser indenizado por Gilmar Mendes

Dessa forma, segundo o que narra Rodrigo Janot em seu livro, a Lava Jato de Curitiba desobedeceu uma ordem da Suprema Corte, nas próprias palavras do então procurador-geral. Mas contraditoriamente, na época, os advogados de Lula chegaram a questionar ao então relator da Lava Jato no Supremo, o ministro falecido Teori Zavascki, sobre a investigação dos procuradores na primeira instância, mas Janot, como PGR, defendeu os procuradores.

O questionamento da defesa, no dia 16 de setembro, era que o ex-presidente estava sendo investigado pelo mesmo fato em duas instâncias diferentes, a primeira de Sergio Moro e o Supremo. Janot desqualificou o argumento dos advogados de Lula. “Vocês desobedeceram à ordem do ministro”, disse expressamente Janot, no livro, em suposto diálogo entre ele e Dallagnol.

Em resposta, o advogado Cristiano Zanin Martins ressalta que a relação entre Janot e os procuradores da Lava Jato de Curitiba permitiu que irregularidades e “abusos” ocorressem na condução dos processos. “Todos os abusos identificados e formalizados por meio de recursos no Judiciário não prosperaram porque havia essa dinâmica interna”, disse Zanin.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

2 comentários

  1. Janot mente. O que ele disse foi “ah, voces desobedecerem uma ordem do supremo, deixa estar pra ver como eh que fica, eu dou cobertura”.

    E tem uma chance muito boa do inteligentissimo Dallagnol ter documentado isso tambem.

    A ver… nao eh, Intercept?

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome