No Senado, PGR diz que combate à corrupção está garantido

"Nós, da PGR, não cuidamos de fins, mas de prover meios para um combate eficiente à macrocriminalidade", disse Aras

Procurador-Geral da República, Augusto Aras - Foto: Isac Nobrega/PR

Jornal GGN – Após a fala do procurador-geral da República, Augusto Aras, de que é preciso “corrigir rumos” para que “o lavajatismo não perdure”, uma nova onda de confronto entre os defensores do modus operandi criado em Curitiba foi aberta.

Enquanto que no Congresso, a bancada que defende a Operação Lava Jato mostrou reações às falas de Aras, o procurador tentou explicar na audiência fechada, nesta quarta-feira (29), que o combate à corrupção estaria garantido durante a sua gestão no Ministério Público Federal (MPF).

Os senadores pró-Lava Jato que participaram da reunião afirmaram que a conversa foi “amistosa”, entretanto, não se sentiram satisfeitos com as posições do PGR.

“As manifestações e ações do PGR militam contra o combate à corrupção, enfraquecem a credibilidade do próprio MPF e foram objeto de críticas por parte dos senadores que questionaram diretamente ao procurador-geral sobre o conteúdo de várias ilações que ele vem ventilando na imprensa e em reuniões reservadas”, disse Alessandro Vieira (Cidadania-SE).

“Não podemos permitir esta inversão absurda que pretende absolver todos os que foram condenados pela Lava Jato e ao mesmo tempo condenar todos os responsáveis pela existência desta operação”, afirmou Oriovisto Guimarães (Podemos-PR).

Os parlamentares afirmaram que Aras minimizou as declarações feitas contra a força-tarefa de Curitiba, de que eles têm dados de 38 mil pessoas, atuando “com caixas de segredos”, referiu-se à Lava Jato como o “MPF do B”, e que era preciso “corrigir rumos” dentro da Procuradoria.

“A Lava Jato é um marco no processo de combate à corrupção. Levaram para a cadeia grandes ladrões de colarinho branco que dilapidaram nosso país. O fim [da operação] só interessa aos malfeitores”, atacou o senador Major Olimpio (SP).

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Na reunião fechada, contudo, o PGR negou que a medida tenha relação com o combate à corrupção. “O procurador-geral não pretende se imiscuir na atividade-fim, que é onde se situa a independência funcional. Nós, da PGR, não cuidamos de fins, mas de prover meios para um combate eficiente à macrocriminalidade”, disse Aras.

Também participou do encontro o vice-procurador-geral da República, Humberto Jacques de Medeiros, que disse aos senadores que “o processo que estamos passando não é de extinção” das forças-tarefas, mas “de institucionalização”.

Esse processo, explicou, será feito por meio de edital, já aberto na última sexta-feira, para que membros de todo o MPF possam se candidatar para colaborar com os grupos de combate à corrupção, o que, segundo Medeiros, “demonstra o compromisso da administração”.

 

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