O lugar dado a Moro e à Lava Jato é acima da lei, por Janio de Freitas

‘Lei manda juiz agir às claras, mas a prática e Moro é a do subterfúgio, da conspiração, da perseguição sub-reptícia ao réu’

Ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Jornal GGN – O ministro da Justiça Sergio Moro reconheceu publicamente, e em duas ocasiões, a veracidade dos diálogos revelados entre ele, quando juiz responsável por julgar os casos da Lava Jato, e o coordenador da força-tarefa da Lava Jato, o procurador Deltan Dallagnol.

A primeira vez aconteceu no dia seguinte da primeira matéria da série de revelações que está sendo promovida pelo The ​Intercept Brasil, quando Moro disse: “Quanto ao conteúdo, eu não vi nada de mais”.

A segunda vez em que Moro acabou admitindo a autenticidade das mensagens, foi quando compareceu no Senado para dar explicações sobre o tema. Quando o ministro foi perguntado, especificamente, sobre a orientação que passou para Dallagnol de uma testemunha que poderia incriminar Lula, respondeu: “Eu recebi aquela informação e aí foi até um descuido meu, apenas passei pelo aplicativo”.

“É o reconhecimento inequívoco, e a um só tempo, da autenticidade da gravação, das frases registradas e, ainda, da participação ilegal do juiz nas investigações contra um réu”, escreve Janio de Freitas na coluna deste domingo (30), na Folha de S.Paulo.

O articulista ressalta que, ao mesmo tempo em que as revelações do site The ​Intercept Brasil lançam luz sobre a prática ilegal de um juiz auxiliando o órgão acusador da ação, fica também cada vez mais nítida a relação de cinismo no sistema político-jurídico brasileiro.

“Discreto como convém, o Conselho Nacional do Ministério Público arquivou a representação pelo necessário exame da conduta do procurador Dallagnol revelada pelo site The ​Intercept Brasil. Na argumentação engavetadora, o corregedor Orlando Rochadel Moreira sustenta que a veracidade das gravações não pode ser comprovada, e Moro e Dallagnol ‘não reconhecem os diálogos utilizados’”, pontua Janio.

“O apressado arquivamento é contra a tentativa devida”, completa o colunista. Janio destaca que quando Moro admitiu pela primeira vez a troca de mensagens com Dallagnol, se referindo a elas como “nada de mais” o ministro se sustentou em dois artigos da Lei de Ação Civil, segundo o qual um juiz pode “comunicar ao Ministério Público” o “conhecimento de fatos que podem constituir crime ou improbidade administrativa”.

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“Pois sim. Foi mais uma saída de má-fé a juntar-se ao histórico de Moro nesse gênero. Ele omite que essa comunicação, por exigência da mesma lei, seja feita formalmente nos autos. Assim o juiz agirá às claras, para conhecimento da acusação e da defesa, preservada a imparcialidade judicial. A prática de Moro, ao contrário, é a do subterfúgio, da conspiração, da perseguição sub-reptícia ao réu”, ressalta Janio.

“Ao desconsiderar essas evidências, além de muitas outras da trama de juiz e procurador, o corregedor Rochadel também não saiu da normalidade. O lugar dado a Moro e à Lava Jato é acima da lei, dos tribunais, dos conselhos, da ética, de nós outros”, completou o analista. Para ler a coluna de Janio de Freitas na íntegra, clique aqui.

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10 comentários

  1. Comparação dos protestos contra os cortes na educação e as manifestações a favor do Sérgio Moro: enquanto as manifestações ocorreram em mais de 200 cidades, segundo o levantamento do G1,as manifestações a favor de Moro ocorreram em apenas 64 cidades.Em outras palavras,as manifestações a favor de Sérgio Moro foram um fiasco quando comparadas com as manifestações contra os cortes na educação.
    A casa da lava jato caiu,a festa acabou.Agora Sérgio Moro vai para a prisão e Lula irá ser libertado.

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  2. “…é apenas um sintoma, uma filha bem nutrida da relação incestuosa entre nosso complexo de vira-lata e a cadela do fascismo sempre no cio, sua irmã mais velha…” Gustavo Conde. Uma Matéria Libertadora. ‘ Conheceis a verdade. E a Verdade Vos Libertará ‘. Apenas um senão, sobre a visão que finalmente começa a enxergar o País em toda sua dimensão. Paridos não foram, apenas Bolsonaro’s, Helenos, Dellagnol’s, Moro’s,…O Estado Ditatorial Absolutista Fascista gerou toda uma história e personagens de enorme sucesso. A Latrina Tupiniquim é um Projeto Vencedor que projeta sua Elite desde Getúlio Vargas, passando por JK, Tancredo Neves, Adhemar de Barros, Magalhães Pinto, ACM, FHC, Mario Covas, Brizola, João Goulart, Franco Montoro, Lula,…Chegamos ao Absurdo e a Barbárie? São 88 anos de um Projeto de enorme sucesso. O Brasil de muito fácil explicação.

  3. Tivemos a “sorte” de ter sido Bolsonaro o escolhido…
    Se tivesse sido eleito, o candidato escolhido pelo golpe, não haveria a “Vaza Jato”, e a “sensibilidade e astúcia” do PSDB conduziria “as massas” com maior habilidade…
    É processo mundial onde em meio a tanta tecnologia, a idade média teima em ter assento no dias atuais de várias forma e maneiras, e essa volatilidade entre o avançado e o absurdamente atrasado é por que estamos em uma era de transição…
    E isso é mais dramático aqui.
    Temos a oportunidade de conduzir a humanidade a um novo tempo, reafirmando valores civilizatórios, ou cairmos de tal forma que nem a nossa geração será lembrada.
    O Brasil é a porta.
    Pensei que a data-limite, intuída por Chico Xavier, para este mês viria com surgimento de óvnis ou coisa parecida…
    Ledo engano…
    A data-limite começa aqui com a Farsa Jato e se o Brasil conseguir reafirmar os princípios da Justiça e da Verdade, seremos a nação simbolo, assim como foi a França na época de sua revolução.
    A escolha é nossa, o ministério público está entre a Verdade e a mentira, entre Deus e o Diabo – nada mais medieval que isto!
    Poderemos seguir adiante ou fraquejar como antes…

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  4. A força tarefa da Lava-Jato afirmou, em nota, que “reconhece como ilegítimo o material publicado, salientando novamente sua origem criminosa, alertando haver fortes indícios de edição de nomes de interlocutores e datas nas supostas mensagens”.

    Antes, a lava jato não reconhecia a legitimidade do material publicado. Agora os Jatoeiros mudaram e passaram a reconhecer a ilegitimidade do material publicado. Afirmam que há indícios de que os diálogos podem ter sido adulterados mas não apresentam qualquer prova desses indicios.

    Eles estão, sorrateiramente, tentando retratar a confissão feita logo após os vazamentos e agora confirmadas por um procurador da Lavabosta.

  5. De acordo com o $érgio Moro, mensagens divulgadas são “um balão vazio, cheio de nada”.

    Igual àquele boneco inflável do Zorra Total?

  6. fora da lei, acima da lei, de deus e de todos…
    a lei atual legitima absurdos do estado de exceção…

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