Os bastidores da demissão de Diogo Castor

A advogada Tania Mandarino fala com os jornalistas Luis Nassif e Marcelo Auler sobre processo que envolveu ex-procurador

O ex-procurador Diogo Castor. Foto: Reprodução/Twitter @DiogoCastor

O caso envolvendo o ex-procurador Diogo Castor foi tema da TV GGN 20 horas desta sexta-feira (28/01), onde os jornalistas Luis Nassif e Marcelo Auler conversaram com a advogada Tania Mandarino.

Sobre os dados de covid-19 no Brasil, foram registrados 269.968 casos no Brasil nesta sexta-feira. A média diária semanal chegou a 183.289, alta de 55,6% ante sete dias e de 169% ante 14 dias. Quanto aos óbitos, 799 pessoas perderam a vida para a covid-19. A média diária semanal chegou a 474, alta de 87,9% ante sete dias e de 241% em relação a 14 dias.

O fim melancólico da Operação Lava-Jato foi tema de comentário de Nassif. “A Lava-Jato está sendo jogada ao mar – os jornalistas que apoiaram tentam se desvencilhar dessa herança pesada, ministros que endossaram agora se calam…”

“É uma coisa deprimente e mostra o seguinte: quando você sai do campo institucional, do campo das leis e da Constituição – e é bom que a gente está vendo agora nesses embates entre o Supremo e Bolsonaro – não adianta ter a boa intenção”, diz Nassif. “Se você sai do campo institucional e permite esbirros de autoridades, sejam de ministros do Supremo, seja de Executivo, dá caca lá adiante”.

Nassif lembra que, quando a operação Lava-Jato foi criada, todo o sistema político e institucional brasileiro foi desestruturado – criando um vácuo que deu margem aos oportunistas.

“E os oportunistas não são meramente aquelas pessoas – jornalistas com má formação, com maus princípios. Pegou todo mundo – ministros do Supremo que achavam que tinham se tornado grandes lideranças, procuradores, pessoal de AGU, pessoal de TCU, foi uma esbórnia. E quando as coisas começam a voltar aos eixos, fica todo mundo perdido agora, quando muito tentando recuperar biografia”, diz Nassif.

Moro recebeu US$ 650 em um ano de trabalho

Sobre a remuneração de Moro: “Nós antecipamos aqui que ele devia ter recebido US$ 500 mil por ano dessa Alvarez & Marsal, ele recebeu US$ 650 mil – os US$ 150 mil foram o pedágio para aceitar o cargo”, diz Nassif.

Ao mesmo tempo, Nassif lembra que existem dúvidas em torno da sociedade de propósito específico, criada pela Alvarez & Marsal “para adquirir a parte boa das empreiteiras brasileiras”.

O artigo “Quanto recebeu Sergio Moro na Alvarez & Marsal”, publicado em 26 de janeiro, pode ser lido clicando aqui.

“E agora, uma esperteza para tentar desviar o foco do Sergio Moro: você tem o procurador do TCU Julio Marcelo de Oliveira – o Julio foi um personagem central naquela pantomima que foi o impeachment da Dilma”, diz Nassif.

Basicamente, Oliveira “era o sujeito que chegava lá para falar das pedaladas e dava o julgamento (…) Estive uma vez em Brasília em um restaurante, e ele estava almoçando direto com o Marcos Lisboa, dentro daquela articulação que pegou membros do setor público visando o impeachment (…)”.

“Ele (Oliveira) entrou agora com uma representação dizendo que, pelo sorteio, ele que deveria pegar o caso Sergio Moro e foi por engano para o Lucas Furtado, agora ele quer de volta e faz uma baita defesa do Sergio Moro”, disse Nassif. “Ele (Oliveira) estava calado nos últimos tempos, mas é um sujeito complicado”.

Outro ponto relevante foi o inquérito da Polícia Federal que concluiu que houve crime da parte do presidente Jair Bolsonaro.

“O Bolsonaro é um estúpido e daí, assim como na Lava Jato, quando você tem aquele ciclo que você acha que tá tudo a favor, você vai cometendo uns abusos e mais adiante vem a conta, ele fez isso nesse período (…)”, lembra Nassif.

“Ele foi cometendo todos esses crimes e agora, que tem a reversão, a conta começa a cair – ainda não vai cair de tudo nele porque ele ainda é presidente, mas ele já deve estar em pânico. É um sujeito medroso – a maneira como ele (Bolsonaro) recorreu ao Temer quando achou que os filhos iam ser presos… É um sujeito medroso, mas mostra essa loucura que é o pessoal não entender os movimentos de opinião pública (…)”, diz Nassif.

O “bode expiatório” da Lava Jato

Os dados da Vaza Jato mostram que o procurador mais sensível – “que tinha problemas de consciência em um grupo onde eles festejavam morte de criança, morte da dona Marisa… É um dos grupos mais abjetos” (…).

“Quando você é apanhado em gravações você pode falar besteira, mas é um dos grupos mais abjetos – e a pessoa mais sensível era justamente o procurador Diogo Castor. E a conta veio para cima dele”, diz Nassif. “Ele (Castor) foi julgado, foi afastado do MP sem direito a vencimentos, passando muito a impressão de que foi um bode expiatório para dar uma justificativa”, diz Nassif.

Para discutir a respeito, Nassif e o jornalista Marcelo Auler conversam com a advogada Tania Mandarino. “Na realidade, a questão começou com um outdoor – que é uma coisa tão aparentemente simples. E, inclusive, hoje a gente vê que a grande mídia tenta relativizar o caso dizendo ‘que punição desproporcional'”, diz Tania

“(A grande mídia tenta) imputar essa pena de demissão à tramitação da PEC 05, que no dia do julgamento dele estava ainda tramitando e poderia mudar a composição do CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público)”, lembra a advogada.

“Tentam dizer que o CNMP ficou com medo de ter que ter outra composição, e que por isso o demitiu. Mas, na verdade, não é nada disso”, afirma Tania Mandarino, ressaltando que o outdoor em si “é uma questão pequena”.

“A gente não imagina que a pessoa, ou melhor, as pessoas vão mandar instalar um outdoor na cidade da Lava-Jato em louvação ao próprio trabalho deles de servidores, de procuradores, com uma foto linda de estúdio, com nove procuradores, todos os homens – nenhuma das mulheres foi colocada ali, isso também já diz alguma coisa”.

O outdoor em questão foi divulgado durante o aniversário de cinco anos da Lava Jato, dizendo que a operação Lava Jato mudou o Brasil. “Era no caminho do aeroporto, e se dizia ‘Bem Vindos à República de Curitiba. Aqui se cumpre a lei'”, lembra a advogada.

No dia do julgamento do CNMP, Tania Mandarino afirma que um dos conselheiros que referendou a instalação do PAD (processo administrativo disciplinar) “e nós colocamos isso na nossa argumentação (…) os outros Ministérios Públicos do Brasil não cumprem a lei, né?”.

“Fere o Pacto Federativo dizer isso, República de Curitiba. Bom, quem diria que um coletivo de advogados e advogadas iria pedir providências no CNMP para saber ‘escuta, qual que é desse outdoor'”, diz a advogada.

A advogada lembra que, “coincidentemente”, isso ocorreu em março de 2019, “na época em que Diogo Castor de Matos tinha escrito um artigo na revista Crusoé acabando com o STF – que deu o ensejo à representação do STF e da Associação Nacional dos Desembargadores contra ele, o CNMP, e à instauração do inquérito 4781 – o inquérito das fake news”, lembra Tania Mandarino.

A advogada lembra que, a partir disso, foi se desenrolando um novelo que ainda não terminou de se desenrolar – “tem várias nuances, vários recheios, mas culminou com a pena de demissão aplicada em 21 de outubro passado pelo CNMP ao procurador”.

Veja mais sobre os bastidores em torno do caso na íntegra da TV GGN 20 horas. Clique abaixo e confira!

1 Comentário

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Tulio

- 2022-01-29 12:58:54

Quero ver o Dallagnol e os demais procuradores e procuradoras da lava-jato na cadeia! Esses canalhas ferraram com o Brasil.

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